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07/08/2009

Repensando as relações com a Coreia do Norte

The New York Times
Nicholas D. Kristof
Agora que o presidente Bill Clinton retirou Laura King e Euna Lee da Coreia do Norte, tem início o trabalho duro.

QUEM É KIM JONG-IL?

  • AFP/KCNA-KNS - 10.out.2005

    Kim Jong-il é conhecido como "querido líder" na Coreia do Norte. Ele é filho de Kim Il-sung, fundador e antigo líder do país.

    Jong-il ocupa os cargos de presidente da Comissão Nacional de Defesa e de secretário-geral do Partido dos Trabalhadores da Coreia, o que o torna o dirigente de fato da Coreia do Norte.

    Ele possui 1,57m de altura. Para parecer mais alto, usa sapatos plataforma e tem os cabelos arrepiados.

    Kim Jong-il é fã de cinema, e acredita-se que possua mais de 20 mil filmes de Hollywood em sua estante e teria escrito um livro sobre cinema. Também se especula que ele teria planejado o sequestro de um cineasta sul-coreano e sua namorada, em 1978.

    "Hipocondríaco", "playboy", "paranoico" e "excêntrico" são algumas palavras usadas para descrever Kim Jong-il

Há novos indícios de que a Coreia do Norte pode estar transferindo tecnologia de armas nucleares para Mianmar, a ditadura que também é conhecida como Burma, e de que anteriormente Pyongyang teria fornecido um reator à Síria. Durante vários anos, com base em cinco visitas à Coreia do Norte e às suas áreas fronteiriças, eu defendi uma abordagem "diplomática" em relação a Pyongyang, mas agora eu concluí relutantemente que precisamos de mais porretes.

Fugitivos birmaneses forneceram relatos detalhados sobre um reator norte-coreano, talvez do mesmo tipo que aquele fornecido à Síria, construído dentro de uma montanha no interior de Mianmar. As notícias, que foram divulgadas pela primeira vez neste mês pelo "The Sydney Morning Herald", foram redigidas por Desmond Ball, um respeitado acadêmico especializado na Ásia, e Phil Thornton, um jornalista especializado em Mianmar, e, além disso, há outros relatórios de inteligência fragmentados que sustentam a versão deles.

Caso os relatos dos dissidentes estejam corretos, o reator "poderia ser capaz de estar operacional e de produzir uma bomba por ano, todos os anos, após 2014", escreveram Ball e Thornton.

As suspeitas podem ser falsas, e o Iraque é um lembrete de que relatos de dissidentes sobre armas de destruição em massa podem ser errôneos. Mas, em parte devido ao fato de o reator norte-coreano na Síria (destruído pelo bombardeio israelense em 2007) ter pego as agências de inteligência de surpresa, todo mundo está levando os últimos relatos a sério. A secretária de Estado Hillary Clinton manifestou preocupação quanto à transferência de tecnologia nuclear da Coreia do Norte para Mianmar, mas não entrou em detalhes.

Tudo isso foi sinistramente previsto pelos próprios norte-coreanos. Michael Green, que durante algum tempo foi o responsável pelas questões asiáticas na Casa Branca de George W. Bush, diz que, em março de 2003, uma autoridade norte-coreana - em meio a apertos de mão - leu uma advertência para ele e outras autoridades governamentais norte-americanas: Nós contamos com um sistema de dissuasão nuclear. Se vocês não acabarem com a sua política hostil, nós a demonstraremos, expandiremos e transferiremos.

"E eles de fato fizeram tudo isso", observa Green.

Em determinados momentos no passado pareceu haver esperança em relação a uma diplomacia com o objetivo de convencer a Coreia do Norte a abandonar o seu programa nuclear e agregar-se ao conjunto das outras nações. Mas atualmente isso parece ser praticamente impossível.

"As conversações diplomáticas formais com o objetivo de acabar com o programa nuclear deles saíram de curso, pelo menos por ora", diz Mitchell Reiss, especialista na Coreia do Norte e ex-funcionário graduado do Departamento de Estado, que agora leciona no College of William e Mary. "Os fatos mudaram. É preciso modificar a nossa estratégia".

No passado, Reiss defendia o diálogo. Agora ele defende a "contenção dura" - sanções mais severas, apoiadas pelas forças armadas, caso necessário.

A verdade é que a Coreia do Norte não deseja negociar uma renúncia aos seus materiais nucleares. O país está concentrado na sua própria transição, e neste ano ele não aceitou uma visita do enviado especial do governo Obama, Stephen Bosworth. A Coreia do Norte não está interessada em "conversações de seis partes" sobre as questões nucleares. O que ela deseja é conversações com os Estados Unidos, com a condição de que seja aceito o status de potência nuclear da Coreia do Norte - o que é inaceitável.

Nos últimos meses, a Coreia do Norte cancelou algumas reformas econômicas e projetos de cooperação econômica com a Coreia do Sul. Enquanto isso, ela continua a falsificar notas de US$ 100 - o produto de melhor qualidade fabricado pela Coreia do Norte - e as suas embaixadas no Paquistão e em outros países arrecadam dinheiro contrabandeando drogas, bebidas alcoólicas e moeda estrangeira. A Coreia do Norte libertou as reféns norte-americanas, mas continua mantendo sul-coreanos na prisão. E aquele é o Estado mais totalitário da história: eu vi nas casas norte-coreanas os auto-falantes nas paredes que acordam as pessoas com propagandas governamentais todas as manhãs. E o mais bizarro é que bebês trigêmeos são tomados dos pais e criados pelo Estado, por serem considerados um símbolo de boa sorte.

Este é um caso no qual não existem boas opções, e uma revolução a partir das bases é quase impossível. Os norte-coreanos, mesmo aqueles que estão na China e detestam o regime, concordam unanimemente que a maioria dos cidadãos comuns do país acredita na propaganda estatal. De fato, o índice de aprovação de Kim Jong-il na Coreia do Norte pode ser bem mais elevado do que o do presidente Barack Obama nos Estados Unidos.

A nossa melhor aposta será continuar apoiando as negociações, incluindo um canal por trás dos bastidores que concentre-se na substância, e não no protocolo, e também os intercâmbios econômicos e culturais. Mas tudo isso apoiado por porretes. O governo Obama trabalha atualmente com aliados para reinstituir as sanções econômicas e financeiras que há alguns anos foram capazes de apertar o regime norte-coreano. A China está se mostrando surpreendentemente cooperativa, chegando até mesmo a interceptar discretamente vários carregamentos de materiais úteis para os programas de armas de destruição em massa.

Quando tivermos relatórios de inteligência informando que navios norte-coreanos estão transferindo materiais ou tecnologias nucleares para um país como Mianmar ou o Irã, devemos ir além e abordar essas embarcações. Essa é uma medida extrema, mas seria um pesadelo se o Irã decidisse simplesmente poupar tempo e comprar uma ou duas armas nucleares da Coreia do Norte. Nós não podemos permitir que isso aconteça.

COREIA DO NORTE

  • Arte UOL

Tradução: UOL

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