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22/07/2009

Hillary Clinton diz que Coreia do Norte ajuda a armar Mianmar

The New York Times
Mark Landler
Bancoc
A secretária de Estado Hillary Rodham Clinton, que chegou em Bangoc para uma reunião das nações do sudeste asiático, manifestou na terça-feira (21) preocupação com as notícias de que existiria uma cooperação militar crescente entre a Coreia do Norte e Mianmar, algo que, segundo ela, poderia desestabilizar a região.

Declarando que encara as notícias de tal cooperação "com muita seriedade", Hillary Clinton afirmou que as relações militares ampliadas entre os dois países "representariam uma ameaça direta" aos vizinhos de Mianmar. Ela afirmou que a Tailândia, o país anfitrião da reunião sobre segurança regional, é vulnerável à ditadura isolada e fortemente armada de Mianmar.

As suspeitas quanto ao relacionamento da Coreia do Norte com Mianmar aprofundaram-se recentemente quando um navio de cargas norte-coreano pareceu dirigir-se ao território birmanês. Autoridades norte-americanas, acreditando que o navio pudesse estar transportando armas ou outras cargas ilícitas, acompanharam a embarcação até que esta mudasse de curso.

A Coreia do Norte já é suspeita de fornecer armas e munições de pequeno calibre a Mianmar, mas alguns analistas de inteligência alegam que os norte-coreanos estão também ajudando Mianmar a desenvolver um programa de armas nucleares. Eles citam como possíveis indicações disto novas fotos daquilo que certos analistas dizem ser uma rede de túneis enormes próxima a Naypyidaw, a capital mianmarense que fica na floresta, e que foi construída com a ajuda de engenheiros norte-coreanos.

Hillary Clinton não disse se o governo Obama suspeita da existência de uma cooperação nuclear entre os dois países. Mas uma outra autoridade graduada do governo disse que os Estados Unidos não descartaram tal possibilidade. "A Coreia do Norte tem uma história de proliferação de armamentos", afirmou o oficial, que pediu anonimato porque apenas Hillary Clinton está autorizada a manifestar-se publicamente antes da conferência.

Mesmo sem tais vínculos, Mianmar e a Coreia do Norte provavelmente dominarão as discussões no encontro da Associação das Nações do Sudeste da Ásia, ou ASEAN, que começa nesta quarta-feira na ilha de Phuket.
Hillary Clinton pretende reunir-se com ministros das Relações Exteriores de diversos países a fim de incrementar o apoio à última resolução da Organização das Nações Unidas (ONU) contra a Coreia do Norte, adotada após os testes nucleares e de mísseis conduzidos por aquele país.

Embora os Estados Unidos estejam enfatizando a implementação das sanções previstas naquela resolução, Washington começou a discutir possíveis incentivos que os outros países poderiam oferecer à Coreia do Norte, caso o governo norte-coreano renunciasse às suas ambições nucleares e retornasse à mesa de negociações.

As autoridades recusaram-se a dizer que propostas poderiam ser apresentadas em tais negociações, embora tenham afirmado que seria uma mistura de elementos conhecidos e novos. Em ocasiões anteriores, os Estados Unidos e outros países ofereceram remessas de combustível à Coreia do Norte.

"Existe obviamente uma lista de incentivos e ofertas que poderiam ser feitas se os norte-coreanos manifestassem disposição a seguir uma rota diferente", disse Hillary Clinton em uma coletiva à imprensa aqui, após ter chegado de Nova Déli. "Mas até este momento, não há nenhuma indicação disso".

Segundo autoridades norte-americanas, a decisão do governo de enfatizar as possibilidades de incentivos fará com que seja mais fácil persuadir países como a China, que anteriormente resistiu à aplicação de sanções contra a Coreia do Norte, a concordarem em colocar em vigor medida mais duras que estão previstas na resolução da ONU.

A Coreia do Norte deverá enviar um delegado à conferência da ASEAN, mas Hillary Clinton não pretende reunir-se com esse delegado. Autoridades dos Estados Unidos disseram que sempre haverá a possibilidade de um encontro inesperado entre um diplomata norte-coreano e um dos assessores de Hillary Clinton à margem da reunião oficial.

Hillary Clinton também não pretende reunir-se com nenhum representante de Mianmar, país anteriormente conhecido como Burma.

Na terça-feira, ela falou de uma forma incomumente detalhada ao discutir o histórico daquele país na área de direitos humanos e a forma como as autoridades birmanesas estão tratando Aung San Suu Kyi, a líder pró-democracia. Suu Kyi está sendo julgada, sendo acusada de ter violado os termos da sua prisão domiciliar ao abrigar um norte-americano que atravessou um lago a nado até a casa dela, em maio último."Estamos profundamente preocupados com os relatos de constantes abusos dos direitos humanos em Burma", disse ela. "E especialmente com ações que têm sido atribuídas às forças armadas birmanesas relativas aos maus tratos e aos abusos de mulheres jovens".

O governo Obama está reavaliando a política dos Estados Unidos em relação a Mianmar desde fevereiro deste ano, quando Hillary Clinton declarou que as sanções existentes contra o governo militar não surtiram efeito.

Mas, segundo autoridades norte-americanas, os Estados Unidos não anunciaram nenhuma política nova nesta reunião, principalmentee porque os atrasos seguidos do julgamento de Suu Kyi fizeram com que o governo encontrasse dificuldades para elaborar uma resposta. Hillary Clinton repetiu a sua exigência de que Suu Kyi seja tratada com justiça, e repeliu as acusações contra ela como sendo "sem fundamento e totalmente inaceitáveis".

"A nossa posição é que estamos dispostos a ter uma parceria mais produtiva com Burma caso eles tomem medidas que sejam auto-evidentes", disse a secretária de Estado.

Ela pediu ao governo birmanês que liberte prisioneiros políticos e que "acabe com a violência" contra o seu próprio povo, incluindo as minorias étnicas. Nas últimas semanas, as forças armadas lançaram uma feroz ofensiva contra a minoria karen, provocando uma fuga de refugiados que cruzaram a fronteira com a Tailândia.

Autoridades chinesas e norte-americanas vêm pressionando Mianmar a aderir às medidas anti-proliferação nas sanções contra a Coreia do Norte, algo que o país prometeu fazer. Analistas afirmam que existem indicações, na viagem abortada do cargueiro norte-coreano, de que os líderes entenderam a mensagem.

No entanto, na ausência de uma nova política norte-americana a ser anunciada, é improvável que os Estados Unidos e as nações asiáticas façam muito progresso no sentido de colocar na linha os generais que governam Mianmar.

Ao lado de Hillary Clinton, Korbsak Sabhavasu, um dos vice-primeiro-ministros tailandeses, afirmou: "Creio que nós basicamente temos quase as mesma opiniões e ideias sobre como resolver esse problema".

Tradução: UOL

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