UOL Notícias Internacional
 

31/07/2009

Detenções ilustram limitações da liberdade de expressão na China

The New York Times
Edward Wong
Uma mulher e suas duas irmãs, que foram do sul da China para Pequim durante a Paraolimpíada, em setembro passado, para protestar contra o confisco de propriedades, foram presas e sentenciadas a um ano de uma espécie de prisão domiciliar por vandalismo, disse a mulher em uma entrevista por telefone na quinta-feira. A mulher, Huang Liuhong, já ficou detida por quase um ano em um hotel -conhecido como cadeia preta- enquanto aguardava julgamento.

Huang foi solta do hotel, a Casa de Repouso da Fábrica de Cimento Lizhou, em 17 de julho e disse que esperava cumprir sua sentença de um ano em sua cidade natal, sob vigilância policial. O caso é um dos vários que ilustram como os Jogos Olímpicos e Paraolímpicos em Pequim, no ano passado, fracassaram em expandir a liberdade de expressão na China, apesar da insistência dos organizadores internacionais dos jogos de que os eventos estimulariam o governo chinês a adotar políticas mais democráticas.

Dez outras pessoas viajaram com Huang da cidade de Liuzhou, na província de Guangxi, para Pequim, em setembro passado, para protestar contra quatro casos diferentes de confisco de propriedades envolvendo autoridades locais. Mas após serem entrevistadas por um jornalista americano, elas foram detidas por policiais à paisana que as seguiram desde Guangxi. Huang, duas irmãs mais velhas e a sua mãe de 79 anos foram todas detidas.

A mãe logo foi solta, mas Huang e seu filho bebê foram mantidos por 314 dias em um hotel. Suas duas irmãs foram mantidas em um centro de detenção.

Huang disse que ela e suas irmãs só foram julgadas em 19 de junho. O juiz as considerou culpadas de vandalismo e as sentenciou a um ano de prisão, seguidos por dois anos de condicional. As duas irmãs mais velhas foram soltas em 14 de julho, disse Huang, cada uma tendo cumprido quase toda a sentença do veredicto no tempo em que permaneceram no centro de detenção.

Outros do grupo de 11 que foram a Pequim também foram julgados.

Após sua soltura da chamada cadeia preta, Huang recebeu uma semana para visitar seu marido na cidade de Shenzhen, no sul, onde ela está agora. Mas ela terá que retornar a Liuzhou e passar um ano sob prisão domiciliar, período durante o qual ela poderá viver em sua casa e circular por Liuzhou, mas não deixar a cidade.

"Eles disseram que alguém me vigiará", ela disse.

O tribunal em Liuzhou não fez nenhum comentário na quinta-feira; cópias dos autos fornecidas por Huang mostraram que ela foi considerada culpada de vandalismo.

Huang disse que a polícia a acusou de ter quebrado o vidro de uma van da polícia após ser detida em Pequim. Ela disse que nunca danificou a van.

Durante seu quase um ano de detenção no hotel, três policiais e três babás foram designados para cuidar dela e de seu bebê, ela disse. Ela também foi monitorada por uma câmera de vigilância no quarto do hotel, ela acrescentou. O custo para o governo foi, no mínimo, de milhares de dólares, ela estimou.

As três irmãs planejam apelar do veredicto, mas há pouca esperança de reversão, disse Huang.

Tradução: George El Khouri Andolfato

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    16h59

    1,02
    3,178
    Outras moedas
  • Bovespa

    17h20

    -0,90
    67.976,80
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host