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31/07/2009

Mianmar vai anunciar nesta sexta destino de ativista pró-democracia

The New York Times
Seth Mydans
em Bangcoc
A justiça em Mianmar deve na sexta-feira (31/7) determinar a sentença do líder pró-democracia, Daw Aung San Suu Kyi, que enfrenta até cinco anos na prisão em uma acusação de violar a prisão domiciliar ordenada pela junta militar para isolá-la por 14 dos últimos 20 anos.

  • REUTERS/Patrick de Noirmont

    Aung San Suu Kyi ganhou o Prêmio Nobel da Paz em 1991 e sempre advogou pela não-violência em um país que vem sendo governado por juntas militares sucessivas desde 1962.

    Nascida em 19 de junho de 1945, Suu Kyi, filha de Aung San, herói da independência birmanesa assassinado em 1947, teve acesso às melhores escolas de Yangun, prosseguindo seus estudos na Índia - país onde sua mãe foi nomeada embaixadora - e depois seguiu para Oxford.

    Assistente da Escola de Estudos Orientais de Londres, ele se casou em 1972 com o britânico Michael Aris, universitário especialista em Tibete e budismo, com quem teve dois filhos.

    De volta à Mianmar em abril de 1988 para cuidar de sua mãe doente, Aung San Suu Kyi fez um discurso público pela primeira vez neste mesmo ano.

    Em um país submetido à lei marcial, ela reivindicava a formação de um governo interino e eleições livres antes de fundar, com outros militantes, a Liga Nacional pela Democracia (LND).

    Em maio de 1990, seu partido recebeu votação expressiva nas eleições pluralistas. A Junta Militar, mesmo com o resultado, se negou a deixar o governo. Até hoje os generais continuam no poder.

    Suu Kyi teve a prisão domiciliar decretada pela primeira vez em 1989 -- pena que tem sido suspensa e retomada desde então.

    Suu Kyi é vista como uma pessoa inteligente, carismática e corajosa. Seus opositores a acusam de intransigente

O caso envolve um incidente bizarro no qual um intruso americano atravessou um lago a nado e passou duas noites em sua mansão em uma missão para livrá-la dos assassinos, como disse ao tribunal.

A prisão de Suu Kyi já atrapalhou uma possibilidade de melhora nas relações com nações ocidentais, particularmente com os EUA. No início do mês, a secretária de Estado, Hillary Rodham Clinton, pediu a libertação de Suu Kyi, dizendo: "Isso abriria oportunidades, ao menos para meu país, para expandir o nosso relacionamento", incluindo investimentos.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, também pediu a libertação e disse que, se a junta a enviasse à prisão, perderia uma oportunidade de se "aproximar da comunidade internacional".

Na terça-feira, o presidente Barack Obama, que também pediu a libertação de Suu Kyi renovou um pacote de sanções contra a junta, inclusive a proibição de importações de jade e de outras gemas.

Desde o dia 14 de maio, Suu Kyi, 64, está na prisão onde o caso está sendo julgado e onde poderá passar os próximos anos, se for condenada.

A segurança foi rígida durante o julgamento, mas a multidão do lado de fora era pequena. Na quinta-feira, o governo advertiu que seria contra manifestações quando o veredicto fosse anunciado.

A maior parte dos analistas políticos e a própria Suu Kyi acreditam que ela será condenada, em um caso que provavelmente será decidido em alto nível dentro da junta militar governante.

"Temo que o veredicto será dolorosamente óbvio", disse ela aos diplomatas que tiveram permissão de participar da sessão final do julgamento na terça-feira.

O advogado de Suu Kyi, U Nyan Win, disse que sua cliente tinha se preparado para a condenação, estocando medicamentos e material de leitura. "Ela está se preparando para o pior", disse ele.

"Ela está muito bem", acrescentou antes do veredicto em entrevista telefônica de Yangon, principal cidade de Mianmar. "Ela pode comandar nossa equipe. Ela está bem humorada."

O intruso americano, John Yettaw, 53, de Falcon, Montana, enfrenta ao menos cinco anos na prisão como cúmplice na violação da prisão domiciliar de Suu Kyi, além de violações de imigração e do regulamento local que proíbe nadar no lago.

De acordo com o testemunho do governo, que não foi negado por Suu Kyi, Yettaw trouxe uma estranha coleção de itens, inclusive duas burcas islâmicas e óculos escuros.

"Seriam para tirá-la da casa? Há muitos pontos para se ponderar", disse o jornal governista "The New Light of Myanmar".

Suu Kyi disse no tribunal que não sabia da chegada do intruso, que tinha pedido a ele que fosse embora e que só permitiu que ficasse quando ele disse que estava cansado e se recuperando.

Enfrentando as mesmas acusações estão duas mulheres que têm sido suas únicas companheiras no isolamento de sua prisão domiciliar.

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Suu Kyi, filha do líder da independência assassinado U Aung San, ficou famosa na antiga Birmânia em 1988 quando assumiu importante papel em uma oposição desorganizada, em protestos no país que terminaram em um massacre militar.

Desde então, ela se tornou símbolo de resistência pacífica pró-democracia, recebendo o Prêmio Nobel da Paz em 1991.

Muitos analistas acreditam que a ideia do governo é mantê-la presa durante as eleições do início do ano que vem. Sua mais recente sentença de prisão domiciliar expirou em meados de maio.

As eleições fazem parte do "caminho para a democracia", foram estabelecidas pela nova constituição e seriam uma forma de legitimar o controle militar que isolou e empobreceu a antiga Birmânia desde o golpe em 1962.

Serão as primeiras eleições nacionais desde 1990, anulada pelos militares após o partido de Suu Kyi, a Liga Nacional pela Democracia, vencer por grande maioria. Muitos de seus candidatos eleitos foram presos.

A maior parte dos analistas não acredita que as eleições do ano que vem serão livres e justas. Segundo Nyan Win, que também é porta-voz do partido, Suu Kyi disse que a eleição não "seria considerada legítima se não houvesse antes uma reconciliação nacional".

Tradução: Deborah Weinberg

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