UOL Notícias Internacional
 

07/08/2009

No país dos fumantes, Bagdá busca proibição em lugares públicos

The New York Times
Rod Nordland
Em Bagdá (Iraque)
O Gabinete do Iraque anunciou na quinta-feira (6) que planeja proibir o fumo em todos os lugares públicos, naquela que seria a primeira lei desse tipo no Oriente Médio. As restrições podem até ir mais longe do que as proibições de fumo nos países ocidentais, ao proibir fumar em "transportes privados".

A posição é particularmente agressiva - e talvez impossível de fazer as pessoas cumpri-la - especialmente em um país onde os cigarros custam 40 centavos de dólar o maço e fumar em áreas públicas e locais de trabalho é comum. Mas coincide com as tentativas do governo de melhorar as condições de vida aqui, como a ordem do primeiro-ministro Nouri Kamal al Maliki, na quarta-feira, de remover os muros de proteção de grande parte de Bagdá em 40 dias.
  • Faleh Kheiber/Reuters

Mas enquanto o governo tentava voltar sua atenção para essas questões, a desordem da política iraquiana permanecia em grande evidência. O Ministério do Interior divulgou uma declaração na quarta-feira, esclarecendo seu anúncio anterior de que uma "gangue de guarda-costas" do vice-presidente Adel Abdul Mahdi foi responsável por um assalto a banco sangrento no mês passado. O esclarecimento elogiou sua ajuda na prisão dos suspeitos.

O gabinete de Abdul Mahdi então respondeu na quinta-feira com um esclarecimento daquele esclarecimento. O assalto não envolveu uma gangue da unidade do Exército Iraquiano que protege o vice-presidente, disse seu gabinete. Em vez disso, ele disse, apenas um de seus guarda-costas estava envolvido, agindo ao lado de criminosos de "outras unidades e instituições".

A violência também continua atrapalhando o plano do primeiro-ministro de remover os muros de proteção e restaurar um senso de normalidade em Bagdá. Na quinta-feira, duas bombas de estrada explodiram em Mansour, ferindo três civis, e uma bomba escondida na casa de uma pessoa deslocada, em Dora, matou um membro da família que tinha voltado para checar o imóvel. Um peregrino xiita a caminho de Karbala foi morto quando uma bomba sob seu carro explodiu em Dora; três passageiros ficaram feridos.

No final da quarta-feira, seguidores de Muqtada al Sadr, um clérigo antiamericano, divulgaram uma declaração incomum, escrita à mão, na qual Al Sadr denuncia o governo de aceitar rebeldes violentos em seu meio.

A declaração deriva de um acordo negociado por Al Maliki com um grupo especial xiita para renunciar a violência contra os iraquianos e ingressar no processo político. O grupo, Asa'ib al Haq, se gabava de ter matado cinco soldados americanos e sequestrado cinco prestadores de serviço britânicos, quatro dos quais foram encontrados mortos ou estão supostamente mortos. Ele não renunciou à violência contra estrangeiros. O grupo já tinha rompido antes com Al Sadr, quando este renunciou a violência.

"Qualquer grupo que pertença à resistência não tem o direito de interferir na política", disse a declaração de Al Sadr.

"Eu aconselho o governo a não se envolver com qualquer grupo militar em geral", ele escreveu, "porque são contrários ao povo iraquiano e estiveram envolvidos no derramamento de sangue iraquiano".

No assalto ao banco, sete homens entraram na agência principal do Al Rafidain Bank sem enfrentarem oposição, aparentemente por causa de seus cargos oficiais. O banco estatal fica na área de Karada, que é altamente protegida porque muitas autoridades vivem lá. Os oito guardas no interior do banco não resistiram, mas os assaltantes mataram todos, possivelmente por temerem ser identificados. Estima-se que eles escaparam com US$ 5 milhões.

O Ministério do Interior disse que prendeu cinco dos perpetradores, mas que dois líderes fugiram do país. Um deles já tinha sido identificado como sendo o capitão Lazem Dayekh, um membro da guarda do vice-presidente.

Muitas pessoas culpam manobras políticas pela disputa em torno de quem supostamente solucionou o caso. Abdul Mahdi e o ministro do interior, Jawal al Bolani, são rivais e possíveis adversários de Al Maliki nas eleições nacionais.

"Há motivações políticas por trás desse crime", disse a declaração de Abdul Mahdi. Al Bolani foi um forte crítico dos que apoiaram o vice-presidente quando ele fez uma acusação semelhante uma semana antes, em uma coletiva de imprensa sobre o assalto.

Quase tão contenciosa será a proposta do governo de proibição do fumo, que ainda terá que ser votada no Parlamento. Ela se aplicaria a todos os prédios públicos, repartições do governo, cinemas, escolas e tanto no transporte público quanto privado.

A Al Qaeda na Mesopotâmia, um grupo insurgente em grande parte iraquiano que conta com liderança parcialmente estrangeira, tentou proibir o fumo nas comunidades sunitas que controlava, com base religiosa. Muitos moradores locais citaram essa tentativa como um dos motivos para os sunitas terem se voltado contra o grupo.

Issam Shakir Mahmoud, 84 anos, um vendedor de tabaco, não considera o plano uma ameaça ao seu ganha-pão. "O governo não consegue nem mesmo controlar a situação da segurança", ele disse. "Como fiscalizariam o cumprimento dessa lei?"

Tradução: George El Khouri Andolfato

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