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12/06/2009

Para os especialistas em gripe, o rótulo "pandemia" confirma o óbvio

The New York Times
Donald G. Mcneil Jr. e Denise Grady
Não houve surpresa na quinta-feira (11/06) quando a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou que o surto de gripe suína transformou-se em uma pandemia.

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A doença atingiu 74 países, e provavelmente atingiu a definição técnica de pandemia - ou disseminação global - semanas atrás. Quase 30 mil casos foram detectados, mas os especialistas em doenças acreditam que centenas de milhares ou milhões de pessoas foram de fato infectadas.

Assim, a agência anunciou oficialmente aquilo que já se tornara óbvio: que o vírus H1N1 está espalhando-se rapidamente por diferentes partes do mundo. E a chefe da agência, a médica Margaret Chan, afirmou: "Consideramos inevitável a disseminação ainda maior".

O anúncio não significa que a doença, que na maioria dos pacientes teve uma manifestação leve, tenha se tornado pior. Apesar da palavra sinistra, o termo pandemia reflete apenas a disseminação geográfica da nova doença, e não a sua severidade. As pandemias tipicamente infectam cerca de um terço do mundo em um ou dois anos, e às vezes atacam em ondas sucessivas.

"Globalmente, temos bons motivos para acreditar que esta pandemia, pelo menos nos estágios iniciais, apresentará uma gravidade moderada", disse Chan, diretora geral da agência de saúde. Até o momento, 144 pessoas morreram devido ao H1N1.

A decisão de elevar o alerta pandêmico da fase 5 para a fase 6, o nível mais alto, teve como objetivo alertar os países para que eles intensifiquem as suas medidas para enfrentar a doença.

Isso significa também que a organização de saúde está pedindo aos fabricantes de medicamentos que comecem a produzir uma vacina o mais rapidamente possível, na esperança de que já haja lotes disponíveis até setembro. Os esforços para a fabricação da vacina estão em andamento, e estoques de drogas antivirais foram abertos. Mas a agência não recomenda o fechamento de fronteiras ou a restrição de viagens.

"Isso não é uma surpresa", afirma o médico Thomas R. Frieden, o novo diretor do Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos. "Na prática, o governo dos Estados Unidos já se encontra na fase 6 de alerta pandêmico há algum tempo".

Ainda que a doença tenha até agora atingido as pessoas de forma relativamente suave, os governos não podem relaxar, afirmou Chan. Até porque, explicou ela, o vírus pode sofrer uma modificação a qualquer momento e tornar-se mais grave.

Além disso, a doença pode causar um estrago maior quando atingir países pobres nos quais há altos índices de desnutrição, Aids e outras doenças capazes de reduzir a resistência dos indivíduos a infecções. Chan diz que os países ricos devem ajudar os pobres que têm menos capacidade de se protegerem.

Até mesmo nos países desenvolvidos, o vírus pode provocar uma doença grave e às vezes fatal em mulheres grávidas, bebês e pessoas com outros problemas de saúde como asma, doenças cardíacas, diabetes, obesidade e doenças autoimunes. Frieden diz que as pessoas que estão nesses grupos de risco devem buscar tratamento caso tiverem febre de pelo menos 38º C, bem como tosse e dor de garganta.

Entre um terço e a metade dos casos graves e fatais ocorreu em pessoas jovens e de meia idade que encontravam-se anteriormente saudáveis. Já a gripe sazonal tende a matar os idosos debilitados.

A gravidade do novo vírus não chega nem perto daquele de 1918, que matou entre 40 e 50 milhões de pessoas em todo o mundo. Mas até mesmo as pandemias de gripe menos graves podem causar várias mortes. A de 1957 matou dois milhões de pessoas, e a de 1968 vitimou cerca de um milhão. Já a gripe comum sazonal mata de 250 mil a 500 mil pessoas por ano.

Chan disse que os países que ainda não registraram casos devem esperá-los e preparar os seus sistemas de saúde para o tratamento de pacientes. Segundo ela, os países nos estágios iniciais de surtos devem procurar conter a doença. E aqueles nos quais a doença já avançou, como o México, não devem abaixar a guarda, ainda que a doença pareça estar retrocedendo.

"O vírus pode retornar em uma segunda onda", disse ela. "Quando você estiver na primeira onda, comece a preparar-se para a futura".

A OMS vinha sendo duramente questionada há semanas por não ter declarado a fase 6 quando a disseminação de casos, primeiro no Reino Unido e na Espanha, e depois no Japão, na Austrália e no Chile, parecia atender à definição de pandemia: a disseminação comunitária sustentada de um novo vírus em duas regiões diferentes.

Chan indicou recentemente que acreditava que uma pandemia estava a caminho, especialmente quando o número de casos na Austrália quadruplicou em apenas uma semana. Mas ela disse que desejava ouvir os países que apresentavam surtos expressivos, e depois um painel de especialistas com o qual se reuniu na quinta-feira.

Com base nos relatos iniciais do México e dos Estados Unidos, os cientistas dizem que o H1N1 parece provocar o mesmo índice de óbitos de 0,6% apresentado pela gripe asiática de 1957. A gripe de 1918 matou cerca de 2,5% dos indivíduos infectados.

Mas em 1918 não existiam antibióticos, e muita gente morreu devido a infecções bacterianas secundárias. Em 1957, não havia drogas antivirais, e os aparelhos de ventilação mecânica eram menos comuns.

O médico Michael T. Osterholm, diretor do Centro de Pesquisas e Políticas de Doenças Infecciosas da Universidade de Minnesota, diz que a gripe deste ano não está se comportando como a de 1957, que diluiu-se rapidamente em um padrão sazonal. Em junho, normalmente não haveria casos de gripe nos Estados Unidos, mas, segundo ele, as internações hospitalares devido à gripe estão aumentando no Estado de Minnesota.

Segundo o Centro de Controle e Prevenção de Doenças, os índices de gripe continuam elevados em Nova York e na região da Nova Inglaterra, sobretudo no Estado de Massachusetts.

Tradução: UOL

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