UOL Notícias Internacional
 

27/05/2009

Incertezas em relação à Coreia do Norte complicam resposta norte-americana

The New York Times
Mark Landler
Em Washington
Ao lidar com a Coreia do Norte, as autoridades norte-americanas estão reduzidas ao estudo de fotos de dois meses de seu líder recluso, Kim Jong-il, para calcular por quanto tempo ele viverá. A equipe do novo governo para a Coreia do Norte inclui um emissário especial que trabalha meio expediente como reitor acadêmico e um funcionário do Departamento de Estado que ainda não foi confirmado pelo Congresso.

E enquanto o presidente Barack Obama tenta encontrar uma forma de punir Pyongyang por seu mais recente teste nuclear e lançamento de mísseis, seus principais assessores reconhecem que todas as opções políticas empregadas pelos presidentes anteriores ao longo dos últimos doze anos - sejam duras ou suaves, políticas ou econômicas - foram infrutíferas em impedir a Coreia do Norte de fabricar uma arma nuclear.

"Por mais que entendessem que esta seria uma questão, eles não estavam preparados para um teste nuclear em maio", disse Marcus Noland, um especialista em Coreia do Norte do Instituto Peterson para Economia Internacional, sobre Obama e sua equipe. "Eles estão agora em uma situação onde precisam conter e administrar uma crise."

Esta crise, disseram autoridades e especialistas independentes, é ainda mais traiçoeira por causa da profunda incerteza política em Pyongyang. As autoridades americanas acreditam que Kim, com a saúde em rápido declínio, está articulando para tornar seu filho mais jovem, Kim Jong-un, seu sucessor, talvez após um período em que seu cunhado, Jang Seong-taek, serviria como regente.

O teste nuclear e lançamento de cinco mísseis de curto alcance, disseram funcionários do governo americano, devem ser entendidos dentro do contexto desta luta interna para estender o governo da dinastia Kim por mais uma geração.

Mas eles alertaram que a informação que vem da Coreia do Norte é frustrantemente vaga e inconclusiva. Kim, notaram os funcionários, não compareceu a um recente encontro com o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey V. Lavrov. Os boatos sobre a saúde do homem conhecido como "Querido Líder" aumentaram em Seul e Pequim, onde observar a Coreia do Norte é um jogo de salão.

Mesmo uma foto oficial recente de Kim, que mostra ele vivo mas frágil, é aberta a interpretações conflitantes, disse um funcionário: que a Coreia do Norte quer mostrar que ele ainda está no controle, ou que está sinalizando que o fim está próximo e pedindo ajuda em meio a uma transição perigosa.

"As pessoas que dizem que sabem o que está acontecendo lá não sabem", disse um funcionário do governo, que falou sob a condição de anonimato por não estar autorizado a falar publicamente. "O que é inegável é que há mudanças substanciais a todas as abordagens anteriores à Coreia do Norte."

Dentre as opções que ainda estão na mesa, o governo Obama parece mais atraído a medidas que restringiriam o acesso do regime norte-coreano a fundos. Estes passos, que seriam conduzidos pelo Departamento do Tesouro de forma aberta ou sigilosa, seriam direcionados contra bancos na Europa e no Oriente Médio que são usados pela família Kim, disseram as autoridades.

O governo também poderá aumentar a pressão sobre a China e Coreia do Sul para cortarem os investimentos na Coreia do Norte - uma tarefa delicada, dada a relutância de Pequim de parecer se curvar à influência americana.

Finalmente, os Estados Unidos e a Coreia do Sul poderiam começar a interceptar os navios que chegam e saem da Coreia do Norte e que são suspeitos de transportar tecnologia nuclear. Mas as autoridades americanas disseram temer esta opção devido ao risco de um confronto militar.

Os Estados Unidos, disseram os especialistas, têm pouca escolha a não ser continuar negociando com a Coreia do Norte por meio do processo de seis partes, que inclui a Coreia do Sul, China, Rússia e Japão. Mas o governo Obama poderá ter que abrir mão das recompensas e punições habituais.

"A liderança norte-coreana só se interessa por assuntos internos, não assuntos externos", disse Wendy R. Sherman, que coordenou a política para Coreia do Norte no governo Clinton. "Ela só se importa com assuntos externos quando ajudam a assegurar a sobrevivência do regime."

Sob estas circunstâncias, ela disse, Pyongyang dificilmente será receptiva a incentivos. E pode concluir que ter armas nucleares é uma necessidade para sua própria preservação.

A detenção de duas jornalistas de televisão americanas pela Coreia do Norte injeta outro elemento inflamável. Laura Ling e Euna Lee foram presas em março e acusadas de entrar ilegalmente no país com intenção "hostil". O julgamento delas, marcado para 4 de junho, "é um risco mas também uma possibilidade", dependendo de como Pyongyang lidar com o caso, disse Sherman.

Tudo isso se soma em um desafio diplomático formidável para o governo Obama, em um momento em que suas energia estão sendo consumidas pelo Paquistão, Afeganistão e Irã. A Coreia do Norte carece da grande atenção que estes países estão recebendo.

O representante especial para políticas para a Coreia do Norte, Stephen W. Bosworth, é um diplomata respeitado e ex-embaixador na Coreia do Sul. Mas ele divide seu tempo entre esta função e a Escola Fletcher de Direito e Diplomacia da Universidade Tufts, onde é reitor.

Kurt M. Campbell, um especialista em segurança na Ásia indicado para se tornar secretário-assistente de Estado para assuntos do Leste Asiático, exerce igualmente um papel importante. Mas ele ainda não foi confirmado.

O porta-voz do Departamento de Estado, Ian C. Kelly, disse que Bosworth participou das reuniões sobre a Coreia do Norte por telefone, de Nova York na segunda-feira, e esteve em Washington na terça-feira. "O embaixador Bosworth está plenamente envolvido, em tempo integral", ele disse.

Entre os outros integrantes influentes nas políticas para a Coreia do Norte, disseram funcionários, estão James B. Steinberg, o vice-secretário de Estado, e Jeffrey A. Bader, o diretor sênior de assuntos asiáticos do Conselho de Segurança Nacional. Steinberg participará de uma conferência de segurança regional em Cingapura nesta semana, onde acompanhará o secretário de Defesa, Robert Gates, nos encontros com ministros da defesa do Japão e da Coreia do Sul, disse o Pentágono.

A secretária de Estado, Hillary Rodham Clinton, a primeira autoridade americana a falar abertamente sobre como a luta pela sucessão complicaria as negociações com a Coreia do Norte, tem trabalhado ao telefone nos últimos três dias.

Mas, disseram os funcionários, no final caberá a Obama, um presidente jovem no início de seu governo, decidir como lidar com Kim, um líder envelhecido no crepúsculo de seu governo.

Eric Schmitt e Thom Shanker contribuíram com reportagem.

Tradução: George El Khouri Andolfato

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