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23/07/2009

Harry Potter é o Peter Pan da geração que está terminando a faculdade

The New York Times
David Browne
Como sem dúvida notou qualquer pessoa que tenha assistido a "Harry Potter e o Enigma do Príncipe" (" Harry Potter and theHalf-Blood Prince", Inglaterra/EUA, 2009), os principais personagens do filme cresceram. E a plateia também: muitos dos que estão se dirigindo ao cinema têm mais de 20 anos de idade.

O sexto filme da série foi lançado quase doze anos após o livro que deu início à série: " Harry Potter and the Sorcerer's Stone" ("Harry Potter e a Pedra Filosofal").

Os membros da geração que criou a "pottermania" como leitores pré-adolescentes estão se aproximando da formatura na faculdade ou ingressando no mercado de trabalho, e eles têm mantido acesa essa chama da sua adolescência.
Bandas de indie rock surgiram, inspiradas pela obsessão desses indivíduos, sendo batizadas com nomes como Harry and the Potters, os Half Bloods, e Voldie and the Wiz Kidz, e tocando músicas inspiradas pela saga de Potter.

No outono passado, equipes de Princeton, Vassar, Universidade de Boston e dezenas de outras faculdades competiram na Copa do Mundo de Quidditch (quadribol), na qual os alunos jogam uma versão real do esporte semelhante ao futebol que é descrito nos livros e filmes da série Harry Potter (eles não podem voar, mas mesmo assim competem montados em vassouras).

O surgimento constante de coisas vinculadas a Potter são uma demonstração do sucesso duradouro dessa franquia. Mas isso parece ser também algo mais: o surgimento da nostalgia da Geração Y (também chamada de Gen Y).

"Eu associo 'Harry Potter' à minha infância", diz Becca Cadoff, 21, aluna da Universidade Northwestern. "Eu mal podia esperar pelo lançamento dos livros. Nós íamos a eventos de lançamento à meia-noite na nossa livraria em Nova Jersey".

Agora, diz ela, todas as suas colegas de dormitório têm filmes de Potter em DVD. "É uma forma de relaxar após todo o trabalho na universidade", afirma Cadoff.

Segundo uma pesquisa com 4.000 pessoas que compraram entradas para o novo filme "Potter" pelo Fandango, um serviço de venda de ingressos online, 45% dos clientes tinham entre 18 e 30 anos. Já aqueles abaixo de 17 anos foram apenas 15%.

Deixem que os baby boomers (indivíduos nascidos durante o "Baby Boom", período de alto crescimento demográfico nos Estados Unidos, de 1946 a 1964) celebrem o 40º aniversário do Woodstock, e que a Geração X comemore os 15 anos passados desde que Kurt Cobain suicidou-se com um tiro. O que deixa a Geração Y - aqueles indivíduos nascidos entre 1980 e 2003 - nostálgica é a cultura pop do final dos anos noventa e do início deste século.

A música pop está faturando neste verão com os primeiros sinais desta tendência. Trabalhos que dominaram as paradas de sucesso uma década atrás e depois desapareceram estão de volta. O álbum de retorno de Eminem, "Relapse", vendeu 1,2 milhão de cópias (um número notável no atual quadro anêmico do setor de música), enquanto que três das maioressss bandas do período - Blink-182, Limp Bizkit e Creed - reagruparam-se para turnês de verão.

Seth Matlins, diretor-executivo de marketing da Live Nation, uma empresa promotora de concertos, refere-se a esses trabalhos como "rock clássico para a próxima geração".

Até o momento o maior sucesso do ano não é Bruce Springsteen nem o AC/DC, mas o ícone da Gen Y, Britney Spears, que ganhou US$ 61 milhões até o momento com a sua primeira turnê em cinco anos.

"Esses podem ser os fãs originais dela fazendo um retorno nostálgico", afirma Gary Bongiovanni, da Pollstar, empresa que acompanha o desempenho comercial dos concertos. "É como o New Kids na turnê Block, que atraiu mulheres de quase 30 anos que revisitavam a sua juventude".

Um outro sinal antecipado é o desejo súbito de assistir a uma reunião elenco do sitcom "Saved by the Bell", que saiu do ar em 1993, mas que era adorado por aqueles que à época cursavam o segundo grau. Jimmy Fallon, no seu website de entrevistas, coletou quase 80 mil pedidos de reunião do elenco.

