UOL Notícias Internacional
 

08/08/2009

O retorno da diplomacia dos Clintons

The New York Times
Douglas H. Paal
Em Washington (EUA)
As críticas de alguns de meus companheiros republicanos contra o sucesso do ex-presidente Bill Clinton e da secretária de Estado, Hillary Clinton, na soltura das duas jornalistas americanas de um gulag na Coreia do Norte são indevidas. O comportamento dos Clintons demonstrou respeito pela perícia de seus conselheiros e moderação do ponto de vista político. Qualquer ganho de propaganda por parte do regime norte-coreano será breve e limitado. É até mesmo possível que o episódio tenha um efeito positivo em nossas problemáticas negociações nucleares.

  • AP Photo/Korean Central News Agency via Korea News Service

    Foto divulgada pela agência estatal de notícias da Coreia do Norte mostra o ex-presidente dos EUA Bill Clinton ao lado do líder norte-coreano Kim Jong Il, durante encontro em Pyongyang


Desde que as jornalistas, Laura Ling e Euna Lee, foram capturadas em março na fronteira da Coreia do Norte com a China, os Estados Unidos tiveram pouca vantagem diplomática. O governo Obama tinha duas opções: exigir a soltura delas em um tom alto e ameaçador ou usar inteligência e disciplina.

Alguns comentaristas estão sugerindo que as ações dos Clintons demonstraram a fraqueza americana ao expressar arrependimento para um ditador impiedoso. Esses críticos precisam se perguntar: como uma abordagem mais agressiva teria obtido a soltura dessas duas mulheres de uma sentença de 12 anos de trabalhos forçados?

Episódios anteriores de incursões de americanos na Coreia do Norte -incluindo um piloto de helicóptero americano capturado em 1994, que foi solto depois que Bill Richardson, na época um membro do Congresso, viajou para Pyongyang -nos ensinaram o padrão. Primeiro, a Coreia do Norte protesta contra as violações de seu território. Então ela ameaça ou sentencia os indivíduos. Finalmente, negociações entre diplomatas norte-coreanos, intermediários privados e autoridades americanas chegam a uma forma do Norte recuar sem comprometer sua imagem.

Inflar os egos dos líderes de Pyongyang não é algo agradável. Veja a expressão séria de Bill Clinton nas fotos dele com Kim. Mas é um meio comprovado para se chegar ao fim desejado.

A posição pública do governo Obama foi digna e correta o tempo todo. A sra. Clinton reconheceu acertadamente a autoridade do sistema legal norte-coreano ao fazer um pedido público por clemência e Bill Clinton entregou o pedido pessoalmente. A alternativa -caso os funcionários do governo tivessem se queixado das muitas perversões do sistema norte-coreano- não teria trazido as jornalistas para casa.

O governo também merece crédito por insistir que essas negociações não tinham nada a ver com os esforços para penalizar a Coreia do Norte por sua beligerância. Ele pressiona por dois conjuntos de sanções no Conselho de Segurança da ONU após o teste norte-coreano de um míssil de longo alcance em abril e um teste nuclear em maio. Será que a visita de Bill Clinton será um ponto de virada nas relações com a Coreia do Norte? Isso depende mais de Pyongyang do que de Washington. Kim Jong-il, que teria tido um derrame no ano passado, parece frágil, mas não está necessariamente morrendo. Ele parece ter concluído seus esforços para mobilizar o apoio militar ao seu plano para que seu filho de 26 anos seja seu sucessor. Agora ele pode estar pronto para exibir uma face mais cooperativa ao mundo exterior, mesmo que apenas por motivos políticos domésticos.

Em qualquer nova negociação, é claro, nós podemos esperar que Pyongyang tentará todo tipo de reversão diplomática para aumentar sua vantagem e obter retornos maiores. Felizmente, o governo Obama provou ser cauteloso. Por exemplo, ele recusou as ofertas da Coreia do Norte de retomar as negociações bilaterais a menos que Pyongyang concorde em voltar aos acordos acertados durante as negociações envolvendo seis partes, que no momento estão estagnadas.

Se as tensões começarem a esfriar e a Coreia do Norte se mostrar mais aberta a negociações legítimas, então a diplomacia de Clinton terá ajudado a produzir dividendos inesperados. Por ora, entretanto, basta que duas de nossas cidadãs tenham voltado dos portões do Inferno com a dignidade da América intacta.

(Douglas H. Paal, o vice-presidente de estudos do Fundo Carnegie para a Paz Internacional, serviu nas equipes do Conselho de Segurança Nacional dos presidentes Ronald Reagan e George H.W. Bush e foi o principal representante americano em Taiwan sob o presidente George W. Bush.)

Tradução: George El Khouri Andolfato

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