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19/07/2009

Problemas de saúde mental afligem veteranos de guerra

The New York Times
James Dao
Um novo estudo descobriu que mais de um terço dos veteranos das guerras do Iraque e Afeganistão que se inscreveram no sistema de saúde dos veteranos desde 2001 foram diagnosticados com problemas de saúde mental, mais frequentemente estresse pós-traumático ou depressão.

O estudo feito por pesquisadores do Centro Médico do Departamento para Assuntos dos Veteranos e da Universidade da Califórnia, San Francisco, também descobriu que o número de veteranos com problemas de saúde mental cresceu de forma uniforme à medida que eles passavam mais tempo fora de serviço.

  • Kevin Moloney/The New York Times

    Soldado com estresse pós-traumático por servir no Iraque olha seu arquivo médico em uma cafeteria

O estudo, divulgado na quinta-feira, foi baseado nos registros do departamento de saúde de 189.328 veteranos envolvidos nas duas guerras e que usaram o sistema de saúde dos veteranos pela primeira vez entre 1º de abril de 2002 a 1º de abril de 2008.

Os pesquisadores descobriram que 37% dessas pessoas foram diagnosticadas com problemas de saúde mental. Entre esses, 22% foi diagnosticado com transtorno do estresse pós-traumático, ou TEPT, 17% com depressão e 7% com abuso de álcool. Um terço das pessoas com diagnóstico de saúde mental apresentavam três ou mais problemas, descobriu o estudo.

O aumento dos diagnósticos acelerou depois da invasão do Iraque em 2003, descobriram os pesquisadores. Entre o grupo de veteranos que se inscreveram no serviço de saúde dos veteranos durante os primeiros três meses de 2004, 14,6% foram diagnosticados com problemas de saúde mental depois de um ano. Mas quatro anos depois, o número havia quase que dobrado, para 27,5%.

A principal autora do estudo, Dr. Karen H. Seal, atribuiu o aumento do número de diagnósticos a vários fatores: convocações repetidas; a natureza perigosa e confusa da guerra no Iraque e Afeganistão, onde não há frentes de batalha definidas; a crescente conscientização da população em relação ao TEPT; o apoio hesitante do público para as guerras; e o moral baixo dos soldados.

Seal disse que o estudo também salientou que pode levar anos para que o TEPT se desenvolva. "Quanto mais tempo podemos trabalhar com os veteranos dentro do sistema, mais provável é que haja um aumento do número de diagnósticos", disse Seal, que é codiretora da clínica de saúde mental para veteranos de guerra do Iraque e Afeganistão no centro médico de veteranos de San Francisco.

O novo relatório contribui para um crescente corpo de pesquisa que mostra que os conflitos prolongados, em que muitos soldados passam por convocações longas e repetidas, estão cobrando um preço psicológico cumulativo.

Uma pesquisa por telefone feita pela Rand Corporation no ano passado com 1.965 pessoas que foram enviadas para o Iraque ou o Afeganistão descobriu que 14% apresentaram TEPT e 14% para a depressão maior.
Essas taxas são consideravelmente mais altas do que para o público em geral.

"O estudo esclarece o quão estressados estão os nossos soldados e suas famílias depois de anos de guerra e seguidas convocações", disse Rene A. Campos, vice-diretora de relações governamentais da Associação de Oficiais Militares dos Estados Unidos. "Nossos soldados e famílias precisam de mais tempo em casa - mais tempo para permanecer, menos convocações e com menos frequência."

O estudo foi publicado na quinta-feira no site do The American Journal of Public Health.

Seal alertou que, diferente do estudo Rand, os resultados de sua pesquisa não podem ser extrapolados para os quase 1,6 milhão de veteranos que serviram no Iraque ou Afeganistão, porque cerca de 60% deles não estavam recebendo cuidados médicos através do sistema de saúde dos veteranos.

Mas ela notou que o número de veteranos de guerra do Iraque e Afeganistão que receberam cuidados através do sistema de veteranos atingiu uma alta histórica, 40%, o que pode tornar os resultados do estudo mais universais.

O estudo também descobriu que os veteranos maiores de 40 anos da Guarda Nacional ou da Reserva tinham mais chances de desenvolver o TEPT e transfornos de abuso de substâncias do que os menores de 25.
Uma razão possível, disse Seal, é que os reservistas mais velhos vão para a guerra deixando para trás vidas civis estabelecidas, com famílias e empregos em tempo integral, o que dificulta ainda mais a absorção do trauma do combate.

"É a disparidade entre suas vidas em casa, nas quais eles estão estabelecidos, e o fato de, subitamente, sem muito treinamento, serem jogado nessa situação", diz ela.

Por outro lado, o estudo descobriu que entre os soldados em atividade, os veteranos abaixo de 25 anos têm mais probabilidade de desenvolver o TEPS e problemas de abuso de substâncias do que os acima de 40 anos, possivelmente porque os soldados mais jovens têm mais chances de se envolver na linha de frente do combate, disse Seal.

Tradução: Eloise De Vylder

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