UOL Notícias Internacional
 

20/06/2009

Na sua partida de xadrez com a Geórgia, a Rússia movimenta um peão

The New York Times
Michael Schwirtz
Em Moscou (Rússia)
Poucos meses após ficar embaraçada com a deserção de um soldado russo para a Geórgia, a Rússia respondeu na sexta-feira. Ela apresentou seu próprio desertor militar, um oficial georgiano, aparentemente buscando marcar pontos na guerra de propaganda entre os dois países.

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    Mapa com a região centro-sul da Ásia indica a posição da Geórgia, e sua fronteira com a Rússia

Apesar das forças armadas russas terem derrotado rapidamente as forças menores da Geórgia na guerra em agosto passado, a Geórgia provou ser mais capacitada na frente de relações públicas. Os dois lados lutam continuamente na imprensa, nas conferências internacionais e até mesmo na pista de dança.

A Geórgia desfilou o sargento Aleksandr Glukhov, o recruta russo, como um troféu de campeonato. Ele desertou em janeiro, ele disse, por ter sofrido um abuso verbal por parte de seu oficial de comando, e porque lhe foi negado comida suficiente e um banho.

A Rússia contra-atacou na sexta-feira, apresentando Alik D. Bzhania, um tenente do exército da Geórgia, em uma coletiva de imprensa lotada aqui. Bzhania, 35 anos, descreveu como, em 23 de maio, ele deixou seu posto como navegador em uma embarcação da guarda costeira, vestiu roupas civis e atravessou a fronteira para a Rússia, em busca de asilo político.

Não se sabe o que ele fez na Rússia entre o momento de sua deserção e sua estréia na mídia na quinta-feira, quando deu uma entrevista para a emissora de rádio "Echo Moskvy".

Naquela entrevista e na coletiva de imprensa de sexta-feira, ele falou de sua raiva contra o presidente da Geórgia, Mikheil Saakashvili, e do medo de um novo confronto com a Rússia.

"Eu achei que após o conflito de agosto, Saakashvili recobraria o juízo", ele disse. "Mas nada mudou. Os reservistas estão sendo convocados e o exército está sendo mobilizado. Eu não quero lutar contra a Rússia, então parti."

Nos últimos meses, a oposição da Geórgia tem realizado manifestações quase contínuas pedindo a renúncia de Saakashvili, a quem acusam de renegar as promessas de reforma democrática e de provocar a guerra com a Rússia.

Bzhania, entretanto, disse que nunca se envolveu em política. Na verdade, ele só voltou às forças armadas em outubro, após um período trabalhando como operário de construção e, dessa forma, não lutou na guerra.

Ele se queixou de seu salário mensal de US$ 300, mas disse que, fora isso, sua vida como militar foi "ótima".

Em uma entrevista para a rádio "Echo Moskvy", Temuri Yakobashvili, o ministro da Reintegração da Geórgia, considerou o caso "uma provocação muito barata".

Ele acrescentou: "A liderança georgiana ri desses truques dos serviços especiais russos".

Tradução: George El Khouri Andolfato

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