UOL Notícias Internacional
 

02/08/2009

Fora da escola, a educação das filhas de Obama continua

The New York Times
Por Rachel L. Swarns
Washington - As meninas passearam pela Torre Eifel e se maravilharam com as majestosidades de pedra do Panteão. Desmaiaram com os Jonas Brothers, riram das estátuas de cera de seus pais e brincaram com seus amigos em Camp David, tudo isso durante dois meses alegres e sem aulas.

Bem-vindo às fabulosas férias de verão de Sasha e Malia, uma miscelânea de viagem ao exterior, concertos, festas de aniversário e pura diversão cuidadosamente organizada pelo presidente e pela primeira-dama. (A primeira-dama apelidou as férias de Acampamento
Obama.)

Mas os monitores de acampamento mais importantes do país também tentaram assegurar que este primeiro verão na Casa Branca fosse mais do que uma programação leve.

O presidente Barack Obama e sua mulher, Michelle, incorporaram aulas de história, serviço comunitário, alimentação saudável e exercícios físicos ao tempo livre de suas filhas, oferecendo mais um vislumbre do estilo de educação por trás das paredes do número 1600 da avenida Pennsylvania.

Os Obamas discutiram o comércio de escravos com as filhas durante uma visita a um porto em Gana. Eles se concentraram no voluntariado em Fort McNair, na Virgínia, onde as meninas ajudaram a encher mochilas com brinquedos e livros para os filhos de famílias militares.

Em Roma, eles arranjaram para que Malia e Sasha fizessem seu próprio sorvete e vissem como as frutas frescas - bananas e amoras - podiam ser transformadas em "gelatos" de dar água na boca.

Os Obama insistem em enfatizar a estrutura e a disciplina na educação de suas filhas. O verão, eles deixaram claro, não oferece nenhuma suspensão temporária de regras.

"A televisão e os computadores ficam desligados o dia todo até depois do jantar e antes da hora de dormir", disse Michelle durante uma visita a San Francisco em junho, enquanto descrevia a rotina de verão de suas filhas. "Elas vão dormir cedo."

(Esta não é uma tarefa fácil, mesmo na casa dos Obama. O presidente reconheceu no mês passado que as meninas normalmente ficam grudadas em seus computadores: "O que faríamos sem nossos laptops? Minhas filhas morreriam. Elas não conseguiriam sobreviver durante as férias".)

Alguns críticos dizem que as viagens da família Obama para o exterior não são apropriadas numa época de recessão. Mas amigos e auxiliares dizem que a visão que os Obama têm do país e do mundo como um todo é a de uma grande sala de aula ao ar livre para suas filhas, que se encontraram com o papa Bento 16 e com o presidente Nicolas Sarkozy da França e conheceram o ritmo de vida num país em desenvolvimento como Gana, tudo isso num só verão.

"Eles querem expor suas filhas para ter certeza de que elas apreciam a complexidade do mundo, para ver as maravilhosas oportunidades que ele oferece, mas também um pouco do sofrimento que existe", disse Charles J. Ogletree, professor de direito de Harvard e amigo dos Obama.

"Isso as ajudará, quando ficarem mais velhas, a entender como os Estados Unidos têm uma obrigação moral de pensar sobre os outros povos", disse Ogletree.

Numa entrevista para a CNN no mês passado, o presidente descreveu a visita ao porto de escravos em Gana como uma oportunidade de explicar a Malia, 11, e Sasha, 8, como "as pessoas estavam dispostas a degradar as outras porque elas pareciam diferentes".

Na entrevista, o presidente disse que tentou fazer com que suas filhas "imaginassem como seria se elas fossem tiradas do Papai e da Mamãe e enviadas para algum lugar que nunca tinham visto antes."

"Mas, sabe, também tentamos fazer com que as crianças se imaginem do outro lado, como mercadoras de escravos", disse Obama. "Para fazer com que - para ter certeza de que elas estejam sempre se questionando se estão tratando as pessoas com justiça - e se estão examinando seu próprio comportamento e como ele afeta os outros".

Doug Wead, ex-conselheiro familiar de Bush e autor de "All the Presidents' Childern: Triumph and Tragedy in the Lives of America's First Families" ["Todos os Filhos dos Presidentes: Triunfo e Tragédia nas Vidas as Famílias Presidenciais dos EUA"] disse que vários presidentes viajaram para fora com seus filhos, incluindo Bill Clinton e Jimmy Carter. (A ex-primeira-dama Laura Bush foi para a África com sua filha Jenna quando George W. Bush era presidente.)

Ainda assim, nem todo mundo está aplaudindo os Obama.

No mês passado, o senador Charles E. Grassley, republicano de Iowa, disse que o presidente tinha "coragem" de fazer turismo em Paris enquanto insistia que o Congresso deveria se concentrar na reforma da saúde.

John Baer, colunista do jornal The Philadelphia Daily News, recentemente questionou o que os pais que perderam seus empregos e foram obrigados a cancelar suas fárias em família pensariam sobre os planos do presidente de passar algum tempo com sua família em Martha's Vineyard este mês.

"Aqueles que veem Obama como um elitista terão mais munição", escreveu Baer.

Os auxiliares de Obama enfatizam que o presidente e a primeira-dama cobriram os custos de todas as viagens pessoas e que os estresses da presidência fazem com que essas folgas sejam essenciais.

Os Obama fizeram questão de tirar suas filhas da bolha da Casa Branca neste verão - levando-as para tietar num show de Beyonce aqui; visitar Monticello, a casa de Thomas Jefferson na Virgínia; e passar algumas tardes preguiçosas de verão em Camp David.

Em Moscou, onde Malia e Sasha passearam pelo Kremlin, Obama disse à CNN que estava emocionado ao ver suas filhas "vendo o mundo e contado para nós sobre o que viram".

Em Gana, Michelle Obama e suas filhas, que são descendentes de escravos, colocaram duas rosas vermelhas nas celas de prisão e fizeram um momento de silêncio pelas pessoas que ficaram presas ali, disse Fritz Baffour, membro do parlamento de Gana que ajudou a guiar a família pelo Castelo da Costa do Cabo.

"Michelle Obama me disse que aquela experiência foi muito educativa para suas filhas", disse Baffour numa entrevista por telefone desde Gana. "Essa foi uma ótima oportunidade para dar às crianças um senso de quem são, de seu valor próprio e sua história..."

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