UOL Notícias Internacional
 

28/06/2009

Projeto de lei climática pode se tornar assunto de ano eleitoral

The New York Times
Por Carl Hulse
Washigton - Enquanto os democratas lutavam para superar impedimentos cruciais no caminho para uma aprovação estreita da legislação sobre o aquecimento global nas fileiras do partido, estavam obstinados com uma questão crítica: será que o clima político mudou desde 1993?

Integrantes veteranos de ambos os partidos ainda se lembram vividamente de quando muitos democratas da Câmara, nos primeiros meses do governo Clinton, apoiaram relutantemente uma proposta de imposto BTU [sigla para unidade térmica britânica] - uma nova arrecadação em cada unidade de energia consumida - apenas para ver ela depois ser ignorada pelo Senado e capturada mais tarde como tema de campanha dos republicanos, que tomaram controle da Câmara no ano seguinte.

"Muitos membros democratas se queimaram com esse voto", alertou o representante John A. Boehner de Ohio, líder republicano da casa, que disse que a medida de mudança climática será o voto que definirá este 111º Congresso.

Num Congresso que provavelmente vai considerar a reforma do sistema de saúde, novas formas de governar o setor financeiro e as mudanças na imigração, depois de aprovar um estímulo econômico de US$ 787 bilhões, há uma séria competição pelo título de qual será o voto definidor.

Mas a medida de mudança climática, uma alta prioridade do presidente Barack Obama e da porta-voz da Câmara Nancy Pelosi, democrata da Califórnia, sem dúvida estará bem no topo da lista. Os grupos de interesse de ambos os lados do assunto prometem articular seu apoio para influenciar o voto dos legisladores sobre o projeto de lei e se opor ativamente àqueles que forem na direção oposta.

No momento em que a Câmara aprovou o projeto de lei, Obama usou a oportunidade para começar uma pressão maior no Senado, onde a legislação enfrentará novamente uma forte oposição. Ele já gravou e distribuiu o texto de seu discurso semanal de sábado, na urgência de fazer algo sobre o sistema de saúde desse ano. Mas ele voltou atrás e substituiu a mensagem focando no clima de vitória.

"Quero congratular a Câmara por ter aprovado o projeto de lei, e quero pedir ao Senado para abraçar essa oportunidade para nos unirmos e cumprirmos com nossa obrigação - para nossos eleitores, para nossas crianças, para a criação de Deus e para as futuras gerações", disse ele.

Líderes democratas disseram que estão mais do que felizes com o fato de o projeto de lei energética ser o tema que define essa administração. Eles dizem que isso representa um momento de transformação - o esforço do partido para enfrentar uma ameaça genuína ao planeta. Eles dizem que os eleitores irão apreciar a legislação como um esforço atrasado para diminuir a dependência perigosa que a nação tem em relação ao petróleo estrangeiro além de criar milhões de novos empregos na produção e distribuição de energia limpa e em tecnologia de conservação de energia.

"O povo americano compreende que não podemos mais varrer os grandes problemas nacionais sob o tapete e que teríamos que ter uma política energética para o século 21", disse o representante Chris Van Hollen de Maryland, presidente do Comitê Democrata de Campanha no Congresso.

Os dois partidos duelaram por meses quanto aos custos e benefícios da medida, e o debate deve com certeza continuar durante as eleições em novembro de 2010. Mas isso será principalmente uma guerra de mensagens porque mesmo se um projeto de lei de mudança climática for aprovado e transformado em lei este ano, como esperam os democratas do Congresso e a Casa Branca, os efeitos práticos não serão sentidos até depois da eleição.

Os republicanos obviamente viram os paralelos entre o voto de 1993 e o de sexta-feira. Quando o martelo desceu sobre sua tentativa de impedir o projeto de lei, os republicanos cantavam "BTU, BTU" e pareciam estar quase em clima de celebração.

"Nas câmaras, sentimos que ganhamos", disse o republicano Tom Cole de Oklahoma, um estrategista político do partido. "Eles colocaram muitos caras na linha."

Os votos foram impressionantemente similares. Em 1993, a legislação que continha a taxa de energia de Clinton foi adotada numa votação de 219-213, com 44 democratas desertando.

Numa indicação do mal estar entre alguns democratas, a aprovação na Câmara veio só depois de uma campanha determinada para controlar a influência de legisladores hesitantes. Foi necessária intervenção pessoal feita pelo presidente e o vice-presidente; membros do gabinete; o chefe de gabinete da Casa Branca, Rahm Emanuel; Pelosi; e até acordos de última hora foram feitos na Câmara.

Foi uma vitória significativa tanto para o presidente e os democratas do Congresso, e veio num tema que muitos achavam que se mostraria mais difícil do que a reforma no sistema de saúde. Mas conforme o progresso na legislação da saúde ficou mais lento e consumiu a maior parte da atenção, os democratas foram capazes de impulsionar adiante a mudança de legislação climática, quase sem perceber.

Democratas importantes dizem que acreditam que a vitória quanto à lei de mudança climática - que estabelecerá um difícil debate de verão no Senado - pode traduzir o progresso em outros assuntos difíceis à medida que os legisladores virem que os democratas podem fazer avançar até mesmo as medidas mais problemáticas.

"Momentum vem atrás de momentum", disse Emanuel.

Ainda assim, o voto representa um risco significativo. Quanto ao estímulo econômico e provavelmente em relação ao projeto de lei de saúde, os votos dos republicanos não foram suficientes, criando um contraste claro entre os dois partidos.

E os republicanos - que no ano passado fizeram da expressão "perfure, perfure" o slogan para uma produção maior, e não menor, de combustíveis fósseis que geram gases de efeito estufa junto com a energia e também conseguiram algumas vitórias políticas antes que o preço do petróleo e da gasolina caísse de sua alta histórica - acreditam que a energia é um assunto em que eles mostraram a capacidade de conseguir alguma tração.

Eles também pretendem transmitir a perspectiva de que a legislação poderia colocar os Estados Unidos com uma desvantagem competitiva ou fazer com que mais empregos saiam do país.

Mas os democratas veem a medida como uma conquista singular. O representante Edward J. Markey, democrata de Massachussets, e um dos autores do projeto, o compara a uma combinação do Projeto Apollo com o Ato de Direitos Civis.

O representante Steny H. Hoyer, democrata de Maryland, disse que acreditava que o impacto político da taxa BTU tinha sido exagerado e ele não espera um efeito colateral em relação à nova medida. Além disso, muitos dos democratas mais vulneráveis votaram contra a medida.

"Marque esse dia, 26 de junho de 2009", Hoyer falou cauteloso na sessão logo antes da aprovação do projeto de lei climática.

Não há dúvida de que ambos os partidos já marcaram a data. (Tradução: Eloise De Vylder)

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