UOL Notícias Internacional
 

18/07/2009

Obama faz discurso ardente para negros dos Estados Unidos

The New York Times
Sheryl Gay Stolberg
O presidente Barack Obama dirigiu um discurso ardente à população negra dos Estados Unidos na noite da última quinta-feira, alertando os pais negros para a necessidade de aceitarem as suas responsabilidades, "guardando o videogame Xbox e colocando as crianças na cama em um horário razoável" e dizendo às crianças negras que o fato de crescerem pobres não é motivo para tirarem notas baixas na escola.

  • Ozier Muhammad/The New York Times

    Presidente dos EUA, Barack Obama, se dirige à NAACP em Nova York, em 16 de julho


"Ninguém escreveu o seu destino para você", disse ele, dirigindo as suas observação a "todos os outros Baracks Obamas que estão por aí", e que um dia poderão crescer para tornarem-se presidentes. "O destino de vocês está em suas mãos, e não se esqueçam disso. É isso o que temos que ensinar a todos os nossos filhos! Nada de desculpas! Nada de desculpas!".

Obama falou durante 45 minutos para uma plateia de vários milhares de pessoas, em sua maioria homens e mulheres negros, usando smokings e vestidos de gala, que reuniram-se no salão de bailes do New York Hilton para comemorarem o 100º aniversário da Associação Nacional para o Progresso das Pessoas de Cor (NAACP,na sigla em inglês), a maior organização de direitos civis dos Estados Unidos.

Ele foi meio político e meio pregador negro ao falar em cadências rítmicas, com a voz às vezes baixa e outras vezes trovejante, de uma maneira pessoal incomum. Em determinado momento, quando a plateia respondeu a ele, repetindo aos gritos as suas palavras, Obama balançou a cabeça e riu, dizendo, "Tenho uma turma do amém lá atrás".

Obama falou diretamente sobre a forma como foi criado, atribuindo à sua mãe (que era branca) a sua criação correta, e desviando-se do seu texto previamente preparado para falar sobre como a sua vida poderia ter tomado um outro rumo caso a mãe não tivesse procedido daquela maneira. "Quando eu dirijo pelo Harlem e pela Zona Sul de Chicago e vejo homens jovens nas esquinas, digo para mim mesmo que só não tive esse destino pela graça de Deus".

Foi um momento incomum para um presidente que procurou transcender a questão da raça e que só relutantemente abraçou o seu lugar único na história. Há seis meses na presidência, Obama parece sentir-se mais confortável no exterior do que no seu país em assumir a sua identidade de primeiro presidente negro norte-americano, conforme ocorreu durante a sua viagem a Gana, na semana passada, quando declarou: "Tenho o sangue da África dentro de mim".

No próprio país, entretanto, Obama geralmente evita falar sobre si mesmo sob a ótica racial. Como candidato, ele abordou a questão das relações raciais quando a sua campanha foi ameaçada pelas polêmicas declarações do seu ex-pastor, o reverendo Jeremiah Wright. Naquela ocasião, ele fez um discurso oportuno aos pais negros no Dia dos Pais de 2008.

Mas a Casa Branca não se empenhou muito nos preparativos para o evento da NAACP. Quando um jornalista tentou caracterizar o discurso como o primeiro dirigido por Obama à comunidade negra, o secretário de Imprensa, Robert Gibbs, desconversou, dizendo: "Creio que o primeiro discurso para o Estados Unidos negro, o Estados Unidos branco e para o Estados Unidos em geral foi o discurso de posse".

Mas não houve dúvida na noite da quinta-feira feira quanto ao fato de Obama estar falando diretamente ao Estados Unidos negro. A fala do presidente foi, em parte, um discurso sobre políticas de governo.

Obama disse à plateia o que esta desejava ouvir a respeito da questão da moradia, do sistema de justiça penal, da educação, do sistema de saúde e dos empregos - todos estes tópicos centrais da agenda da NAACP.

Mesmo quanto rogava aos negros que assumissem a responsabilidade por si próprios, ele falou dos males sociais - o desemprego elevado, e a crise da habitação e de energia - que criaram as condições para o desemprego dos negros. E ele afirmou que o legado da era Jim Crow ainda é sentido, embora de forma diferente nos dias de hoje.

"Não se enganem: a dor da discriminação ainda é sentida nos Estados Unidos", afirmou Obama. "Pelas mulheres negras que recebem menos pelo mesmo trabalho feito pelos homens brancos, pelos latinos que sentem-se indesejados, pelos muçulmanos norte-americanos que são vistos com suspeita e pelos nossos irmãos e irmãs gays, que ainda são assediados, atacados e têm os seus direitos negados".

Obama prestou especial atenção na educação, declarando que mais de 50 anos após o caso pioneiro no âmbito da Suprema Corte sobre a segregação, o chamado Brown v. Board of Education, "o sonho de uma educação de nível internacional está sendo negado por todo o país", já que os estudantes negros norte-americanos ficam atrás dos seus colegas de classe brancos em leitura e matemática.

O presidente da organização, Benjamin T. Jealous, disse depois que este foi o discurso de Obama "que abordou mais diretamente a questão das disparidades raciais que ainda afligem o nosso país" desde que o presidente mudou-se para a Casa Branca.

Mas, além de um discurso sobre políticas de governo, a fala de Obama foi também pessoal. Detalhes sobre o discurso foram mantidos em sigilo, em parte porque Obama ainda estava trabalhando nele durante a tarde.

Os assessores disseram que ele pretendia abordar a questão da responsabilidade pessoal - um tema frequente na sua presidência - no contexto do movimento dos direitos civis e como este modelou a sua própria vida. Mas Obama queria também mandar uma mensagem aos pais negros, e especialmente às crianças negras.

"Elas podem achar que tem um passo bonito ou um balanço muito bom", disse Obama. "Mas os nossos filhos não podem, todos eles, aspirar ser LeBron ou Lil Wayne. Quero que eles desejem ser cientistas e engenheiros, médicos e professores, e não apenas dançarinos e rappers. Quero que eles aspirem ser ministro da Suprema Corte. Quero que eles aspirem ser presidente dos Estados Unidos da América".

Tradução: UOL

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