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15/07/2009

Medo de terremoto interrompe projeto de aproveitamento de energia geotérmica nos EUA

The New York Times
Por James Glanz
Dois órgãos federais estão impedindo que um polêmico projeto na Califórnia frature o leito rochoso a quilômetros de profundidade da superfície para extrair energia geotérmica, até que um estudo científico determine se o projeto pode ou não desencadear perigosos terremotos, disseram assessores de imprensa dos departamentos de Energia e Interior dos EUA na segunda-feira.

O projeto da AltaRock Energy, uma companhia emergente com escritórios em Seattle e Sausalito, Califórnia, ganhou uma concessão de US$ 6,25 milhões do Departamento de Energia, e autoridades do Departamento de Interior indicaram que também poderiam dar permissão legal para que a companhia fraturasse o leito rochoso em território federal numa das regiões mais sismicamente ativas do mundo, o norte da Califórnia.

Mas quando contatados no mês passado pelo The New York Times para uma matéria sobre o projeto, vários funcionários federais informaram que a AltaRock não havia revelado que um projeto similar em Basel, Suíça, foi suspenso depois de provocar terremotos que sacudiram a cidade em 2006 e 2007. Funcionários da AltaRock negaram a acusação, dizendo que haviam sido francos em relação aos resultados do projeto em Basel.

Em declarações divulgadas na segunda-feira em resposta às perguntas do The Times, a assessora de imprensa das agências federais disse que o novo estudo se concentrará especificamente nas lições que a experiência em Basel acarretavam para o projeto da AltaRock, numa área sismicamente ativa conhecida como Gêiseres. O ato de fraturar o leito de rocha é algumas vezes chamado de estimulação pelos especialistas em energia geotérmica.

"Nenhuma atividade de estimulação será financiada pelo departamento até que tenhamos concluído essas análises comparativas adicionais", disse Stephanie Mueller, assessora de imprensa do Departamento de Energia.

Jan Bedrosian, assessora de imprensa da Unidade de Gerenciamento de Solos do Departamento de Interior, disse que nenhuma permissão legal para fratura no local de perfuração será concedida até que o Departamento de Energia conclua o estudo.

O novo estudo do Departamento de Energia e sua decisão de suspender o financiamento foram divulgados pela primeira vez na segunda-feira pelo jornal The Sacramento Bee.

Um funcionário sênior da AltaRock, James T. Turner, disse que a companhia havia fornecido informações adicionais para o Departamento de Energia.

Turner disse: "Baseado em nossa agenda atual, não achamos que o processo do Departamento de Energia terá algum impacto em nosso trabalho ou cronograma."

Jeff Gospe, presidente de uma organização comunitária em Anderson Springs, Califórnia, uma pequena cidade a pouco mais de três quilômetros do projeto da AltaRock, disse que a cidade está contente com a investigação federal.

"A comunidade ficará aliviada, porque, francamente, essa coisa foi apressada desde o começo, e nós gostaríamos de ver um estudo mais amplo sobre isso para ter certeza de que as coisas serão feitas com segurança", disse Gospe.

"Estamos obviamente contentes que o Departamento de Energia esteja levando em conta todos os interessados nesse projeto e não apenas a indústria geotérmica", acrescentou.

A área em torno dos Gêiseres já é sacudida por vários pequenos terremotos desencadeados por uma extensa operação geotérmica que perfura bolsões de vapor relativamente menos profundos e extrai seu calor para produzir eletricidade.

A AltaRock planeja perfurar mais fundo e pela primeira vez fraturar o leito de rocha quente que fica mais abaixo, e então circular água pelas rachaduras, gerando mais vapor. A companhia sustenta que o processo será seguro e que suas precauções são mais amplas do que as que foram consideradas no projeto de Basel.

A decisão de estudar os dois projetos comparativamente parece indicar que os funcionários federais não estavam satisfeitos com essas garantias.

A AltaRock também atraiu um grande número de investimentos privados para seus projetos energéticos. Companhias incluindo a Kleiner Perkins Caufield & Byers e um braço do Google investiram cerca de US$ 30 milhões na empresa.

Tradução: Eloise De Vylder

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