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30/05/2009

O que há em um nome? Para os hispânicos, uma mudança de geração

The New York Times
Sam Roberts
José, o nome favorito dos hispânicos para recém-nascidos nos Estados Unidos, vem perdendo popularidade há anos, e aqui está um motivo possível: as crianças nascidas nos Estados Unidos de pais que chegaram na vasta maré de imigrantes do México, Caribe e América do Sul e Central desde os anos 80, agora constituem a maioria dos jovens hispânicos nos Estados Unidos.

"Este é o futuro", disse Jeffrey S. Passel, demógrafo sênior do Centro Hispânico Pew. "A segunda geração é historicamente aquela que se torna americana, aquela que realiza a integração." Geralmente, a escolha de um nome americano para o membro recém-nascido da segunda geração faz parte desse processo.

Um estudo do centro Pew, divulgado na quinta-feira, revelou uma profunda mudança na população hispânica mais jovem em comparação a 1980, antes do afluxo mais recente.

Esta segunda geração de hispânicos - os filhos nascidos nos Estados Unidos de pelo menos um pai imigrante hispânico - atualmente representa 52% das 16 milhões de crianças hispânicas do país, segundo o estudo. No geral, mais de 9 entre 10 crianças hispânicas que vivem nos Estados Unidos nasceram aqui, e esta proporção está crescendo.

Cerca de 4 entre 10 dessa segunda geração têm pelo menos um pai ilegalmente nos Estados Unidos, o que significa que o status de imigração da família é misto.

Entre todas as crianças latinas, 11%, ou 1,7 milhão, nasceram no exterior. Destas, cerca de duas entre três estão no país ilegalmente, apontou o estudo. Os hispânicos agora também correspondem a 22% das crianças com menos de 18 anos, apontou o estudo, em comparação a 9% em 1980.

O número de filhos de imigrantes hispânicos deverá crescer até 2025, apesar do percentual deles entre todas as crianças hispânicas parece ter atingido o pico em 2000, em cerca de 15%.

"Mais e mais crianças terão pais nascidos e educados nos Estados Unidos", disse Richard Fry, pesquisador associado sênior do centro Pew, que escreveu o estudo juntamente com Passel. "Eles serão mais americanos, o que significa que estarão mais familiarizados com as instituições americanas, e isso tem consequências positivas e algumas consequências negativas."

Fry disse que apesar dos estudantes asiáticos geralmente terem índices mais elevados de escolaridade e melhores resultados em testes de desempenho do que os alunos hispânicos, os jovens asiáticos e hispânicos aprendem inglês na mesma velocidade. Segundo o estudo, 43% das crianças hispânicas nascidas no exterior, 21% da segunda geração e apenas 5% da terceira geração ou mais disseram não ser fluentes em inglês.

Mas o declínio da taxa de pobreza é muito menos acentuado, apontou o estudo. Em 47% na primeira geração de crianças latinas, a taxa cai para 26% na segunda geração, mas então cai apenas para 24% na terceira.

"A maioria desses dados reflete o padrão clássico de ganhos socioeconômicos para as famílias imigrantes de uma geração para a outra", concluiu o relatório do Pew, com duas grandes diferenças: muitos são imigrantes ilegais e a proporção de crianças criada por um único pai é maior na terceira geração do que na primeira ou segunda.

O Pew projeta que a proporção de crianças hispânicas de terceira geração começará a crescer por volta de 2015.

Desde 2000, o número de bebês nascidos de mulheres hispânicas nos Estados Unidos ultrapassou o número de imigrantes hispânicos, o que significa que uma proporção crescente de pessoas hispânicas está sendo criadas como americanas desde o nascimento.

"Os hispânicos do futuro serão cidadãos americanos; eles serão americanos porque nasceram e cresceram aqui, diferente de seus pais imigrantes", disse Passel.

Segundo a Administração do Seguro Social, o nome José estava em 28º lugar entre todos os meninos recém-nascidos em 2004 e tem perdido popularidade a cada ano desde então.

"No geral", disse Guillermina Jasso, uma professora de Sociologia da Universidade de Nova York, "os nomes que os imigrantes dão aos seus filhos passam por três estágios -de nomes na língua original para nomes universais e, finalmente, nomes na língua do país de destino. Logo, eu esperaria um declínio no nome José".

Don L.F. Nilsen, um ex-copresidente da Sociedade Americana do Nome e professor de inglês da Universidade Estadual do Arizona, concordou.

"Devido ao aumento de hispânicos de segunda e terceira geração nos Estados Unidos, a tendência nacional na maioria dos Estados hispânicos (exceto no Texas), é de nomes hispânicos se tornarem menos comuns, e mais nomes ingleses serem usados em seu lugar", ele disse. "A única exceção nesta tendência geral é o nome Jesus, que não é um nome inglês comum."

Há poucos dados sobre a popularidade dos nomes apenas entre os hispânicos, mas em lugares com grande população hispânica, José parece ser menos comum. Na Califórnia, José estava em segundo lugar entre os recém-nascidos há uma década e agora está em 10º. No condado de Los Angeles, era o nome de menino mais popular em 1998, mas era o 13º em 2007.

Mesmo no Texas, onde José ainda é o nome de menino mais popular, o número de Josés tem caído a cada ano desde 2000.

Tradução: George El Khouri Andolfato

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