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02/06/2009

Presidente da GM terá um fardo pesado pela frente

The New York Times
Micheline Maynard
Gerações de líderes empresariais de todo mundo aprenderam com os princípios de administração desenvolvidos nos anos 20 pelo presidente da General Motors, Alfred P. Sloan Jr.

Agora, a General Motors precisa aprender como sair da concordata e a ser uma empresa muito menor no futuro - algo que Sloan, cuja estratégia enfatizava o tamanho, pode nunca ter previsto.

O resultado determinará se Fritz Henderson, o presidente-executivo da GM, manterá seu emprego e se o governo Obama apostou corretamente US$ 50 bilhões no futuro da GM.

Henderson invocou Sloan, autor de "Meus Anos Com a General Motors", na segunda-feira (1) ao falar para os repórteres e câmeras no Weil, Gotshal & Manges, o escritório de advocacia de Manhattan que está orientando a GM na concordata e é inquilino no prédio da GM na Quinta Avenida, em Manhattan.

Ao passar por um retrato de Sloan naquela manhã, disse Henderson, ele recordou que Sloan conduziu a GM em meio a uma crise financeira no início dos anos 20 que ameaçou a existência da empresa.

"Se ele estivesse sentado aqui hoje, ele diria, 'apenas faça seu trabalho'", disse Henderson. Mas Sloan teve anos para recuperar a GM e décadas para desenvolver a reputação que transformou em best seller seu livro de memórias de 1963.

Henderson, um relativo desconhecido na América corporativa, tem apenas poucos meses e o fará sob enorme escrutínio, por parte do novo conselho diretor e do Departamento do Tesouro, que se transformou em proprietário majoritário da nova GM.

A coletiva de imprensa de Henderson na segunda-feira foi, de certa forma, sua apresentação ao país após ser colocado repentinamente no cargo máximo da GM, depois do governo Obama ter demitido seu antecessor, Rick Wagoner, em 29 de março.

Nascido em Detroit, Henderson, 50 anos, ingressou na empresa há um quarto de século, após se formar em administração e negócios pela Universidade de Michigan, onde era o arremessador do time de beisebol universitário. Ele também tem um MBA por Harvard.

Ele alternou uma série de cargos financeiros até 1997, quando foi encarregado das operações da GM no Brasil, tradicionalmente um campo de teste para os executivos mais promissores da empresa.

Do Brasil, Henderson foi transferido para comandar as operações da GM em toda a América Latina, depois para seus negócios emergentes na Ásia-Pacífico e, finalmente, para um dos maiores prêmios da empresa: a GM da Europa. Ele trabalhou lá até o final de 2005, quando a GM, diante de uma crise financeira, anunciou abruptamente a saída de seu diretor financeiro chefe, John M. Devine, o substituindo por Henderson.

Seu salário como presidente-executivo é de US$ 1,3 milhão. Em 2008, um documento regulatório mostrou que ele tinha ações e remunerações atrasadas no valor de US$ 6,6 milhões àquela altura, mais uma opção para compra de 1 milhão de ações adicionais.

Mas o valor de suas ações despencou no final de 2008 e agora elas foram perdidas no tribunal de falência.

Diferente de outros presidentes da GM, ele terá que lidar com uma série de chefes. O Tesouro contratou uma empresa para procurar diretores, particularmente aqueles com experiência na indústria automotiva e em reestruturações corporativas. O presidente interino da GM, Kent Kresa, o ex-presidente-executivo da Northrop Grumman, deverá receber um cargo em tempo integral.

Juntamente com o novo conselho e o governo, Henderson terá que trabalhar ao lado de Albert A. Koch, vice-presidente da AlixPartners, a empresa de consultoria financeira e turnaround que aconselhou o governo na elaboração do plano de reestruturação.

Em Detroit, Koch é mais conhecido por servir como diretor financeiro chefe do Kmart durante seu processo de concordata, de 2002 a 2003.

Os dois homens dividirão o trabalho de reestruturação de empresa. Enquanto Henderson se concentrará na futura forma da GM, o trabalho de Koch será se desfazer dos ativos que a GM não deseja manter, o que abrange o que a empresa está chamando de Velha GM.

Eles trabalharão juntos "passo a passo" para assegurar um desmonte ordenado da velha empresa, disse Henderson. Ele disse que o envolvimento do governo não o intimida. "Não temos problema com isso. Eu não tenho problema com isso", ele disse.

Sentado na primeira fila da coletiva de imprensa de segunda-feira estava Harvey R. Miller, que lidera a equipe legal da GM, e Ira M. Millstein, o advogado veterano da firma que aconselhou diretores da GM em 1992, quando realizaram um golpe no conselho diretor que levou à saída do presidente-executivo, Robert C. Stempel.

Falando após a coletiva, Millstein disse que Henderson enfrentaria o desafio incomum de lidar com as exigências de muitos chefes, incluindo um novo conselho, os governos dos Estados Unidos e Canadá, que juntos deterão 72,5% da empresa, e do sindicato United Automobile Workers.

"O que um conselho diretor faz quando é uma empresa de propriedade do governo?" disse Millstein. "Este é um novo livro."

Henderson disse não acreditar que o governo interferirá na empresa em decisões comuns de estratégia e produto - como que carros a GM poderia desenvolver- mas que limitará seu envolvimento a questões importantes de governança. Ele não elaborou.

A maioria dos presidentes-executivos recebe pelo menos um ano de seus conselhos, frequentemente muito mais, para realizar uma reestruturação, disse Michael Useem, professor de administração da Escola Wharton da Universidade da Pensilvânia.

Henderson poderá ter apenas três meses, a duração ideal do processo de concordata do governo. "Ele obviamente está com uma rédea muito curta", disse Useem.

Ele parecia bastante ciente de seu prazo limitado. "Não há segunda chance, mas não precisaremos de uma", ele disse. "É nosso dever fazer nosso trabalho."

Tradução: George El Khouri Andolfato

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