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05/07/2009

Blitz em boate no Texas deixa homem hospitalizado e provoca ira da comunidade gay

The New York Times
Fort Worth, Texas (EUA) - O grande sinal de inauguração ainda está pendurado sobre a porta do Rainbow Lounge, mas a boate recém-inaugurada já se tornou um ponto de encontro para protestos de gays e lésbicas, depois que uma batida da polícia na semana passada deixou um homem hospitalizado com um ferimento na cabeça e desencadeou acusações de brutalidade.

A blitz, realizada nas primeiras horas de 28 de junho por policiais de Fort Worth e agentes da Comissão de Bebidas Alcoólicas do Texas, provocou tensão política e mobilizou os defensores dos direitos homossexuais em Fort Worth, que tradicionalmente não são tão eloquentes quanto em Dallas e Houston. Depois de anos mantendo a tranquilidade, gays e lésbicas de Fort Worth dizem que estão furiosos, e suas queixas se espalharam pela internet, atraindo o apoio de grupos pelos direitos dos homossexuais em todo o país.

Eles organizaram protestos e formaram uma nova organização, a Fairness Fort Worth, para acompanhar as várias investigações sobre o incidente que já começaram ou foram requisitadas. Eles também coletaram doações e organizaram um concerto beneficente para ajudar os feridos.

"Isso fez com que a comunidade ficasse tão próxima - que é quase impermeável agora", disse Randy Norman, gerente da boate. O incidente atraiu ainda mais atenção por causa do momento em que aconteceu, durante o 40º aniversário da violência em Stonewall na cidade de Nova York, considerado amplamente como o começo do movimento pelos direitos dos homossexuais.

As autoridades começaram a investigar as acusações de brutalidade, e oficiais internos do departamento de bebidas alcoólicas do Estado estavam entrevistando funcionários da boate na tarde de sexta-feira, avaliando depoimentos conflitantes sobre o que aconteceu.

O chefe de polícia de Fort Worth, Jeffrey W. Halstead, inicialmente apoiou seus oficiais, dizendo na segunda-feira que os fregueses haviam provocado a briga fazendo gestos sexuais para os policiais.

Mas conforme a semana passou, Halstead recuou. Na quinta-feira, ele suspendeu um inquérito, barrou operações junto à comissão reguladora de bebidas do Estado e prometeu dar aos policiais "treinamento multicultural". Ele recusou-se a conceder uma entrevista.

"Não se engane, se nossos policiais erraram, esse departamento irá lidar com o problema", disse Halstead numa carta aberta para a comunidade publicada no site da cidade na quinta-feira. Halstead disse que os agentes estaduais, e não seus policiais, foram os responsáveis por levar o homem hospitalizado em custódia.

Alan Steen, administrador da Comissão de Bebidas Alcoólicas do Texas, colocou dois oficiais envolvidos na batida para fazer trabalho interno e disse que será feito um inquérito.

Várias testemunhas disseram que seis policiais e dois agentes de controle de bebidas usaram força excessiva enquanto prendiam pessoas durante a batida.

Chad Gibson, um técnico de computadores de 26 anos de Euless, a cerca de 24 quilômetros a nordeste de Fort Worth, sofreu uma concussão, uma fratura no crânio e hemorragia interna depois que policiais bateram sua cabeça contra uma parede e depois no chão, disseram testemunhas e membros da família. Gibson continuava hospitalizado até a noite de sexta-feira enquanto os médicos monitoravam um coágulo de sangue em seu cérebro, disse sua mãe, Karen Carter.

Outro cliente teve costelas quebradas, e um terceiro teve o polegar quebrado, disse Todd Camp, fundador e diretor artístico do Q. Cinema, um festival de filmes gays em Fort Worth. Camp, ex-jornalista, disse que estava comemorando seu 43º aniversário no bar quando a polícia chegou à 1h05.

Os oficiais entraram no bar sem se anunciar, disseram as testemunhas. No começo da noite, eles visitaram outros dois bares em busca de violações às leis quanto às bebidas. Aqueles bares não atendiam a clientes gays, e os oficiais haviam feito nove prisões naqueles estabelecimentos por acusações de intoxicação pública, disseram os oficiais.

