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16/07/2009

Austrália age com cautela para tentar libertar executivos detidos na China

The New York Times
Por Meraiah Foley
Em Sydney
O governo do primeiro-ministro australiano, Kevin Rudd, tem caminhado na corda-bamba desde a detenção, na semana passada, do executivo da mineração australiano que é acusado e roubar segredos de Estado.

Saiba mais sobre o incidente com mineradora Rio Tinto

A prisão realizada há uma semana do executivo da mineradora anglo-australiana Rio Tinto, o cidadão australiano Stern Hu, e três dos seus subordinados chineses levantou uma sombra sobre as relações entre China e Austrália, e estressou a indústria do aço.

Rio Tinto, a segunda maior produtora de minério de ferro do mundo, estava em negociações tensas com a China quando Hu e seus colaboradores foram detidos em Xangai, acusados de roubar segredos de estado e subornar chineses para obter informações.

As leis chinesas permitem que pessoas sejam detidas sem uma acusação formal e interrogadas sem ter acesso a um aconselhamento jurídico, antes de serem formalmente presas

Rudd, que já atuou como diplomata na China e fala mandarim fluentemente, tem se mostrado cauteloso em assumir uma posição muito dura com a China, maior parceiro comercial da Austrália. E alguns analistas que conhecem a China dizem que uma abordagem mais branda talvez seja a melhor forma de conseguir uma maior cooperação de Beijing no caso.

Mas como o governo chinês continua oferecendo poucas informações diretas sobre o caso para os australianos, os oponentes conservadores de Rudd começaram a aumentar suas críticas, dizendo que o governo não está fazendo o suficiente em defesa do executivo, Stern Hu. As críticas se baseiam em reclamações antigas de que Russ é conivente com a China de maneira ingênua.

Hu estava supervisionando negociações delicadas quanto ao preço do minério de ferro para a gigante mineradora anglo-australiana Rio Tinto quando foi detido, há mais de uma semana. Três outros funcionários da Rio Tinto, todos cidadãos chineses, também foram detidos.

Apesar de o governo chinês não ter oferecido provas das acusações contra os quatro funcionários, um site de notícias controlado pelo governo disse que os investigadores têm provas de que os funcionários da Rio subornaram executivos do aço para ganhar acesso a documentos confidenciais do governo. Essa informação poderia ter ajudado a Rio em suas negociações com as companhias de aço.

Na terça-feira, autoridades australianas defenderam a forma como estão negociando com a China a detenção de Hu, apesar de continuarem reclamando publicamente da falta de vontade de Beijing de compartilhar informações sobre o caso.

O governo australiano disse que não recebeu nenhum relatório formal das acusações, apesar dos vários encontros entre enviados em ambos os países. Em vez disso, autoridades australianas disseram que foram obrigadas a confiar nos jornais e nos sites do governo chinês para saber detalhes.

Rudd, que costuma falar à imprensa com frequência, saiu de férias e deixou a maior parte das conversas para seus assistentes, apesar de ter dito que a Austrália tomará uma iniciativa passo a passo para lidar com a China. Na terça-feira, ele disse à Australian Broadcasting Corporation que levará a questão "a qualquer nível do governo chinês que seja necessário".

Na terça-feira, o ministro de exterior Stephen Smith disse à ABC que ele havia "deixado muito claro, assim como nossos funcionários, que eu preferiria que essa informação nos fosse dada através dos canais diplomáticos normais". Mas ele também disse que o governo continuará a acompanhar o caso "de uma forma metódica, sensível e racional" que é "proporcional nas circunstâncias."

Na ausência de detalhes concretos sobre as acusações contra os funcionários da Rio Tinto, especula-se que as detenções foram retaliações pelo cancelamento por parte da Rio Tinto, no mês passado, de um investimento da Chinalco, uma companhia estatal chinesa. O acordo, que teria efetivamente expandido a participação da Chinalco na Rio de 9,3% para mais de 18%, atraiu uma dura oposição política na Austrália, onde a riqueza mineral é importante para a economia e onde alguns começaram a temer o poder da China na região.

"O fato de que os chineses prenderam Hu sob alegações de espionagem, e não de roubo corporativo ou qualquer outra coisa, diz muito sobre a intenção deles de criar um incidente diplomático com isso", disse John Lee, especialista em política exterior chinesa no Centro para Estudos Independentes, uma organização política em Sydney.

Ele e outro analista, Brendan Taylor, especialista em China na Escola de Pesquisa e Estudos da Ásia e Pacífico na Universidade Nacional Australiana, disse que a abordagem contida do governo australiano é a melhor aposta do país para fazer progresso no caso.

"Acho que Rudd está lidando com o caso de forma apropriada nessa conjuntura, ao assumir uma abordagem mais indireta, tentando não politizar o assunto", disse Taylor. "Isso pode se tornar problemático da perspectiva das relações entre os dois países se Rudd se sentir compelido a responder por causa da pressão política interna."

Tradução: Eloise De Vylder

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