UOL Notícias Internacional
 

03/07/2009

Estratégia americana no Afeganistão colocará fuzileiros navais em pequenas bases

The New York Times
Thom Shanker e Richard A. Oppel Jr.
Em Washington
A primeira grande operação lançada com as tropas adicionais enviadas ao Afeganistão pelo presidente Barack Obama visa acabar com os santuários do Taleban por toda uma província estratégica no sul - e então, em uma mudança acentuada em relação à prática anterior, deixar grupos de marines em pequenas bases próximas dos aldeões, aos quais protegerão e ajudarão, segundo altos oficiais militares.

Apesar do poder de fogo e número substancial de soldados, a estratégia não é isenta de riscos. Na quinta-feira (2), o primeiro fuzileiro naval americano foi morto na operação.

Apesar das forças americanas e aliadas já terem realizado uma varredura na província, Helmand, matando ou capturando o máximo de guerrilheiros que puderam, frequentemente com ataques aéreos, os militares nunca antes contaram com soldados suficientes em solo para proteger grandes áreas de onde foram removidos os insurgentes em operações de combate.

Desta vez, uma força de cerca de 4 mil fuzileiros navais, que chegou há poucas semanas, ganhou o reforço de 650 soldados afegãos na varredura da província de Helmand, um ninho de atividade do Taleban e a maior produtora de papoulas de ópio, que é a principal fonte de dinheiro para a insurreição.

"Basicamente, o que estamos tentando fazer é criar e sustentar uma presença produtiva na província de Helmand, incluindo tanto poder de combate quanto capacidades de atendimento aos civis", disse um alto oficial militar.

"Não se trata simplesmente de remover a influência do Taleban, mas substituir essa influência com operações de segurança e reconstrução", disse o oficial. "Não se trata simplesmente de matar o inimigo, mas sim de proteger a população e melhorar suas vidas, o que ajudará a impedir o retorno dos elementos insurgentes."

Os comandantes prometem que os fuzileiros navais permanecerão em número significativo, estabelecendo muitas pequenas bases operacionais e de logística entre a população. Essa tática foi central para o sucesso do chamado aumento de tropas no Iraque.

Os fuzileiros navais avançaram para três cidades significativas ao longo de um trecho de 120 quilômetros do Rio Helmand, ao sul de Lashkar Gah na quinta-feira, encontrando resistência esporádica que cresceu por toda a tarde, disse um porta-voz dos marines.

Os fuzileiros navais agora têm presença em Nawa e Garmsir, na região central de Helmand, e em Khan Neshin, no sul da província, disse um porta-voz das forças marines em Helmand, o capitão Bill Pelletier. Ele descreveu o contato com os combatentes talebans como "principalmente do tipo atacar e fugir". Alguns marines foram tratados por exaustão devido ao calor, porque as temperaturas chegaram a 43ºC, ele disse.

A missão parece visar mostrar aos moradores que os soldados estão ali para protegê-los e impedir mortes de civis, seja por parte das forças americanas e da Otan como pelas mãos do Taleban.

Por exemplo, disse Pelletier, os fuzileiros navais não usaram artilharia ou bombas de aeronaves, em um esforço para mostrar que a operação está mais concentrada em proteger as pessoas do que matar o inimigo.

"O sucesso desta operação dependerá de como será vista pela população, não apenas pela forma como lidarmos com o inimigo", ele disse.

Mas os perigos da missão no Iraque também estão espreitando nas sombras desta operação.

Apesar das forças armadas americanas serem capazes de remover os insurgentes de uma área ou contar até mesmo com soldados suficientes para proteger o território, as tropas estarão expostas a emboscadas e bombas à beira da estrada, enquanto patrulharem as aldeias para proteger a população e fornecer segurança para os esforços de reconstrução. E não se sabe se as agências civis que representam os governos afegão, americano e aliados estão preparadas para assumir o trabalho de estabilização e reconstrução de forma rápida e bem-sucedida.

Ian C. Kelly, o porta-voz do Departamento de Estado, disse em Washington que dois civis -um do Departamento de Estado e um da Agência Americana para o Desenvolvimento Internacional- estavam trabalhando na província de Helmand e que um funcionário de desenvolvimento adicional chegaria neste fim de semana, com mais três previstos para chegar nas próximas semanas.

E, como no Iraque, não se sabe quanto tempo levará até que as próprias forças de segurança afegãs sejam capazes de assumir a missão. A velocidade da operação é crucial no planejamento para o sucesso, disseram os comandantes.

Menos de oito semanas atrás, o secretário de Defesa, Robert Gates, visitou várias centenas de marines que tinham acabado de pousar no Campo Leatherneck, como a vanguarda de mais de 20 mil soldados adicionais que serão enviados ao Afeganistão por Obama, um aumento que elevará a presença americana para cerca de 68 mil soldados.

Na época, muitos dos fuzileiros navais ainda não tinham recebido seu equipamento, e os engenheiros estavam ocupados construindo uma das maiores pistas de pouso e decolagem do Corpo de Marines no mundo, transformando o quente deserto em uma zona de pouso colocando quadrados de aço encaixados como blocos de lego.

"Caso não tivéssemos adicionado recursos a este combate, nós não seríamos capazes de conduzir uma operação desta escala tão rapidamente", disse outro alto oficial militar envolvido na missão.


Reportagem de Thom Shanker, em Washington, e Richard A. Oppel Jr, em Cabul, Afeganistão

Tradução: George El Khouri Andolfato

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