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07/08/2009

Recessão deverá produzir queda de natalidade nos Estados Unidos

The New York Times
Sam Roberts
Pela primeira vez desde o início da década, os norte-americanos estão tendo menos filhos, e alguns especialistas atribuem este fenômeno à economia.

"É a recessão", diz Andrew Hacker, sociólogo do Queens College da City University de Nova York. "Os filhos são o componente mais caro do orçamento familiar, especialmente levando-se em conta todos os apetrechos que as crianças esperam ganhar nos dias de hoje. Portanto, esta é uma boa área para a redução de despesas quando existe incerteza quanto ao futuro".

Em 2007, o número de nascimentos nos Estados Unidos ultrapassou um recorde estabelecido há 50 anos, durante o baby boom (período de grande crescimento demográfico nos Estados Unidos, entre 1946 e 1964). Mas, no ano passado, os nascimentos começaram a cair em todo o país, em quase 2%, segundo números provisórios divulgados na semana passada.
  • Todd McInturf/AP

Esses números do Centro Nacional de Estatísticas de Saúde, indicam que os nascimentos só não diminuíram em dez Estados em 2008 (a maioria deles em uma faixa no norte do país onde a recessão foi, de forma geral, menos severa) em relação ao ano anterior. Ao todo, 4.247.000 nascimentos foram registrados em 2008, 68 mil a menos do que no ano anterior.

O número de nascimentos na Califórnia foi 14,5 mil menor do que em 2007, um declínio de 2,6% e o primeiro desde 2001, quando o Estado padeceu com perdas de empregos no Vale do Silício que provocaram demissões nos setores de distribuição, construção e outros.

Os números iniciais para 2009 parecem confirmar a correlação com a recessão. À medida que mais famílias sentem os efeitos das demissões e da incerteza econômica, o número de nascimentos diminui ainda mais rapidamente.

No Arizona, os nascimentos caíram cerca de 3% em 2008, naquilo que foi o primeiro decréscimo anual desde a recessão econômica de 1991. Nos primeiros seis meses de 2009, nasceram 7% bebês a menos do que um ano antes. A bolha populacional do Estado estourou e o índice de desemprego subiu de 5,5% para 8,7% no período de 12 meses encerrado em junho.

Nos primeiros três meses de 2009, os nascimentos também caíram 7% na Flórida, um outro Estado no qual a economia sofreu uma queda.
"Pode ser que muitos casais tenham visto o problema chegando", diz Carl Haub, demógrafo do Birô de Referência Populacional.

Stephanie Coontz, professora do Evergreen State College, em Olympia, no Estado de Washington, e diretora de pesquisa do Conselho de Famílias Contemporâneas, um grupo de pesquisa e de defesa de direitos sociais, afirma: "Nós provavelmente não somos ainda capazes de provar essa hipótese, mas concordamos".

"Foi isso o que aconteceu na Grande Depressão", diz Coontz. "E, embora em alguns períodos desde então tenhamos visto às vezes mulheres decidirem ter filhos após serem demitidas, essa decisão só é geralmente tomada se o marido estiver trabalhando e o emprego dele parecer seguro. Mais de 80% das perdas de empregos nesta recessão atingiram os homens. Em muitas famílias, se a mulher deixar o emprego para ter um filho, o lar ficaria sem rendimento algum".

Historicamente, os índices de natalidade flutuam com a economia. Índices baixos recordes foram registrados durante duas crises econômicas: a depressão da década de trinta e o embargo do petróleo árabe nos anos setenta.

Na década de 70, a taxa de natalidade foi afetada também pela ascensão do feminismo e o acesso mais fácil aos contraceptivos e ao aborto. "Mas será que esse índice teria caído tanto sem o efeito adicional da inflação, para não mencionar as longas filas nos postos de gasolina?", questiona Haub.

"Embora possivelmente esta questão jamais seja respondida, nós sabemos que a atual situação econômica não parece estimular as pessoas a formarem famílias ou a terem mais filhos. A inflação de dois dígitos da década de setenta fez com que, para muitos, as famílias com duas pessoas assalariadas tornasse-se uma necessidade", acrescenta ele".

Stephanie J. Ventura, chefe do departamento de estatísticas sobre reprodução do Centro Nacional de Estatísticas de Saúde, afirma: "Tivemos essas quedas anteriormente, mas o declínio de 2009 será crítico".

Haub concorda. "Caso possa-se identificar uma data inicial da crise econômica no início de 2008, a evidência de uma queda no índice de natalidade poderá tornar-se clara já no final de 2008, mas só será realmente indubitável em 2009".

"Sem dúvida é muito cedo para dizer se esta crise econômica resultará em uma queda drástica da taxa de natalidade", diz Haub. "Mas todas as medições e indicadores, juntamente com o colapso das bases da economia, estão bem piores do que na década de setenta".

Em 2006 e 2007, o Centro Nacional de Estatísticas de Saúde, que faz parte do Centro de Controle e Prevenção de Doenças, registrou uma taxa de natalidade de 14,3 por mil indivíduos. Em 2008 esse número caiu para 13,9 (e a queda mais acentuada foi perto do final do ano).

O índice de fertilidade das mulheres de 15 a 44 anos, que subiu de 68,7 por mil em 2006 para 69,2 em 2007, caiu para 68,4 em 2008.

Tradução: UOL

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