"Eles estavam acelerados", disse Camp sobre os oficiais que participaram da batida no Rainbow Lounge. "Eles chegaram nervosos e prontos para uma briga. Eles estavam dizendo para as pessoas que elas estavam bêbadas ou perguntando se estavam bêbadas, e, se elas respondiam, eles as prendiam."

Mais de 20 pessoas foram retiradas do bar para interrogatório, algemadas com lacres plásticos e, em alguns casos, foram forçadas a deitar com o rosto no chão no estacionamento, disseram testemunhas. Cinco foram eventualmente acusadas de estarem bêbadas em público, disse a polícia.

Numa declaração divulgada no domingo, a polícia disse que dois dos presos haviam feito "movimentos sexualmente explícitos" para os oficiais. Outro foi preso depois de agarrar a virilha de um agente estadual, disse a declaração.

Várias testemunhas contestaram esse relato, dizendo que não haviam visto ninguém assediar os oficiais. Tantas questões foram levantadas sobre o relato da polícia na tarde de sexta-feira que o prefeito Mike Moncrief pediu que o promotor nacional do Distrito Norte do Texas, James T. Jacks revisse a investigação do Departamento de Polícia.

Tom Anable, contador de 55 anos que disse que estava no bar durante a batida, disse que por mais de meia hora os oficiais entraram no bar repetidas vezes em grupos de três e escoltaram pessoas para fora. Depois, por volta da 1h40, disse ele, os oficiais começaram a ficar mais brutos, atirando um homem com força contra uma mesa de bilhar.

Minutos depois, um dos agentes estaduais aproximou-se de Gibson, que estava parado sobre os degraus do lounge no fundo bar com uma garrafa de água nas mãos, e cutucou-o no ombro, disse Anable. Gibson virou-se e perguntou: "por quê?"

Então o oficial, que não foi identificado, torceu o braço de Gibson por trás de suas costas, agarrou seu pescoço, o balançou para fora dos degraus e bateu sua cabeça contra a parede do corredor que levava aos
banheiros, disse Anable. O agente então forçou Gibson a ficar no chão,
disse Anable.

"Gibson não tocou no oficial", disse Anable. "Ele não passou a mão nele."

Dois oficiais de polícia e um segundo agente estadual chegaram e ajudaram a dominar Gibson, ajoelhando-se sobre suas costas. Uma funcionária do lounge, Lindsey Thompson, 23, disse que viu um oficial bater a cabeça de Gibson no chão enquanto ele estava de bruços, com as mãos algemadas para trás.

A batida desencadeou uma reação veloz. Horas depois, mais de cem pessoas estavam protestando nos degraus do Tribunal de Tarrant County. Durante a semana, cresceram os pedidos de uma investigação independente, com um senador estadual, um grupo de líderes empresariais locais e duas igrejas juntando-se ao coro.

Ainda assim, alguns moradores gays disseram que o protesto foi forte em parte porque o que aconteceu no Rainbow Longe não é típico dessa cidade de 750 mil habitantes.

"Sei que isso foi terrível para muitas pessoas em Fort Worth porque não é a Fort Worth que conhecemos", disse Joel Burns, membro homossexual do Conselho da Cidade. "As pessoas estão coçando suas cabeças."

Kathleen Hicks, membro do conselho que representa o bairro onde fica o bar, disse que as acusações de brutalidade policial estremeceram a administração da cidade e precisam de uma investigação independente. Ela acrescentou que não ouviu reclamações sobre o bar antes da batida.

"Isso provocou muita autoavaliação na prefeitura e em outros lugares", disse Hicks. "Fort Worth têm sido capaz de viver tranquilamente e evitar todas as tensões e conflitos que você vê em outras cidades, mas às vezes é necessário que haja tensão e conflito. Espero que isso seja um chamado para despertarmos."

(Tradução: Eloise De Vylder)

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