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05/08/2009

Obama quer convencer os americanos de que a economia melhorou

The New York Times
Sheryl Gay Stolberg
Nesta semana a Casa Branca estará se esforçando para persuadir os norte-americanos de que as políticas do presidente Barack Obama estão ajudando a tirar o país da recessão. Mas uma palavra de quatro letras, "jobs" (empregos), poderá ser um obstáculo para isso.

Em um momento no qual as pesquisas revelam que o apoio à forma como Obama administra a economia está em declínio, o presidente e outras autoridades do governo - o vice-presidente Joe Biden; o secretário de Energia, Steven Chu; e o secretário de Comércio, Gary Locke - se manifestarão nesta quarta-feira (05/07), em uma demonstração coordenada de força.

Eles procurarão argumentar, conforme o presidente disse no sábado, no seu discurso semanal, que "nos últimos meses, a economia teve um desempenho comprovadamente melhor do que o esperado".
Eles contam com algumas estatísticas para apoiá-los. Números divulgados na semana passada demonstram que a economia sofreu uma contração mais lenta no segundo trimestre do que muitos economistas esperavam, o que sugere que a crise pode estar chegando ao fim. E, após uma queda de dois anos, os preços dos imóveis estão dando sinais de estabilização em algumas cidades.

Mas essas notícias provavelmente serão eclipsadas por uma outra. Dados que deverão ser divulgados na próxima sexta-feira deverão demonstrar que o desemprego, que foi de 9,5% em junho, voltou a subir em julho, chegando talvez a mais de 10% pela primeira vez desde 1983.
Para os norte-americanos, um índice de desemprego de dois dígitos poderá constituir-se em um limite psicológico que traria consequências políticas para Obama.

"O problema que ele terá nesta semana e que continuará é o fato de que teremos uma recuperação econômica marcada por intenso desemprego", afirma Bruce Bartlett, uma autoridade do Departamento do Tesouro no governo do Presidente Bush e que tem criticado a forma como tanto os democratas quanto os republicanos administram a economia. "De que adianta para um indivíduo saber que a economia está crescendo se ele não está usufruindo desse crescimento por meio do emprego?".

Na quarta-feira, Obama, Biden o os secretários de gabinete tentarão responder a essa pergunta. As autoridades governamentais dizem que farão uma argumentação cuidadosamente calibrada para convencer os norte-americanos de que o governo herdou uma economia em queda livre e que o seu pacote de estímulo de US$ 787 bilhões (R$ 1,43 trilhão) impediu a ocorrência de uma outra Grande Depressão. Ao mesmo tempo, eles advertirão que o caminho para a recuperação integral poderá ser longo.

"Sejamos bem claros quanto a isso", diz Jared Bernstein, o principal assessor econômico de Biden. "A estabilização ou a chegada ao ponto mínimo dessa curva descendente significa apenas que aproxima-se a fase de recuperação. Isso não quer dizer que retornamos ao patamar anterior à crise. Isso é muito melhor do que estar em queda livre, mas até que vejamos uma recuperação robusta dos mercados imobiliários, dos preços dos imóveis, dos empregos e da renda familiar, não estaremos nem um pouco perto de sairmos desse buraco".

Nesta quarta-feira, a mensagem da Casa Branca concentrar-se-á na forma como o governo está gastando o dinheiro para estímulo econômico. Tanto Biden quanto Obama anunciarão financiamento para a fabricação de baterias avançadas e veículos elétricos, o tipo de iniciativa de "empregos verdes" que o presidente enfatizou que é uma parte do seu pacote de estímulo econômico.

Biden seguirá para Detroit, a capital da indústria automobilística, enquanto Obama repetirá uma visita a Elkhart County, no Estado de Indiana, cidade que se autodenomina "a capital mundial dos traileres". Locke irá para Kansas City, no Estado de Missouri, e Chu para Charlotte, na Carolina do Norte.

As pesquisas indicam que a opinião pública sobre a economia e o papel de Obama é mista. A mais recente pesquisa New York Times/CBS News, divulgada na semana passada, revelou que 51% dos norte-americanos aprovam a forma como Obama está administrando a economia. Em abril último este número era de 61%.

Mas 32% dos entrevistados afirmaram acreditar que a economia está melhorando, o que foi um aumento substancial em relação a fevereiro, quando somente 5% dos indivíduos ouvidos pela pesquisa tinham essa opinião. E os norte-americanos parecem concordar com a previsão do governo de que a recuperação não será rápida: a pesquisa Times/CBS revelou que mais da metade dos entrevistados acredita que a recessão durará dois anos ou mais.

Ao dizer que as suas políticas estão melhorando o quadro econômico, autoridades da Casa Branca como Bernstein argumentam que até o final de 2010 o índice de desemprego estará dois pontos percentuais mais baixo do que estaria caso não tivesse sido aplicada a legislação de estímulo econômico.

Mas esse argumento ficou comprometido pela própria previsão imprecisa feita pelo governo. Em janeiro, a equipe de Obama previu que o índice de desemprego continuaria em 8% ou menos em 2009 caso a legislação para a recuperação econômica fosse aprovada. O próprio Biden admitiu no mês passado que as autoridades governamentais "não entenderam como a situação de economia estava ruim" antes de assumirem os seus cargos.
Tais erros proporcionaram aos republicanos uma oportunidade para argumentar que o plano de estímulo fracassou. Depois que Biden apareceu na Casa Branca na terça-feira para declarar "sem reservas" que o pacote de estímulos está funcionando, uma porta-voz do deputado John A. Boehner, de Ohio, o líder republicano na Câmara, acusou o vice-presidente de "fazer uma alegação totalmente destituída de base e sensacionalista".

Essas batalhas retóricas poderão dominar o recesso congressual de agosto, enquanto os parlamentares dirigem-se aos seus distritos para falarem com os seus eleitores. Os parlamentares democratas poderão enfrentar mais problemas do que Obama no que diz respeito à economia. O presidente só disputará a reeleição em 2012, mas os deputados e vários senadores enfrentarão uma disputa eleitoral no ano que vem. Caso até lá a situação não melhore, os parlamentares democratas poderão começar a se distanciar do presidente.

Os assessores da Casa Branca sabem que têm uma tarefa dura pela frente. Conforme disse Bernstein na terça-feira, "É compreensível que esta não seja a mensagem mais tranquilizadora: 'Ei, a situação poderia ser pior'".

Tradução: UOL

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