UOL Notícias Internacional
 

01/07/2009

Iraque não consegue atrair boas propostas de companhias de petróleo

The New York Times
Timothy Williams
Em Bagdá
O governo iraquiano tropeçou novamente na terça-feira (30) em seu esforço frequentemente adiado de conceder direitos de exploração de seus campos de petróleo mais valiosos. Em uma licitação pública o país fracassou em atrair as ofertas lucrativas que pretendia de dezenas de companhias internacionais de petróleo convidadas a fazer ofertas.

Após o evento que durou todo o dia, que foi transmitido ao vivo pela televisão, o governo saiu com apenas um negócio fechado entre seis campos de petróleo gigantes e dois campos de gás abertos para a licitação.

O único contrato bem-sucedido foi com o joint venture da BP e da China National Petroleum Corporation pelo maior campo oferecido: Rumaila, perto da cidade de Basra, no sul, com reservas comprovadas de mais de 17 bilhões de barris.

O leilão, celebrado pelo governo iraquiano como um marco para a nova democracia, ocorreu no mesmo dia do prazo para retirada das tropas de combate americanas das cidades iraquianas.

Esta é sua tentativa mais significativa para abrir o setor de petróleo do Iraque desde sua nacionalização por Saddam Hussein, em 1972, e a peça central do plano para aumentar a produção de petróleo dos atuais 2,4 milhões de barris para 6 milhões de barris por dia até 2015.

Em vez de reunir a injeção de capital estrangeiro para reconstruir e escorar sua debilitada economia, a licitação dos campos contendo cerca de 80% da produção de petróleo do Iraque parece ter polarizado ainda mais o país. Quatro dos oito campos de petróleo e gás oferecidos na terça-feira receberam apenas uma única proposta das companhias de petróleo, e um campo de gás não desenvolvido na província de Diyala, no noroeste do Iraque e assolada por violência, não recebeu nenhuma.

"Estas companhias de petróleo querem ganhar o máximo dinheiro que puderem, então submeteram propostas baixas", disse Hussain al-Shahristani, o criticado ministro do Petróleo do país, durante uma coletiva de imprensa após a licitação. "Mas eu enviei uma mensagem de que há pessoas no Iraque que estão protegendo a riqueza do país."

Mas observadores disseram que o evento só poderia ser considerado um sucesso se visto estritamente em termos políticos populistas, porque a presença estrangeira no setor de petróleo do Iraque é um assunto contencioso. Muitos acreditam que a invasão liderada pelos Estados Unidos em 2003 visava o controle das enormes reservas de petróleo do Iraque, as terceiras maiores do mundo, atrás da Arábia Saudita e do Irã.

Ruba Husari, o editor do site "Iraq Oil Forum", que cobre o setor de petróleo do país, disse que o que permanece não resolvido é como o Iraque deve modernizar seu setor de petróleo sem ceder aos desejos das companhias de petróleo, que preferem ser donas de um percentual do petróleo que extraem. O Iraque até o momento rejeitou esses acordos, que são conhecidos como production-sharing (partilha de produção).

O Iraque possui cerca de 9% do petróleo cru do mundo, mas seus oleodutos e outras infraestruturas estão envelhecendo. Muitos de seus campos mais produtivos, cheios de água devido à má gestão, não são mais capazes de produzir tanto petróleo quanto no passado. O país carece de recursos para reconstruir o setor, que é responsável por quase toda sua receita.

A licitação de terça-feira, realizada em um salão de baile altamente protegido no Rashid Hotel, na Zona Verde de Bagdá, lembrava uma extração de loteria. As ofertas foram colocas no interior de uma grande caixa de plástico que foi colocada no palco. As companhias de petróleo tiveram 20 minutos para refletir a respeito de cada campo de gás e petróleo, com um relógio em contagem regressiva em uma tela de vídeo gigante.

A visão dos executivos caminhando no palco para depositar as propostas seladas na caixa plástica provocavam aplausos dos funcionários do Ministério do Petróleo na plateia.

Os executivos, representando ExxonMobil, Lukoil, Japex, Royal Dutch Shell, Total e a Korea Gas Corporation, entre outras, então ficaram de lado enquanto suas propostas eram exibidas em uma tela antes de serem comparadas com as das empresas concorrentes que disputavam o mesmo contrato.

O Ministério do Petróleo disse que optou por realizar a licitação pela televisão, diante de uma platéia de repórteres e outros, para combater as alegações de corrupção no ministério, que levaram ao cancelamento de um grupo de contratos de petróleo sem licitação no ano passado. As grandes companhias de petróleo também tinham pouco interesse nos termos daqueles contratos.

Devido ao risco financeiro de um investimento de 20 anos no Iraque ser considerado alto demais mesmo para as maiores companhias de petróleo, elas em grande parte formaram joint ventures.

Por todo o dia, grupos de homens em ternos escuros conversavam uns com os outros em sua língua comum: um inglês quebrado, com sotaque holandês, chinês, russo e tailandês. Um membro da delegação coreana usava um colete à prova de balas dentro do salão de baile do hotel.

A única oferta bem-sucedida, feita pela BP e China National Petroleum Corporation, será negociada com o Ministério do Petróleo ao longo dos próximos meses para conclusão do contrato para retomada do campo de petróleo de Rumaila.

O Iraque disse que apenas cerca de 1 milhão de barris de petróleo por dia são extraídos de Rumaila -bem menos do que os 1,75 milhões de barris que o governo acredita que o campo tem capacidade de produzir, e pouco mais do que um terço dos 2,85 milhões de barris que a BP e a empresa chinesa dizem que podem extrair.

As empresas pediram originalmente um ágil de US$ 3,99 por cada barril de petróleo produzido além do mínimo estabelecido pelo governo iraquiano, mas o governo ofereceu apenas US$ 2.

Apesar das empresas terem finalmente concordado com o preço do governo, foi o único momento no dia em que foram superadas as diferenças enormes entre o que o governo estava disposto a pagar e o que as companhias disseram que precisavam receber.

Campbell Robinson, Alissa J. Rubin e Abeer Mohammed, em Bagdá, e Keith Bradsher, em Hong Kong, contribuíram com reportagem.

Tradução: George El Khouri Andolfato

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