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23/07/2009

Nos Estados Unidos, colônias de férias adotam quarentena devido à gripe suína

The New York Times
Tamar Lewin
Belgrade, Maine (EUA)
Os pais que chegaram para o dia de visita, no domingo, na Colônia de Férias Matoaka, em Smithfield, receberam uma pequena garrafa do desinfetante de mãos, e, durante o almoço, os funcionários que serviam a comida usavam máscaras e luvas."Este é um ano diferente", afirma o diretor Jason Silberman.

Os lagos de superfície tremulante estão idílicos como sempre, os leitos continuam aconchegantes e os refeitórios ainda são tomados por um barulho ensurdecedor, mas, aqui, no Maine, a colônia de férias não é mais a mesma nesta era da gripe H1N1. As medições de temperatura têm início no momento que os indivíduos que vêm para a colônia desembarcam do ônibus ou avião. Muitos esportes e eventos entre colônias de férias diferentes foram cancelados ou adiados. E os desinfetantes de mãos estão por toda parte.
  • Andrew Loader /The New York Times
"Nunca tivemos uma gripe no verão como agora", diz a médica Dora Anne Mills, diretora de saúde pública do Maine. "Temos 33 colônias de férias no Maine atingidas por surtos da doença, e outras dez estão aguardando o resultado de exames. Algumas delas têm entre 70 a 100 crianças no isolamento, de forma que estão administrando colônias paralelas para os doentes".

Mills e outros especialistas acreditam que esses surtos aqui são uma indicação do que acontecerá nas escolas dos Estados Unidos no próximo outono norte-americano.

É claro que a gripe suína também causou problemas em colônias de férias de outros Estados. Na Geórgia, a Colônia de Férias Coleman cancelou a sua primeira sessão, já que tantos instrutores ficaram doentes antes do início das atividades que pareceu ser impossível fornecer um programa decente às crianças.

Em Vermont, a Colônia de Férias Killooleet tinha uma ou duas crianças doentes na segunda-feira, pouco após o início das atividades, segundo o diretor da instituição, Dean Spencer, mas na última terça-feira esse número subiu para 12 ou 15 - de maneira que, na quarta-feira (22/7), ele mandou todas as 100 crianças de volta para casa por uma semana.

Mas o Maine, que tem mais de 100 colônias de férias nas quais as crianças passam a noite, parece ter sido atingido de forma especialmente intensa. Algumas das colônias mandam as crianças de volta para casa tão logo elas apresentem febre - o que frequentemente destrói os planos que os pais fizeram para estas semanas de férias escolares, seja uma segunda lua-de-mel ou uma oportunidade de pintar a cozinha.
Mas a maioria das colônias não está mandando as crianças para casa para o período de isolamento de sete dias. Em vez disso elas mantêm as crianças doentes na enfermaria, no ginásio de esportes, no prédio de atividades artísticas, ou onde quer que caibam os leitos de emergência.
Na Colônia de Férias Modin, cerca de 90 das 360 crianças que participam da primeira sessão contraíram a gripe suína, de forma que uma cabana de atividades e o centro de adolescentes foram desocupados e estão sendo utilizados como instalação de quarentena.

"Neste verão nós já fizemos 6.000 medições de temperatura", afirma Howard Salzberg, o diretor da colônia de férias. "Compramos todos os lenços Clorox em todas as Wal-Mart que fomos capazes de encontrar. Gastamos com isso cerca de US$ 45 mil (R$ 87 mil), dos quais US$ 30 mil (R$ 57 mil) foram somente com Tamiflu, e provavelmente mais US$ 15 mil (R$ 28,6 mil) com máscaras, luvas e jogos para as crianças no isolamento".

A Colônia de Férias Modin acabou com o surto de gripe suína ao oferecer Tamiflu de maneira profilática a todas as crianças e instrutores, uma medida que foi tomada seguindo a recomendação de um dos pais, o médico Marc Siegel."O Tamiflu é usado profilaticamente nas enfermarias com muito sucesso", diz Siegel, que é professor de medicina do Centro Médico Langone da Universidade de Nova York. "E creio que, neste momento em que há um grande surto da doença nas colônias de férias, onde as crianças ficam muito próximas umas das outras nos dormitórios, faz sentido adotar esse mesmo protocolo".