Assim como ocorreu no decorrer da vida desse grupo, a influência demográfica da Gen Y (cuja idade atualmente vai de seis a 28 anos) atrai fortemente os profissionais de marketing.

"As pessoas de 20 a 30 anos de idade estão no epicentro da indústria de concertos", afirma Matlins.

Ainda que a nostalgia atinja todas as gerações, parece muito cedo para que os jovens de 28 anos estejam olhando para trás. Segundo pesquisadores especializados na identidade de gerações, uma possível explicação para isso foram os ataques terroristas de 11 de setembro de 2001. O clima político e econômico do final da década de 1990 foi tão tranquilo quanto uma balada dos Backstreet Boys: nada de guerras, desemprego de apenas 4%, um superávit federal de US$ 120 bilhões.

Neil Howe, autor de vários livros sobre aquilo que ele chama de os Millennials (um outro termo para a Geração Y), traça um paralelo entre essa onda nostálgica e aquela que os baby boomers abraçaram com o filme "Loucuras de Verão" ("American Graffiti"), em 1973. Aquele filme mostrava o passado recente, o início da década de sessenta, que parecia ter desaparecido para sempre.

"Aquilo foi um instante de nostalgia antes de uma enorme mudança no estado de espírito do país", diz Howe. "'Loucuras de Verão' representou para os baby boomers a nostalgia por um mundo que existia antes que tudo mudasse com o assassinato de John Kennedy. Os millennials veem o mundo anterior ao 11 de setembro de 2001 como um período de inocência. A nossa maior preocupação naquela época era o bug Y2K. Tudo isso parece estar hoje em dia a uma distância enorme".

Jeff Gordinier, de "X Saves the World" (algo como "A Geração X Salva o Mundo"), um livro que no ano passado analisou os anos do início da década de noventa, durante os quais a Geração X teve a consciência formada. "Não deveria ser uma surpresa o fato de a Geração Y estar mergulhando na nostalgia em meio a uma severa recessão. A nostalgia conforta as pessoas e neste momento os millennials provavelmente desejam ser confortados".

Jeff Taylor, um analista de mídia de 24 anos de idade que mora em Arlington, no Estado de Virgínia, concorda.

"O 11 de setembro foi um momento no qual a nossa geração levou um segundo para pensar", diz ele. "Por causa daquilo nós crescemos mais rapidamente".

Taylor, que estava no último ano do segundo grau naquele dia, entende por que a turnê de reunião do Blink-182 atrai tanta gente ("parte do fascínio pelo Blink residia na postura despreocupada do conjunto"), e ele sente uma nostalgia pessoal pelos tocadores portáteis de CD. "Comprar o meu primeiro Discman foi um grande acontecimento", diz Taylor. "Algo como ganhar um iPod para as crianças de hoje".

Outros membros mais velhos da Geração Y manifestam uma nostalgia similar por elementos da cultura popular do final dos anos noventa como as listas de amigos da AOL e os discos compactos - o artefato para reprodução musical que já foi dominante e que agora está nos seus anos de declínio.

Embora os baby boomers ou os membros da Geração X possam não fazer ideia do que a frase "clássico Nickelodeon" significa para quem tiver pouco mais de 20 anos de idade, para a Geração Y o termo traz memórias de saudosos programas de TV a cabo como "All That" e "Clarissa Explains It All" (cuja estrela, Melissa Joan Hart, exibiu recentemente a sua perda de peso na capa da revista "People").

"Eu era apaixonado por ela", confessa Josh Meyer, um corretor de imóveis de 28 anos de idade de Portland, no Estado de Oregon.

Aaron Eisenberg, 20, estudante de teatro da Universidade Northwestern, lembra-se com saudade da sua fantasia de Austin Powers, usada no Halloween, do dia em que comprou o álbum "Millennium" do Backstreet Boys, e de como Adam Sandler era mais engraçado quando manifestava raiva ou frustração em filmes como "Um Maluco no Golfe" ("Happy Gilmore") e "O Rei da Água" ("The Waterboy").

"Ele não é mais furioso como costumava ser", diz Eisenberg.

E nem pensem em mencionar o Blu-ray.

"Tenho saudade das fitas VHS", diz ele. "Não consigo encontrar uma forma de assistir aos meus vídeos dos Power Rangers".

Tradução: UOL

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