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19/05/2009

Obama assinala limite na diplomacia com o Irã

The New York Times
Sheryl Gay Stolberg, de Washington, e Isabel Kershner, de Jerusalém
O presidente Barack Obama disse na segunda-feira (18) que esperava saber até o final do ano se o Irã está fazendo um "esforço de boa fé para resolver as diferenças" nas negociações destinadas a pôr fim ao seu programa nuclear, assinalando para Israel tanto quanto para o Irã que sua disposição para a diplomacia na questão tem limites.

"Não vamos ter negociações para sempre", disse Obama ao primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, após uma reunião de duas horas no Salão Oval. O presidente acrescentou que ele não pretendia excluir uma "série de medidas" se o Irã não cooperasse.

Netanyahu, de sua parte, disse a Obama que está pronto para assumir negociações de paz com os palestinos imediatamente, mas apenas se estes reconhecerem Israel como um Estado judeu.

A reunião entre os dois líderes, ambos novos no cargo, mas com estilos políticos e visões muito diferentes, acontece em um momento delicado no relacionamento entre os dois países, especialmente na questão do Irã. Obama quer tempo para que suas aberturas diplomáticas funcionem. Israel está preocupado com essas aberturas e temeroso que o presidente não apoiará Israel de forma tão incondicional quanto seu predecessor, George W. Bush.

Na segunda-feira, Obama parecia estar tentando lidar com essa preocupação.

"Não vamos criar uma situação na qual as negociações se tornem uma desculpa para a inação, enquanto o Irã continua desenvolvendo -e empregando- uma arma nuclear", disse o presidente, acrescentando que pretendia "medir e reavaliar no final do ano" se a abordagem diplomática está produzindo resultados.

Essa foi a primeira vez que Obama pareceu disposto a estabelecer até mesmo um cronograma geral para a progressão das negociações com o Irã, um país que não tem relações diplomáticas com os EUA há várias décadas. Ele disse que negociações internacionais, envolvendo seis países incluindo os EUA, devem começar pouco após as eleições iranianas em junho, com a possibilidade de "conversas diretas" entre os EUA e o Irã depois disso.

A reunião entre Netanyahu e Obama foi a primeira sessão frente a frente entre os dois desde que tomaram posse, e durou muito mais do que a hora planejada inicialmente -durou tanto, de fato, que o presidente teve que reorganizar sua agenda para o resto do dia, adiando uma reunião com um candidato para dirigir a Nasa.

Netanyahu e Obama chegaram ao encontro com objetivos concorrentes: Obama queria que Netanyahu adotasse uma solução de dois Estados para o conflito palestino, e Netanyahu queria que Obama assumisse uma postura firme diante da ameaça imposta pelo Irã à segurança de Israel. Alguns especialistas independentes disseram depois que Netanyahu parecia ter tido sucesso.

"A lógica do argumento de Netanyahu é: 'O que fazer se seu poder de diplomacia e sanções não funcionarem?'", disse Aaron David Miller, que foi negociador do Oriente Médio nos governos democrata e republicano. "Quem estava esperando uma cisão muito grande no relacionamento EUA-Israel ficará desapontado".

Ainda assim, algumas diferenças ficaram aparentes. Netanyahu, mais agressivo, agradeceu Obama por manter "todas as opções na mesa" com respeito ao Irã. Essa é uma expressão que Obama usa raramente, mas que foi invocada frequentemente por Bush, em geral para implicar que os EUA empregariam força militar contra o Irã se seu programa nuclear fosse além dos limites.

E Netanyahu não aceitou explicitamente a solução de dois Estados, como esperava Obama. Em vez disso, declarou: "Quero deixar claro que não queremos governar os palestinos. Queremos viver em paz com eles."

Obama, enquanto isso, pressionou Netanyahu para que congelasse a construção de assentamentos israelenses na Cisjordânia. "Os assentamentos têm que ser detidos para que nós possamos avançar", disse Obama. "Essa é uma questão difícil. Reconheço isso. Mas é importante e tem que ser abordada."

O principal negociador dos palestinos, Saeb Erakat, disse após a reunião que os palestinos receberam as observações de Obama como sinal do "reengajamento ativo dos EUA" no processo de paz do Oriente Médio. Erakat criticou Netanyahu por não endossar a solução de dois Estados, dizendo que ele tinha "perdido mais uma oportunidade de se mostrar um parceiro genuíno pela paz".

Além de se encontrar com Obama, Netanyahu ia jantar com a secretária de Estado, Hillary Rodham Clinton, na segunda-feira, segundo um membro da embaixada israelense. Na terça-feira, ele deve se reunir com o secretário de Defesa, Robert Gates, além de líderes do Congresso.

Em certo sentido, a reunião de segunda-feira no Salão Oval foi tanto sobre dois líderes tentando desenvolver um relacionamento quanto sobre as questões entre as duas nações.

Miller, o ex-negociador do Oriente Médio, caracterizou a sessão como o "presidente do 'sim, nós podemos' sentado com o primeiro-ministro do 'não, não vão'".

Jon Alterman, diretor do programa do Oriente Médio do Centro de Estudos Internacionais e Estratégicos em Washington, disse que era impossível discernir se haviam sido criados laços entre os dois. "São dois políticos profissionais que estão tentando avaliar se podem trabalhar um com o outro ou se terão que trabalhar em torno do outro ou se terão que atropelar o outro para conseguir o que querem. E os dois são bons políticos demais para deixarem transparecer suas conclusões", disse Alterman.

Tradução: Deborah Weinberg

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