UOL Notícias Internacional
 

09/07/2009

Perto de tendas e ruínas, inicia-se a reunião do G8

The New York Times
Rachel Donadio e Elisabetta Povoledo
Em L'Aquila (Itália)
Parecia uma escolha audaciosa: trazer os líderes dos países mais industrializados do mundo para uma cidade destruída por um terremoto apenas dois meses antes. Mas como acontece tão frequentemente na Itália, um país que parece lidar com emergências de último minuto melhor do que com o planejamento de longo prazo, a reunião de cúpula do G8 foi inaugurada na quarta-feira sem grandes falhas.

"E eles disseram que não íamos conseguir organizar um encontro de cúpula em 20 dias", disse Luca Spoletini, porta-voz da Agência de Proteção Civil da Itália, responsável por transformar uma escola da Polícia Financeira em um centro com 1.500 delegados internacionais e mais de 3.000 jornalistas.

Foi um trabalho corrido. Apenas duas semanas após o terremoto do dia 6 de abril matar quase 300 pessoas nesta cidade do Centro da Itália, o primeiro-ministro Silvio Berlusconi anunciou que estava mudando o local da reunião de cúpula de La Maddalena, uma ilha na costa da Sardenha, para este lugar. Nas últimas três semanas, mais de 1.000 pessoas trabalharam 24 horas por dia para tornar a região apresentável e completa, inclusive com grama falsa e móveis de vime nos jardins, disse Spoletini.

A Itália, contudo, continua na defensiva. Às vésperas da reunião de cúpula na terça-feira (07/7), Berlusconi fez uma conferência de imprensa de último minuto, em grande parte para responder às alegações da imprensa que a Itália tinha estragado a logística da reunião e cedido o controle da agenda para os EUA.

Berlusconi disse que estava convencido que a reunião seria um sucesso. Disse ainda que era um produto de uma equipe internacional e que os italianos tinham trabalhado "ombro a ombro" com seus colegas. Ele acrescentou que as declarações conjuntas tinham sido "negociadas e compartilhadas pelos outros líderes".

Na quarta-feira, Mike Froman, principal assessor econômico do presidente Barack Obama, disse aos repórteres em L'Aquila: "Acho que a presidência italiana fez um papel maravilhoso preparando este encontro", tanto em termos de instalações quanto da agenda definida "logo cedo e trabalhada metodicamente" pelos italianos.

Froman negou um boato que altos assessores teriam recebido uma ligação de emergência por preocupações em relação à reunião.

Além da agenda pesada -que se concentra na crise econômica, mudança climática e política de Oriente Médio, a Itália espera, ao fazer a conferência do G-8 em L'Aquila, atrair atenção internacional e financiamento para a região onde o terremoto deixou 65.000 pessoas sem teto e aniquilou a economia local.

Dois meses após o terremoto, dezenas de milhares de habitantes de L'Aquila ainda estão morando em tendas. Na quarta-feira, representantes de grupos de cidadãos locais carregaram cartazes gigantescos a um morro que diziam: "Sim, nós acampamos."

"Queríamos que os líderes vissem. Queríamos que eles soubessem que enquanto estão dormindo confortavelmente, ainda estamos em tendas", disse Stefano Frezza do grupo Epicentro Solidale.

De acordo com o site oficial do G8, as delegações estão sendo abrigadas em acomodações "longe de luxuosas", em linha com a decisão de manter uma reunião austera e "mais próxima do desconforto e inconveniente que o povo de Abruzzo está tendo que suportar".

Na manhã de quarta-feira, o primeiro-ministro Silvio Berlusconi mostrou à chanceler Angela Merkel Onna, uma das cidades mais atingidas pelo terremoto, onde as casas ainda estão em ruínas. Cercados por assessores de terno e capacete amarelo, os dois líderes pararam para agradecer aos membros das equipes de resgate e recuperação.

A Alemanha prometeu ajudar a restaurar a cidade, uma escolha feita em parte porque, durante a Segunda Guerra Mundial, soldados nazistas mataram 17 de seus moradores. Merkel disse que queria que sua visita fosse "um gesto positivo para uma cidade que no passado foi atingida pela Alemanha", disse a agência de notícias Ansa.

"Esperamos que Onna se torne um exemplo de práticas de construção sólidas", disse Marzia Masiello, porta-voz dos moradores.

Tradução: Deborah Weinberg

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