Segundo Siegel e Salzberg, o Tamiflu conteve totalmente a disseminação da gripe suína na colônia. E, após saber dos resultados na Colônia de Férias Modin, várias outras colônias do Maine também encorajaram os pais a aprovar o uso profilático do Tamiflu.

"Tivemos que ir a dez locais diferentes para encontrarmos uma quantidade suficiente de Tamiflu", diz Fritz Seving, diretor da Colônia de Férias Fernwood, em Poland, no Maine. "Tivemos primeiro duas meninas doentes. A seguir, seis, e depois disso, 28. Mas 24 horas após o início das doses de Tamiflu a epidemia acabou".

"Temos 330 crianças e funcionários, dos quais 297 decidiram tomar Tamiflu", explica Seving. "Desde que começamos este tratamento no dia 11 de julho, somente uma menina adoeceu, e ela não tomou o remédio. Não dá para contestar tais resultados".

Para os diretores de colônias de férias, pode não haver contestação. Mas, para Mills, a questão não é tão clara assim."Eu entendo completamente por que eles estão fazendo isso, mas sob uma ótica de saúde pública mais ampla, não posso recomendar tal coisa", diz ela. "Quando se dá início à administração de Tamiflu em grandes quantidades, começa-se a promover a resistência do vírus. Se começarmos a administrar Tamiflu a todos os jovens saudáveis que foram expostos à doença, em breve todos os alunos de escolas públicas e universidades estarão tomando o remédio, e como não se pode interromper o uso profilático antes de sete dias após o último caso, dá para imaginar o problema que surgirá".

Neste mês, entretanto, a Modin e outras colônias de férias que enfrentam grandes surtos de gripe suína já estão profundamente imersas nos seus próprios problemas. "O mais difícil para a colônia é o fato de esta ser uma gripe tão suave que as crianças sentem-se melhores em um ou dois dias, mas termos que mantê-las isoladas por sete dias, quando elas estão se sentindo bem e encontram-se entediadas", afirma Salzberg. "Trouxemos um Wii, filmes, jogos, instrumentos artísticos e material de artesanato, e tudo o mais. E quando as outras crianças vão à praia, aquelas que estão no isolamento saem do isolamento e jogam basquete e vôlei".

A Modin, a mais antiga colônia de férias judaica da Nova Inglaterra, chegou a criar uma área de quarentena ao ar livre, cercada de fita fluorescente laranja, como se fosse o local de um crime, na qual as crianças doentes podem vier os amigos e colegas de férias saudáveis, através de uma divisão ao céu aberto de 1,90 m de altura.

Em 30 de junho, quando Josh Vershleiser acordou na Colônia de Férias Modin no dia do seu 11º aniversário, sentindo-se "não muito bem", ele já tinha visto outros no dormitório ficarem doentes, de forma que sabia exatamente o que vinha pela frente.

"Eu sabia que cedo ou tarde seria colocado na quarentena", diz Josh. "Não foi tão ruim assim. Havia outras crianças do meu dormitório lá, e nós jogamos Wii o dia inteiro. Eu recebi um telefone celular para falar com os meus pais".

O seu instrutor, Josh Burns, que é australiano, já estava lá para recebê-lo, juntamente com outros instrutores infectados, que saudaram as crianças com um "Bem-Vindo ao Gripe Suína 2009", fizeram braceletes de amizade para cada criança no isolamento e jogaram partidas intermináveis de baralho e jogos de tabuleiro para mantê-las ocupadas.
Para Salzberg e as suas quatro enfermeiras e supervisores, a vida transformou-se em uma rotina constante de administração de medicamentos, medições de temperatura e conversas com os pais. Mesmo com o sistema de toque de tela em estilo hospitalar adotado na colônia para o sistema de registros médicos, o trabalho de obter, embalar e rotular o Tamiflu para cada criança levou horas.

"Nós continuamos enviando e-mails aos pais, dizendo a eles o que estava se passando em relação à gripe suína, mas temos que nos lembrar de falar também: 'Ah, sim, ainda estamos fazendo esqui aquático, o passeio ao parque aquático as atividades regulares da colônia de férias'", diz Salzberg. "Sabe como é, esta colônia passou pela Segunda Guerra Mundial e não fechou. E isto que estamos enfrentando agora é apenas uma gripe".

Tradução: UOL

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