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19/07/2009

Lucro do Google aumenta 18% com estabilização da publicidade

The New York Times
Miguel Helft
Em São Francisco (EUA)
Depois de meses de quedas bruscas, os resultados financeiros do Google no segundo trimestre sugerem que o mercado de publicidade online parece estar se estabilizando. É provável que ninguém que examine com cuidado os ganhos do Google em busca de sinais de que a publicidade ou a economia como um todo estão se recuperando fique desapontado.

O Google disse na quinta-feira que seu lucro líquido aumentou 18% no segundo trimestre, enquanto o faturamento aumentou modestos 3%, a menor taxa de crescimento nos dez anos de história da companhia.

"Há um trimestre, não tínhamos ideia de até onde isso podia ir", disse Eric E. Schmidt, presidente executivo, durante uma teleconferência com investidores. "No momento não estamos vendo a espiral negativa que achamos que veríamos há seis meses."

Schmidt disse que os negócios do Google pareciam ter se estabilizado e os anunciantes de setores como o varejo, o turismo e o automotivo estavam "voltando". Ele salientou que o setor financeiro ainda está em recessão.

Pela primeira vez, executivos do Google disseram que o crescimento na publicidade do YouTube mostra que o site de compartilhamento de vídeos está no caminho para se tornar rentável. Mas eles não deram detalhes em relação a quando o YouTube atingirá esse marco.

Numa entrevista, Schmidt disse que alguns dos produtos de publicidade do YouTube mostram um "aumento significativo no faturamento" e estamos indo melhor do que o esperado.

"Se isso continuar, eventualmente podemos ter um negócio lucrativo", disse ele. "Esta é a primeira vez que eu vi uma melhora real, uma melhora que eu acho que é possível sustentar."

O faturamento do Google estava alinhado com as projeções dos analistas, mas seu lucro ultrapassou as previsões. Ainda assim, os investidores não pareceram impressionados e fizeram com que as ações da companhia caíssem 3% nas negociações fora do pregão. Nos últimos dias, entretanto, as ações do Google subiram drasticamente e alguns analistas atribuem a venda a investidores que tentaram assegurar seus lucros.

"Considerando o ambiente econômico, este foi um trimestre sólido", disse Youssef Squali, analista da Jefferies and Company.

O rendimento líquido do Google subiu de US$ 1,25 bilhão (R$ 2,41 bi), ou US$ 3,92 por ação (R$ 7,55), há um ano atrás, para US$ 1,48 bilhões (R$ 2,85 bi), ou US$ 4,66 por ação (R$ 8,98). Excluindo o custo das stock options, o lucro do Google no segundo trimestre foi de US$ 5,36 (R$ 10,33) por ação, excedendo os US$ 5,09 (R$ 9,81) por ação que os analistas de Wall Street esperavam.

O faturamento do Google subiu de US$ 5,37 bilhões (R$ 10,35 bi) no ano passado para US$ 5,52 bilhões (R$ 10,64 bi). O faturamento líquido, que exclui comissões pagas a parceiros publicitários, foi de US$ 4,07 bilhões (R$ 7,84 bi), acima dos US$ 3,9 bilhões (R$ 7,51 bi) no começo do ano.

Investidores de tecnologia, mais otimistas esta semana por conta dos resultados financeiros melhores do que o esperado da fabricante de chips Intel, estão em busca de mais sinais de que a recessão está cedendo e de que uma recuperação pode estar próxima. Os resultados do Google simplesmente parecem mostrar que os gastos com publicidade nas buscas, que estão intimamente relacionados aos gastos no varejo online, haviam chegado ao seu nível mais baixo.

"Os gastos com publicidade se estabilizaram, mas não estamos ainda vendo uma recuperação", disse Ross Sandler, um analista da RBC Capital. Sandler disse que, excluindo as flutuações nas moedas e outros itens, o crescimento do Google no segundo trimestre teria sido praticamente o mesmo dos primeiros três meses do ano. "Minha aposta é que este seja o nível mais baixo em termos de taxa de crescimento", disse ele.

O Google obtêm quase todo o seu faturamento a partir de anúncios de texto que aparecem próximos dos resultados de busca na Internet e em milhares de sites parceiros, então suas fortunas não indicam necessariamente a saúde do mercado de publicidade como um todo, que se inclina para a exibição e outras formas de anúncio de marcas. Mas os resultados do Google são normalmente uma indicação do nível dos gastos online em áreas críticas da economia, como o varejo, o setor automotivo e de turismo, que foram atingidos durante a recessão.

Apesar de o crescimento do Google ter desacelerado durante a recessão, a companhia continuou a ultrapassar rivais como o Yahoo, Microsoft e AOL, que sofreram quedas de faturamento. E o Google tem um desempenho significativamente melhor do que o mercado de publicidade em geral.

O Google conseguiu manter os investidores razoavelmente felizes durante a recessão através de uma série de grandes movimentos de corte de custos que incluíram um pequeno número de demissões, uma queda brusca nas contratações e o corte de despesas corporativas e de gastos de capital. No segundo trimestre, sua força de trabalho caiu pelo segundo trimestre consecutivo. A companhia terminou o trimestre com
19.786 funcionários, cerca de 380 a menos do que nos três meses anteriores.

Durante o trimestre, a Microsoft divulgou um novo mecanismo de busca, Bing, que recebeu críticas favoráveis. Schmidt recusou-se a comentar a qualidade do serviço rival, mas disse que o Bing ainda tinha que alterar as dinâmicas de seu sistema de busca.

"Até agora, ele não teve nenhum impacto que eu tenha notado, mas é cedo", disse ele.

Tradução: Eloise De Vylder

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