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10/07/2009

Americanos soltam iranianos detidos no Iraque

The New York Times
Steven Lee Myers
Em Bagdá (Iraque)
As forças armadas americanas aqui soltaram inesperadamente cinco iranianos na quinta-feira, após mantê-los detidos por dois anos e meio, sob a acusação de terem orquestrado ataques mortais no Iraque. As autoridades iraquianas prometeram entregá-los prontamente à embaixada do Irã em Bagdá, após um encontro deles com o primeiro-ministro Nuri al Maliki em seu gabinete. As forças armadas americanas e um importante assessor do presidente Barack Obama ofereceram poucos detalhes sobre a soltura ou por que agora.

Um porta-voz das forças armadas aqui, o capitão Brad Kimberly, disse em uma declaração que a soltura ocorreu "a pedido do governo do Iraque" e atende ao acordo de segurança entre os Estados Unidos e o Iraque, que exige a transferência gradual de todos os detidos sob custódia americana.

Denis McDonough, um vice-conselheiro de segurança nacional que acompanha Obama em L'Aquila, Itália, para as reuniões do Grupo dos Oito, indicou que a soltura não foi um gesto diplomático em relação ao Irã, com o qual o governo tem buscado dialogar em algumas questões contenciosas, como o programa nuclear do país, até o momento sem sucesso.

"É simplesmente uma decisão baseada naquele acordo", ele disse, se referindo à transferência da custódia dos detidos.

Al Maliki, que tanto cultiva laços com o Irã quanto critica sua interferência nos assuntos iraquianos, claramente buscou explorar a situação diplomaticamente, encontrando-se com os cinco homens de forma privada e perguntando "sobre sua saúde", disse um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Hasan Qashqavi, segundo a rede de televisão estatal iraniana "Al-Alam". Os homens também foram autorizados a telefonar para suas famílias.

Não ficou claro por que o governo de Al Maliki optou por pedir a soltura deles agora; isso podia ter sido feito a qualquer momento desde janeiro, segundo os termos do acordo de segurança. Até mesmo altos funcionários iraquianos pareciam saber pouco a respeito da soltura.

Os iranianos, acusados pelos americanos de serem agentes da Força Quds da Guarda Revolucionária do Irã, são motivo de disputa entre os Estados Unidos, Irã e Iraque desde que foram detidos em uma batida na madrugada a um escritório iraniano na cidade curda de Erbil, no norte, em janeiro de 2007. O Irã protestou fortemente que os homens eram diplomatas -três de um consulado em Erbil e dois da embaixada em Bagdá- e deveriam estar protegidos pela imunidade diplomática.

Os americanos e algumas autoridades iraquianas argumentaram desde então que eles não tinham credenciais diplomáticas apropriadas e que o prédio que sofreu a batida das forças americanas ainda não tinha se tornado oficialmente um consulado e, consequentemente, um território iraniano soberano. As forças armadas americanas soltaram outros iranianos com passaportes diplomáticos que detiveram em outras ocasiões.

"Para começar, o Irã condena este ataque flagrante contra seus diplomatas no Iraque", disse o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Qasqavi, em seus comentários na quinta-feira. "Isso vai contra todas as leis e convenções internacionais."

Não ficou claro quando os iranianos voltariam para casa. Após passarem a tarde no gabinete de Al Maliki, eles entraram na embaixada do Irã em Bagdá, na noite de quinta-feira.

As forças armadas americanas nunca detalharam suas evidências contra os homens, de forma que a extensão de seu envolvimento na violência no Iraque, se é que há, poderá nunca ser conhecida.

Altos oficiais militares e altos funcionários diplomáticos americanos daqui, entretanto, continuam acusando o Irã -ou pelo menos parte de suas forças de segurança e serviços secretos- de apoiar os grupos insurgentes com treinamento, dinheiro e armas.

Eles culpam o Irã em particular pelos foguetes que ainda são periodicamente disparados contra as bases americanas e contra a embaixada americana por grupos xiitas ligados ao Irã.

Em uma coletiva de imprensa em 30 de junho, o comandante americano aqui, o general Raymond T. Odierno, acusou duramente e sem rodeios o Irã.

"O Irã ainda apoia, financia e treina agentes que operam dentro do Iraque -de forma direta", ele disse. "Eles não pararam. E não acho que vão parar. Eu acho que continuarão a fazer isso porque também estão preocupados, na minha opinião, com a direção que o Iraque está seguindo. Eles querem ter uma maior influência aqui e continuarão fazendo isso. Eu acho que muitos dos ataques em Bagdá foram realizados por indivíduos que foram, de fato, financiados ou treinados pelos iranianos."

Tradução: George El Khouri Andolfato

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