UOL Notícias Internacional
 

12/08/2009

Aliados de Chávez querem fechamento de campos de golfe

The New York Times
Simon Romero
Em Caracas (Venezuela)
O movimento político do presidente Hugo Chávez encontrou um novo alvo: o golfe.

Após uma breve crítica ao esporte feita pelo presidente na rede nacional de televisão no mês passado, autoridades públicas pró-Chávez mobilizaram-se nas últimas semanas para fechar dois dos mais conhecidos campos de golfe do país, em Maracay, uma cidade de quarteis militares perto daqui, bem como na cidade litorânea de Caraballeda.

"Deixemos isto bem claro", disse Chávez durante uma transmissão ao vivo no seu programa de televisão de domingo. "O golfe é um esporte burguês", afirmou o presidente, repetindo a palavra "burguês" como se estivesse engolindo óleo de rícino. Ele prosseguiu com a crítica, zombando do uso dos carrinhos de golfe, que, segundo ele, ilustram a preguiça inerente a esse esporte.
  • Jorge Silva/Reuters

    Os campos de golfe venezuelanos, como o do Country Club de Caracas, viraram alvos dos aliados de Chávez, que considera o esporte "burguês"



As amplas nacionalizações e os confiscos de bens promovidos pelo governo venezuelano estenderam-se para bem além da indústria petrolífera, e incluem torrefadoras de café, fazendas de gado e fábricas de processamento de tomate.

Caso o fechamento dos campos de golfe se materializem, o número desses campos extintos nos últimos três anos será de aproximadamente nove, segundo Julio L. Torres, diretor da Federação Venezuelana de Golfe. Um projeto na Ilha Margarita, de autoria do arquiteto norte-americano Robert Trent Jones Jr., e que seria o melhor campo de golfe da América do Sul, foi cancelado devido a problemas financeiros.

A maioria dos campos de golfe fechados fica nas regiões petrolíferas próximas a Maracaibo, no oeste da Venezuela, e no Estado de Monagas, no leste. Eles foram inicialmente construídos por norte-americanos que trabalhavam na indústria de produção de petróleo. O fato de Chávez ter demitido os dissidentes da companhia nacional de petróleo fez com que as suspeitas concentrassem-se nos campos de golfe, que eram vistas como redutos da velha elite.

Uma carência de habitações também fez com que o governo agisse, afirmou Chávez no mês passado, ao questionar por que Maracay tem tantas favelas enquanto o campo de golfe e o terreno do Hotel Maracay, uma obra estatal modernista decadente construída na década de cinquenta, estendem-se por cerca de 30 hectares de uma área imobiliária cobiçada.

"Tudo isso apenas para que algum grupo pequenino de burgueses e pequenos burgueses possa jogar golfe", disse ele durante o programa de televisão.
Em apoio a Chávez, que é um notório fã do beisebol, a mídia estatal daqui passou a atacar o golfe.

Mario Silva, um apresentador de televisão que lembra Bill O'Reilly e que tem um programa de comentários ácidos chamado "O Fio da Navalha" na rede estatal de TV (imaginem O'Reilly falando, tendo ao fundo retratos de Jesus, Chávez e Fidel Castro), disse aos telespectadores que o golfe é simplesmente um esporte da elite.

Os apoiadores de Chávez já atacaram o esporte em outras ocasiões. Juan Barreto, ex-prefeito de Caracas, tentou confiscar o campo de golfe de 18 buracos no Caracas Country Club para construir milhares de casas para os pobres em 2006. A medida provocou desentendimentos entre os chavistas, conforme são conhecidos os seguidores do presidente. Após uma batalha na justiça, Barreto recuou.

Críticos da campanha anti-golfe observam que a principal aliada da Venezuela, Cuba, está seguindo na direção oposta. Investidores canadenses e europeus querem construir até dez novos campos de golfe em Cuba como parte da iniciativa do governo cubano para aumentar as rendas com o turismo na ilha.

"A China tem mais de 300 campos de golfe, e vejam só o que está acontecendo aqui", critica Torres, o diretor da Federação Venezuelana de Golfe, citando um outro país comunista com o qual a Venezuela mantém boas relações. "Passaremos de 28 campos de golfe para 18".

Em Maracay, as autoridades estão pensando em construir casas de baixa renda no campo de golfe ou em transformá-lo em um campus da Universidade Bolivariana de Chávez. Em Caraballeda, estão adiantados os planos para transformar o campo de golfe em um parque para crianças.

Chávez, por sua vez, diz que não pretende proibir o golfe no país. "Eu respeito todos os esportes", afirma ele. "Mas há esportes e esportes. Esse é um esporte do povo?"

A seguir ele responde a própria pergunta: "Não, não é".

Tradução: UOL

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