UOL Notícias Internacional
 

08/08/2009

EUA acreditam que o chefe do Taleban paquistanês esteja morto

The New York Times
Pir Zubair Shah, Sabrina Tavernise e Mark Mazzetti
Em Islamabad (Paquistão)
Autoridades paquistanesas e americanas disseram na sexta-feira que estão cada vez mais convencidas de que um ataque com aeronave não-tripulada, dois dias antes, matou Baitullah Mehsud, o inimigo público Nº1 do Paquistão e líder de seu movimento Taleban.

Apesar de Mehsud ter sido uma figura chave que manteve unida a rede livre e díspar de militantes no Paquistão, especialistas disseram que sua morte não representaria o fim da insurreição do Taleban, seus laços com a Al Qaeda ou seu avanço pelo território paquistanês.

  • AFP PHOTO/A MAJEED

    Imagem de 2004 mostra Baitullah Mehsud

Mehsud, um militante na faixa dos 30 anos cuja prioridade era atacar dentro do Paquistão, foi acusado do assassinato da ex-primeira-ministra Benazir Bhutto, em dezembro de 2007, e vários atentados suicidas, incluindo um contra o hotel Marriott em Islamabad, que matou mais de 50 pessoas em setembro de 2008.

O ataque com a aeronave não-tripulada foi o resultado de meses de cooperação estreita entre as agências de inteligência paquistanesas e americanas. Mas a morte de Mehsud levanta questões sobre quão longe as autoridades paquistanesas estão dispostas a ir para esmagar o que resta do Taleban paquistanês -e quão duramente o governo Obama continuará a pressioná-las. A insurreição do Taleban do outro lado da fronteira, no Afeganistão, não deverá ser afetada.

A rede de Mehsud na verdade parece ter elos fracos, como confirmaram as autoridades na sexta-feira, de que a inteligência a respeito do paradeiro de Mehsud veio em parte de informantes de dentro da rede deste, que foram comprados por espiões paquistaneses.

Os paquistaneses que conheciam Mehsud disseram que ele se transformou em um agente menos ativo desde que uma doença séria nos rins se tornou mais aguda. Vários analistas também notaram a tendência dos oficiais militares de se concentrarem excessivamente em uma só pessoa -como Abu Musab Al Zarqawi, chefe da Al Qaeda no Iraque, cuja morte em 2006 não conteve a violência no Iraque.

"A guerra não terminará", disse o general Javed Ashraf Qazi, ex-diretor geral dos Interserviços de Inteligência, a agência de espionagem do Paquistão, em uma entrevista. "O resto do seu grupo ainda está intacto, o homem que preparou os homens-bomba ainda está vivo. Uma ação do exército ainda é necessária para pegá-los."

O ataque com míssil na quarta-feira, com uma aeronave não-tripulada da CIA, ocorreu enquanto Mehsud, um diabético, estava tomando soro para seu problema nos rins, segundo dois combatentes do Taleban contatados por telefone na sexta-feira.

Ele estava sob os cuidados de uma de suas esposas naquele momento, disseram os combatentes, e os oficiais de segurança paquistaneses, que assistiram ao vídeo americano do ataque, aparentemente gravado pela aeronave, disseram que eles estavam juntos na cobertura.

Ambos estavam na casa de seu sogro, Mulvi Ikramuddin, na aldeia de Zanghara, no Waziristão do Sul. O irmão de Ikramuddin, um médico, estava tratando dele, disseram os combatentes do Taleban.

"Era possível vê-lo claramente com sua esposa", disse o alto oficial de segurança que viu o vídeo. "Sobrou seu tronco, enquanto metade do corpo foi explodida."

Uma autoridade de contraterrorismo paquistanesa disse que foi confirmada a morte de 12 pessoas no ataque, incluindo Mehsud, sua esposa, seu sogro, sogra, um comandante não identificado e sete guarda-costas.

O ataque de quarta-feira, disse uma autoridade de contraterrorismo americana, foi resultado do compartilhamento constante de inteligência entre os serviços de espionagem americanos e paquistaneses, que melhorou após uma visita sigilosa a Washington em abril do general Ahmed Shuja Pasha, o chefe dos Interserviços de Inteligência do Paquistão, para se encontrar com seu par da CIA, Leon E. Panetta.

Apesar das autoridades paquistanesas ainda não terem confirmado publicamente a morte até sexta-feira -o ministro do Interior, Rehman Malik, disse que estavam aguardando por provas, como pertences pessoais- nos bastidores o próximo passo já está sendo planejado. "Isto é 100%", disse um alto oficial de inteligência paquistanês. "Ele está morto e enterrado."

Autoridades americanas disseram na sexta-feira que não diriam de forma definitiva que Mehsud está morto, em parte por ser difícil obter evidências periciais para corroborar a afirmação. Mas estavam claramente confiantes de que o líder militante foi morto pelo ataque de quarta-feira.

"Apesar de não estar 100% confirmado, há muita confiança de que Mehsud está morto", disse uma autoridade americana de contraterrorismo. "Se ele partiu, sua morte representaria uma grande abertura para a realização de uma ofensiva contra sua organização e seus aliados da Al Qaeda."

As autoridades americanas disseram que o governo Obama adoraria explorar a morte de Mehsud de várias formas. Os Estados Unidos provavelmente pressionarão o governo paquistanês a adotar uma ação mais agressiva contra os grupos militantes que usam refúgios no Paquistão para lançar ataques no Afeganistão.

Tradução: George El Khouri Andolfato

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