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03/06/2009

Obama quer que nações árabes façam o próximo gesto de boa vontade a Israel

The New York Times
Michael Slackman
Em Cairo (Egito)
O presidente Barack Obama dá início à sua muito antecipada viagem ao Oriente Médio nesta quarta-feira na Arábia Saudita, onde ele deverá pressionar as nações árabes para que estas façam o próximo gesto de boa vontade aos israelenses para estimular estes a acelerar o processo de paz.

Mas, quando se reunir, em Riad, a capital saudita, com o rei Abdullah, Obama deverá estar preparado para a eventualidade de receber uma polida mas firme recusa, afirmam autoridades e especialistas políticos sauditas. Segundo eles, os países árabes acreditam que já apresentaram a sua melhor oferta e que agora cabe a Israel exibir um gesto de boa vontade, talvez desmantelando os assentamentos ilegais na Cisjordânia e assumindo e aceitando uma solução baseada em dois Estados.

"Por que seria de se esperar que os árabes fizessem ofertas sem receberem algo antes, se Israel ainda hesita em aceitar a ideia de dois Estados?", questiona Mohammed Abdullah al-Zulfa, historiador e membro do Conselho Shura Saudita, que funciona como comitê de assessoria no lugar de um parlamento.

Embora não descartem a possibilidade de que haja algum progresso no processo de paz, os sauditas dizem que o mundo árabe fez concessões substanciais na Iniciativa Árabe de Paz, que foi aprovada por uma coalizão de 22 países durante um encontro de cúpula da Liga Árabe em Beirute, no Líbano, em 2002. A proposta ofereceu o reconhecimento pleno de Israel em troca da retirada dos israelenses para as suas fronteiras de 1967 e uma "solução justa" para a questão dos refugiados palestinos.

Os sauditas estão preocupados com a potencial ameaça à coalizão caso um país isolado faça mais concessões por conta própria. Isso, segundo eles, poderia fazer com que os países menos compromissados enxergassem um pretexto para abandonar a iniciativa de paz, de acordo com autoridades e analistas regionais.

"Uma decisão unilateral de qualquer chefe de Estado árabe esfacelaria o mundo árabe e prejudicaria a sua unidade, porque sempre haverá aqueles que se opõem e aqueles que apoiam tais decisões", afirma Anwar Majid Eshki, diretor do Centro do Oriente Médio de Estudos Estratégicos e Legais, em Riad.

Obama disse que está viajando ao Oriente Médio para fazer pressões pela solução do conflito árabe-israelense e para melhorar a imagem dos Estados Unidos no mundo muçulmano. Provavelmente outros assuntos serão também discutidos, como as tentativas de reduzir a influência iraniana na região, bem como a questão do preço e do fornecimento de petróleo.

Após visitar a Arábia Saudita, Obama seguirá para o Cairo, no Egito, onde deverá reunir-se com o presidente Hosni Mubarak, proferir um aguardado discurso no salão de cerimônias da Universidade do Cairo e visitar as Grandes Pirâmides de Giza e a histórica mesquita Sultão Hassan.

Autoridades da Arábia Saudita e do Egito afirmam que o presidente já fez progressos na sua agenda para o Oriente Médio, tendo restaurado alguma confiança na possibilidade de que os Estados Unidos estejam interessados em exercer pressões por uma solução dos conflitos do Oriente Médio e de que o país esteja falando sério quanto a isso.

Considerando que há tal reserva de boa vontade, qualquer proposta oferecida pelo presidente será levada em consideração, dizem as autoridades. Mas as respostas a tais propostas serão limitadas por aquilo que as lideranças daqui consideram o seu limite: elas não podem fazer concessões sem antes obter algo, e todas as decisões precisam contar com a aprovação de todos os membros da Liga Árabe.

"Segundo o nosso ponto de vista, nós julgaremos tudo segundo o grau de compromisso de Israel, e as medidas que forem tomadas pelos israelenses", afirma o embaixador Hossam Zaki, um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Egito. "Em outras palavras, se o lado israelense continuar mostrando-se evasivo e não se comprometer a tomar medidas substanciais para voltar a abordar a situação e colocá-la no rumo certo, é improvável que os países árabes respondam a qualquer solicitação de gestos de boa-vontade".

Uma autoridade saudita que falou sob condição de anonimato, porque não foi autorizada a discutir os detalhes da visita presidencial, disse que as nações árabes podem estar dispostas a aceitar certos incentivos para acelerar o processo de paz, mas somente se houver uma ação israelense simultânea.

"Tudo depende do que Israel fornecer", diz a autoridade. "Os israelenses dizem, 'Nós abrimos uma passagem'. Mas, e daí? Quem abre uma passagem pode também fechá-la. A questão não é essa. Precisamos lidar com os grandes problemas".

A autoridade saudita diz que, caso isso ocorra, os países árabes concordarão em participar de comitês multilaterais para a discussão de questões regionais como segurança, ou a melhoria das relações comerciais. Mas todas as frentes concentram-se em verificar se haverá iniciativas de Israel no que se refere às questões fundamentais.

Seria difícil exagerar a euforia que a visita de Obama tem provocado aqui. As pessoas da densamente habitada metrópole do Cairo estão maravilhadas com as obras de embelezamento da cidade promovidas pelo governo, desde a pavimentação da estrada em frente à Universidade do Cairo à pintura de postes de luz e pontes e ao plantio de árvores e plantas decorativas em volta da Cidadela.

Autoridades governamentais, analistas políticos e moradores têm afirmado que há um clima que poderia ser descrito como de otimismo cético. Ninguém aqui está prevendo uma mudança radical nas relações leste-oeste ou no conflito árabe-israelense. Mas, como o presidente dos Estados Unidos está finalmente falando em criticar Israel devido à política de colonização ilegal dos territórios palestinos, e como a popularidade dele é relativamente alta, há um traço de otimismo.

Uma pesquisa Gallup realizada em dez países árabes e nos territórios palestinos revelou que, embora a aprovação da liderança dos Estados Unidos seja baixa, ela subiu em oito nações.

"Creio que escutaremos algo de positivo da parte do presidente Obama", diz Ahmed Kattaan, embaixador saudita na Liga Árabe. "Acho que agora as coisas estão caminhando na direção certa".

Mona el-Naggar contribuiu para esta matéria.

Tradução: UOL

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