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07/06/2009

Obama, atento à Coreia do Norte, homenageia heróis do Dia D

The New York Times
Steven Erlanger e Alan Cowell
Em Colleville-sur-mer(França)
O presidente Barack Obama prestou uma homenagem solene no sábado aos valentes soldados aliados que tomaram as praias daqui há 65 anos e conquistaram a vitória de uma geração que planejou o fim da 2ª Guerra Mundial.

"Quando nos debruçamos sobre as aflições e dificuldades de nossa época e chegamos ao momento pelo qual nós nascemos", disse Obama, "não podemos fazer nada além de nos fortalecer com esses momentos históricos em que os melhores dentre nós de certa forma foram capazes de engolir seus medos e tomar uma frente inimiga num litoral impiedoso."

Com uma nova era de ameaças chegando, Obama e os líderes da França, Inglaterra e Canadá fizeram uma pausa para refletir sobre os feitos heroicos que aconteceram durante as operações do Dia D nas praias da Normandia e nos penhascos próximos a Pointe du Hoc. O espírito dessas batalhas, disseram os presidentes e primeiros-ministros, guardam lições para confrontar os novos desafios do mundo.

A cerimônia da tarde aconteceu no quarto dia da viagem de Obama pelo Oriente Médio e Europa, quando os objetivos diplomáticos de seu governo foram observados com mais atenção. Ao longo de sua passagem por aqui, o presidente sinalizou sua intenção de tomar medidas mais fortes em relação à Coreia do Norte, cujo comportamento ele chamou de "extraordinariamente provocativo".

"Vivemos num mundo de crenças que competem entre si e afirmações sobre o que é a verdade. É um mundo de muitas religiões e culturas e formas de governo", disse ele. "Num mundo como esse, é raro que surja uma luta que diga alguma coisa universal sobre a humanidade. A 2ª Guerra Mundial fez isso."

Obama fez um discurso de 16 minutos embebido de história, seguindo o presidente Nicolas Sarkozy da França, o primeiro-ministro Stephen Harper do Canadá e o primeiro-ministro Gordon Brown da Inglaterra. Os quatro homens, junto com o príncipe Charles da Inglaterra, falaram a uma multidão que ultrapassava a extensão do cemitério.

Com suas próprias histórias de guerra para contar, Obama, que nasceu
17 anos depois do Dia D, apresentou seu tio-avô, Charles Payne, um veterano da 2ª Guerra que viajou desde Chicago.

Ele contou então a história de Zane Schlemmer de Kane'ohe, do Havaí, membro do 82ª Divisão Aérea que pulou de paraquedas num pântano escuro e foi separado de seus colegas, mas ajudou a libertar Carentan, a cidade na qual ele desceu.

Ele contou a história de Anthony Ruggiero de Plymouth, Massachusetts, que lutou no 2º Batalhão de Choque e passou três horas dentro da água gelada antes de escalar os penhascos de Pointe du Hoc para destuir as armas alemãs.

E contou a história de Jim Norene, membro do 502º Regimento de Paraquedistas da Infantaria, que veio de Heppener, Oregon, para cá para o 65º aniversário. Ele estava doente mas veio, disse Obama, e Norene morreu enquanto dormia na noite de sexta-feira depois de visitar Omaha Beach pela última vez.

"Essa é a história da Normandia, mas é também a história dos Estados Unidos", disse Obama, que fez sua primeira visita à Normandia no sábado.

Sob o sol brilhante que deu lugar à nuvens imponentes e uma brisa gelada, as ondas quebravam contra as praias onde 156 mil tropas aliadas desembarcaram, quase metade delas americanas, a partir de 6 de junho de 1944. Acima das praias, hoje em dia mais conhecidas por seus codinomes do Dia D - Utah, Omaha, Juno, Gold e Sword - milhares de pessoas fizeram uma peregrinação até Colleville-sur-Mer.

A distribuição etária da multidão era impressionante, com bem menos veteranos da 2ª Guerra presentes do que filhos, netos e bisnetos dos homens que lutaram aqui.

"Há muitos menos de nós - nossa geração está de certa forma indo embora", disse o ex-senador Bob Dole numa entrevista, cercado por caçadores de autógrafos e pessoas que queriam cumprimentá-lo. "Mas é ótimo ver as pessoas acenando para nós quando dirigimos pela estrada ou pelas ruas. Isso mostra que os franceses entendem o que os EUA fizeram por eles e por muitas outras pessoas."

Neste cemitério militar americano no vilarejo litorâneo acima da praia onde o desembarque começou, 9.387 lápides marcam o lugar de descanso de soldados americanos que morreram durante a invasão e depois dela. A maioria deles está identificada pelo nome, posição hierárquica e Estado natal. Outras têm apenas a inscrição: "Aqui jaz em honrada glória um camarada de armas, conhecido apenas por Deus."

Antes de chegar aqui para homenagear a história, Obama encontrou-se com Sarkozy em Caen, uma cidade cheia de igrejas, destruída pela artilharia aliada e por bombas. Os dois líderes disseram que encontraram pontos de acordo em assuntos como o Oriente Médio, as ambições nucleares do Irã e as ameaças da Coreia do Norte, e Obama sinalizou uma abordagem mais forte em relação ao país.

"Não temos a intenção de continuar com uma política de recompensar as provocações", disse Obama, referindo-se ao último teste nuclear e de lançamento de mísseis feito pela Coreia do Norte.

Mas à medida que a viagem de cinco dias de Obama para o Oriente Médio e para a Europa se aproximava do fim no domingo, a atenção estava focada em honrar o papel dos EUA nas guerras do passado. É provável que o 65º aniversário seja um dos últimos encontros com a presença de veteranos vivos.

Durante uma salva de 21 tiros, a fumaça se levantou de uma parte de Omaha Beach mais uma vez nesse sábado. Homens e mulheres militares no meio da multidão, jovens marinheiros em seus uniformes negros, e os veteranos idosos com suas medalhas de guerra, saudaram com palmas a execução da música "Taps" e a demonstração aérea de jatos ingleses, franceses e americanos.

Hyrum Smith Shumway, um veterano do exército de 87 anos, de Eldersburg, Maryland, estava em sua quarta viagem à Normandi. Seu filho, neto e bisneto o acompanharam e ficaram ao seu lado enquanto ele falava sobre o dia da invasão, quando ele tinha 22 anos.

"Nós subimos o morro. Cruzamos ali, onde hoje estão os cemitérios", disse Shumway, que era segundo tenente da 1ª Divisão do Exército, 18º Regimento, Companhia B. "Fomos os segundos a desembarcar."

Seis semanas depois do Dia D, uma mina explodiu e o deixou cego para o resto da vida. Shumway disse que ele adorava o combate, mas agora deseja a paz. Ele tem esperanças de que Obama ajude os Estados Unidos a atingirem esse objetivo.

"Acho maravilhoso que ele tenha vindo até aqui para tentar fazer a paz em Israel e com os muçulmanos", disse Shumway, cujo paletó estava adornado com uma Estrela de Bronze e uma medalha da Legião de Honra.
"Ele com certeza é um bom orador. Espero que ele seja capaz de trazer a paz para o mundo, mas não sei se conseguirá."

Tradução: Eloise De Vylder

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