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11/08/2009

Obama diz que mudanças na lei de imigração terão que esperar até 2010

The New York Times
Ginger Thompson e Marc Lacey
Em Guadalajara (México)
Ladeado pelos dirigentes do México e do Canadá, o presidente Barack Obama reiterou na segunda-feira (10/08) o seu compromisso com a implementação de uma reforma ampla da lei de imigração, apesar da sua agenda política cheia e da forte oposição que tal iniciativa provavelmente enfrentará.

Obama previu que terá sucesso, mas admitiu que há desafios ao afirmar: "Tenho muitos problemas nas mãos". Ele acrescentou que é quase certo que surjam "demagogos que procuram dar a entender que qualquer rota rumo à legalização daqueles imigrantes que já se encontram nos Estados Unidos é inaceitável".
  • J. Scott Applewhite/AP

    Obama retorna à Casa Branca após a viagem diplomática a Guadalajara, no México, onde afirmou que a reforma da lei de imigração ficará para 2010



Mas, no comentário até o momento mais detalhado sobre o seu cronograma de ação, o presidente afirmou esperar que o Congresso controlado pelos democratas - após concluir os trabalhos sobre o sistema de saúde, a energia e a regulação financeira - redija as legislações de imigração neste ano. Ele afirmou ainda que começará a trabalhar pela aprovação dessas legislações em 2010.

"Mas será que eu vou estalar os dedos e fazer com que elas sejam aprovadas? Não", disse o presidente. "Mas acredito que os norte-americanos desejam justiça. E nós podemos criar um sistema no qual tenhamos uma segurança de fronteira mais forte e um processo ordeiro para que as pessoas venham para os Estados Unidos. Mas nós também estamos dando uma oportunidade para que aqueles que já estão nos Estados Unidos contem com uma rota rumo à cidadania, de forma que não tenham que viver nas sombras".

Os comentários do presidente ocorreram durante uma entrevista coletiva à imprensa no final de uma reunião de cúpula dos líderes norte-americanos. O objetivo do encontro foi aumentar a cooperação na América do Norte no que se refere a vários problemas comuns e à resolução de algumas outras questões que há muito perturbam as relações trilaterais entre países cujos povos e economias dependem bastante uns dos outros.

Durante as reuniões, que tiveram início na tarde do último domingo, Obama, o presidente do México, Felipe Calderon, e o primeiro-ministro do Canadá, Steven Harper, falaram sobre mudança climática global e fontes limpas de energia, gripe suína, imigração, comércio e a ameaça crescente representada pelo crime organizado.

Embora tenha ficado claro na entrevista coletiva da segunda-feira que os três líderes não chegaram a nenhum novo acordo significativo, eles manifestaram que compreendem as posições mútuas e prometeram que continuarão trabalhando no sentido de resolver as disputas mais importantes.

Harper, por exemplo, manteve a decisão tomada um mês atrás de exigir que os mexicanos se inscrevam para obterem vistos, mas disse que os problemas são do Canadá, e não do México. "É simplesmente muito fácil apresentar um falso pedido de refúgio político como forma de entrar no Canadá", disse Harper. "E precisamos mudar isso".

Uma medida determinando a compra de produtos estadunidenses (conhecida como "Buy American"), vinculada ao pacote de estímulo dos Estados Unidos, deu início a uma tempestade política no Canadá, o mais importante parceiro comercial dos Estados Unidos. Mas, na segunda-feira, Obama minimizou a amplitude do programa, dizendo que foi algo que ele aceitou relutantemente para atingir a meta maior de injetar dinheiro na debilitada economia dos Estados Unidos.

"Creio que é importante enxergar isso sob uma perspectiva correta", afirmou Obama. "Esta medida não ameaçou de forma alguma os bilhões de dólares em comércio entre os dois países".

Obama defendeu energicamente as tentativas de Calderon de coibir os cartéis do narcotráfico, uma luta que deixou quase 4.200 pessoas mortas neste ano. Recentemente, o senador Patrick Leahy, democrata do Estado de Vermont, manifestou preocupações quanto ao abuso de direitos humanos na guerra contra o narcotráfico, e legisladores democratas ameaçaram cortar parte do auxílio financeiro ao México.

Na coletiva à imprensa, Obama afirmou categoricamente que continuará fazendo pressões pela continuidade do apoio dos Estados Unidos aos esforços mexicanos, e acrescentou: "Os maiores violadores atuais dos direitos humanos são, de longe, os cartéis que estão sequestrando e extorquindo pessoas e encorajando a corrupção".

Calderon fez a sua própria defesa acalorada, dizendo: "A luta, a batalha, o combate contra o crime organizado têm precisamente como objetivo preservar os direitos humanos do povo mexicano".

O supremo tribunal do México apoiou o exército na segunda-feira ao recusar-se a acatar uma ação movida por defensores dos direitos humanos que contestam o uso de promotores militares, em vez de civis, nos processo contra soldados renegados.

Se houve divisões quanto a outras questões, os três líderes pareceram estar unidos no apoio a Manuel Zelaya, o presidente hondurenho que foi deposto em 28 de junho naquilo que países de todo o mundo condenaram como sendo um golpe.

"Vou ser bem claro quanto à nossa crença em que o presidente Zelaya foi removido oficialmente do seu gabinete, em que isso foi um golpe e em que ele deve retornar", afirmou Obama. Ele qualificou de "hipocrisia" a crítica de alguns indivíduos na América Latina que acusaram os Estados Unidos de fazerem muito pouco para pressionar o governo de facto de Honduras a reconduzir Zelaya ao cargo - entre eles o próprio Zelaya.

"Os críticos que afirmam que os Estados Unidos não intervieram suficientemente em Honduras são as mesmas pessoas que disseram que nós sempre intervimos, e que os ianques precisam sair da América Latina", afirmou Obama.

Após a deposição de Zelaya, os Estados Unidos apoiaram a suspensão de Honduras da Organização dos Estados Americanos (OEA) e reduziram a assistência militar ao país em US$ 16,5 milhões. Os Estados Unidos, que são de longe o maior parceiro comercial de Honduras, têm relutado, no entanto, em pedir sanções econômicas mais duras contra o país centro-americano.

Críticos da abordagem de Washington, liderados pelo presidente Hugo Chávez, da Venezuela, acusam os Estados Unidos de atenderem aos interesses do pequeno grupo que constitui a elite hondurenha, e que é um dos que apoia a deposição de Zelaya. Autoridades graduadas do governo dos Estados Unidos dizem estar preocupadas com a desestabilização do terceiro país mais pobre do hemisfério.

Tradução: UOL

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