UOL Notícias Internacional
 

30/05/2009

Vagarosamente, grupos de auxílio alcançam refugiados do Sri Lanka

The New York Times
Lydia Polgreen
Em Nova Déli (Índia)
Onze dias após o governo do Sri Lanka ter declarado vitória sobre os rebeldes tâmeis no norte do país, as organizações de auxílio humanitário estão começando vagarosamente a obter um acesso mais livre aos 265 mil civis desalojados pela guerra, mas não com rapidez suficiente para atender às enormes necessidades dessas pessoas, segundo informam funcionários de organização de ajuda humanitária na região.

As autoridades cingalesas reduziram as restrições ao tráfego de veículos nos campos de refugiados, permitindo que funcionários de organizações como o Comitê Internacional da Cruz Vermelha, as Nações Unidas e a Médicos sem Fronteiras tenham mais acesso aos indivíduos de etnia tâmil desalojados pelos combates, em campos vastos, superlotados e carentes de recursos.

Sarasi Wijeratne, porta-voz da Cruz Vermelha no Sri Lanka, afirma que a organização teve acesso aos campos, mas que "há ausência de procedimentos claros".

Mahinda Samarasinghe, ministro de Gerenciamento de Desastres e Direitos Humanos do Sri Lanka, disse à Comissão de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas nesta semana que o governo assumiu o compromisso de garantir que os moradores desalojados receberão ajuda.

"Não existe problema nenhum quanto a conceder acesso", afirmou ele. "Nós temos concedido e continuaremos concedendo acesso às organizações no sentido de que elas ajudem os necessitados".

Mas funcionários de ajuda humanitária afirmam que os campos próximos ao distrito de Vavuniya, no norte do país, continuam terrivelmente superlotados e carentes de produtos básicos como panelas e cobertores.

"As pessoas que se encontram nos campos precisam de mais assistência", afirma Elizabeth Byrs, porta-voz das Nações Unidas em Genebra. "Elas estão em situação desesperadora. Os campos estão superlotados, e precisamos construir uma quantidade bem maior de abrigos".

No hospital de Vavuniya, onde milhares de feridos foram tratados após as últimas semanas de combates brutais entre os rebeldes e o governo, quase 2.000 pacientes encontram-se amontoados em uma instalação que tem 400 leitos, segundo a Médicos sem Fronteiras.

Os cirurgiões que normalmente fariam cinco cirurgias por dia estão operando diariamente mais de doze pacientes.

"O hospital está muito cheio", diz Hugues Robert, diretor da missão da Médicos sem Fronteiras no Sri Lanka.

As Nações Unidas calculam que pelo menos 7.000 civis foram mortos na sangrenta investida final para derrotar os rebeldes, conhecidos como Tigres Tâmeis, que travaram uma guerra de guerrilha durante 25 anos. Os grupos de direitos humanos acusaram o governo de bombardear civis que fugiam para zonas seguras. Tem sido impossível verificar o número total de baixas civis porque o acesso de investigadores e jornalistas independentes aos refugiados vem sendo bastante restringido.

Apesar disso, o Sri Lanka repeliu com sucesso as tentativas de dar início a uma investigação de possíveis crimes de guerra. A investigação foi proposta na semana passada pelo Conselho de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas.

Várias nações europeias apoiaram uma resolução pedindo uma investigação das ações dos Tigres Tâmeis, que são acusados de usar civis como escudos humanos, e do governo. Mas o Sri Lanka introduziu a sua própria resolução, contendo uma linguagem bem mais branda, e solicitando que o governo conceda acesso dos grupos de auxílio humanitário aos desabrigados.

Os indivíduos que fugiram da guerra dizem que estão sendo mantidos reféns pelo governo nos campos de refugiados, que se tornaram quase prisões ao ar livre.

Autoridades do governo afirmam que os desabrigados estão sendo confinados para a sua própria segurança, e para permitir que as forças armadas expulsem os combatentes dos Tigres Tâmeis que estão escondidos entre os civis.

A Organização das Nações Unidas afirma que os civis precisam ter permissão para retornar às suas casas.

"Os civis devem ser capazes de deixar os campos e retornar às suas famílias", diz Byrs. "Para essas pessoas é um trauma permanecerem confinadas nos campos".

Tradução: UOL

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