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08/07/2009

Popularização de vídeos na internet passa a afetar a indústria pornográfica também

The New York Times
Matt Richtel
A atriz conhecida como Savanna Samson antes gostava de se preparar para um papel. "Eu mal podia esperar para receber meu próximo roteiro", ela disse.

Mas não há mais motivo para esperar por eles, segundo ela, porque seus filmes agora pedem quase que exclusivamente ação. Especificamente, sexo.

A indústria do cinema pornográfico há muito mantinha um interesse apenas casual em trama e diálogo. Mas atualmente os cineastas estão se concentrando cada vez menos nos arcos narrativos. Em vez disso, eles estão filmando cada vez mais cenas curtas que podem ser carregadas facilmente em sites e vendidas em grupos de vários minutos.

"Na internet, a atenção média é de três a cinco minutos", disse Steven Hirsch, copresidente da Vivid Entertainment. "Nós temos que atender a isso."

A Vivid, um dos mais proeminentes estúdios pornográficos, faz 60 filmes por ano. Há três anos, quase todos eles eram longas-metragens com história. Hoje, mais da metade são séries de cenas de sexo, vagamente ligadas por algo em comum -"vinhetas" no jargão da indústria- para poderem ser apresentas separadamente online. Outros grandes estúdios estão fazendo mudanças semelhantes.

O interesse da indústria em cenas roteirizadas tem aumentado e diminuído nas últimas décadas devido às mudanças na tecnologia. No início dos anos 70, filmes com certa trama, como "Garganta Profunda" e "Atrás da Porta Verde", conquistaram o público geral e outros estúdios tentaram copiar seu sucesso, vendendo filmes centrados em uma trama para casais que assistiam em casa, após a introdução da tecnologia do videocassete em 1975.

O barateamento das câmeras portáteis de vídeo deu origem a uma geração de pornógrafos com pouco interesse em drama, fora a trama clichê envolvendo o garoto entregador de pizza, disse Paul Fishbein, presidente da AVN Media Network, uma publicação da indústria.

Fishbein disse que a trama voltou à moda no final dos anos 90, com o boom do DVD. Os grandes estúdios, ele disse, acharam que as tramas tornariam seus filmes mais atraentes para mulheres e encorajariam os casais a comprarem os filmes - seja em disco ou pelo pay-per-view.

O interesse pela trama estava no auge em 2005 com o lançamento de "Piratas", sobre um grupo ralé de marinheiros que persegue um bando de piratas do mal.

Esse filme, com um orçamento de mais de US$ 1 milhão, tinha efeitos especiais (piratas se materializando da neblina) e, sim, muito sexo. Dois anos depois, o estúdio responsável pelo filme, o Digital Playground, gastou US$ 8 milhões em uma sequência -uma soma notável em uma indústria onde o custo médio de um filme é US$ 25 mil, segundo o diretor dos dois filmes, Ali Joone.

Mas o interesse em DVDs caiu acentuadamente, disse Fishbein, porque a Internet facilitou assistir vídeos breves.

Fishbein estimou que as vendas e aluguéis de DVDs pornográficos nos Estados Unidos geraram US$ 3,62 bilhões em 2006, mas caíram até 50% de lá para cá. Ele notou que a queda deixou algumas empresas relutantes em compartilhar números de vendas, de forma que suas estimativas estão ficando mais pessimistas.

Os grandes estúdios, como Vivid e Digital Playground, recorreram ao modelo de assinatura, cobrando taxas mensais para o acesso a seus sites e anunciando a frequência com que adicionam novos videoclipes.

Joone disse que dentre as 60 produções da Digital Playground neste ano, cerca de 30 têm pouca ou nenhuma trama, em comparação a cerca de 10 há dois anos. Na Wicked Pictures, que produz em média um filme por semana, um terço deles envolve basicamente apenas sexo, duas vezes mais do que há poucos anos, disse o presidente da empresa, Steve Orenstein.

"O longa-metragem não é mais uma parte tão grande da indústria atualmente", disse Orenstein. Mas ele disse que ainda planeja dois ou três lançamentos com maior orçamento a cada ano, incluindo o recém-filmado "2040", que é sobre o ramo pornográfico no futuro. Orenstein descreveu o filme como "uma história quase 'Romeu e Julieta' entre uma estrela pornográfica que está envelhecendo e um ciborgue".

Em vez de trama, há temas. Entre os novos lançamentos do New Sensations, um estúdio que faz 24 filmes por mês, há "Girls 'n Glasses", composto de cenas de mulheres fazendo sexo sem tirar os óculos.

"É quase como se estivéssemos de volta ao final dos anos 70 e início dos 80, quando o filme médio tinha oito minutos e apenas uma cena de sexo", disse Hirsch, soando melancólico.

Algumas pessoas na indústria preferem seu sexo com um pouco mais de desenvolvimento de personagem.

Samson, por exemplo, disse que levava sua atuação a sério e costumava se preparar meticulosamente para seus papéis, como a personagem que interpretou em seu filme de 2006, "Flasher".

Ela disse que interpretou uma psicótica que, devido à forma como sua mãe a tratava, "tinha obsessão por se exibir nua e fazer coisas em público".

"Eu costumava ter um diálogo", disse Samson, cujo nome verdadeiro é Natalie Oliveros e é uma das maiores estrelas da indústria.

"Fazer apenas uma cena de sexo atrás da outra não é tão divertido", acrescentou.

Tradução: George El Khouri Andolfato

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