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13/08/2009

Após sua morte, patrimônio de Michael Jackson poderá prosperar

The New York Times
Tim Arango
Quanto Michael Jackson vale morto?

Michael Jackson morreu há 48 dias, e enquanto a família do falecido astro pop ainda está em guerra com os executores de sua herança, a resposta àquela pergunta está se tornado clara: o cantor já ganhou US$ 100 milhões graças a um contrato para lançamento de um filme e vários contratos de merchandising, e os executores esperam a entrada de outros US$ 100 milhões até o final do ano.

"Claramente, esse é um novo recorde para patrimônios que provavelmente não serão partidos", disse John G. Branca, o advogado de longa data de Jackson que foi nomeado por este como co-executor da herança, juntamente com John McClain, um executivo da indústria musical e amigo da família Jackson.
  • Mike Segar/Reuters

    Após a morte, o cantor já ganhou US$ 100 milhões graças a contratos de filmes e merchandising, e deve lucrar mais US$ 100 milhões até o final do ano



Apesar de vários acordos comerciais terem sido fechados - para coisas como moedas comemorativas, uma linha de produtos escolares e um livro de mesa de US$ 150 - o desemaranhar da vasta herança, ativos e dívidas de Jackson prossegue, assim como a disputa com os membros da família.

Dinheiro foi coletado de ex-conselheiros que guardavam dinheiro para Jackson - vários milhões de dólares de um - e os executores rastrearam uma coleção de itens pessoais e outros de Jackson, que quase foram leiloados em abril para pagamento de dívidas. Os itens, que incluem obras de arte e várias das luvas brancas brilhantes que estavam no Rancho Neverland do cantor, foram guardados em vários locais ao redor de Los Angeles.

O modelo para o império de negócios póstumo de Jackson é Elvis Presley. "Quando você olha para o que o patrimônio de Presley fez, você vê as oportunidades", disse Branca. "Eu francamente acredito que este será um patrimônio maior."

O patrimônio de Elvis Presley gerou US$ 55 milhões em receita no ano passado, segundo a "Billboard", a revista da indústria musical. Em 2004, Robert Sillerman, um empresário musical de Nova York, comprou 85% da Elvis Presley Enterprises, a empresa responsável pelos direitos de propriedade intelectual de Elvis e por Graceland, por cerca de US$ 100 milhões.

Negócios à parte, Branca e McClain - um juiz os nomeou administradores especiais e poderá decidir em outubro nomeá-los executores permanentes - permanecem em desacordo com Katherine Jackson, a mãe de Michael, que é uma beneficiária de 40% da herança. Em julho, ela buscou retirar o controle dos executores sobre o patrimônio, mas um juiz negou seu pedido.

"Tanto McClain quanto Branca certamente estão cientes de nossas intenções de que a sra. Jackson tenha uma cadeira à mesa, porque acredito que suas sensibilidades a respeito do legado de Michael acrescentam uma dimensão muito importante e valiosa a qualquer tipo de plano", disse L. Londell McMillan, um advogado da sra. Jackson.

Mais recentemente, a sra. Jackson e sua equipe legal tentaram, em negociações nos bastidores, que ela fosse nomeada executora adicional ou uma co-curadora, uma ação que enfrentou a resistência de Branca e McClain, em parte por dizerem que caso um beneficiário também sirva como curador poderia resultar em maior pagamento de impostos.

Em vez disso, uma possibilidade mais provável é a de que um dos outros filhos da sra. Jackson seja nomeado co-executor ou co-curador, segundo Branca. McMillan disse sobre as implicações tributárias negativas potenciais que "não é uma posição legal que apoiamos. A pesquisa que fizemos permite que nosso pedido tenha isenção de impostos".

Apesar do testamento de Jackson estipular que Branca e McClain têm autoridade para dirigir os negócios do patrimônio, eles estão cientes de que seus esforços serão mais bem-sucedidos se as relações com a família Jackson forem amistosas. Branca disse: "Nós sempre estaremos abertos a um diálogo com a sra. Jackson a respeito do que é melhor para o patrimônio".

O patrimônio de Michael Jackson foi avaliado em várias centenas de milhões de dólares. Ele contém grandes ativos, incluindo uma participação acionária de 50% na Sony/ATV, uma editora musical que inclui os direitos do catálogo dos Beatles; o próprio catálogo de Michael Jackson; e o Rancho Neverland. Mas também há grandes dívidas, devido ao estilo gastador de Jackson. Apesar da participação de Michael Jackson na Sony/ATV valer cerca de US$ 500 milhões na época de sua morte, ela serve como garantia de uma dívida de cerca de US$ 300 milhões junto ao Barclays.

Apesar das especulações, disse Branca, "nós não contemplamos vender qualquer porção da Sony/ATV". Além de 2009, Branca e outros estimam que os negócios de Michael Jackson poderiam gerar entre US$ 50 milhões e US$ 100 milhões anualmente.

"Nós estamos muito otimistas a respeito da receita que geraremos", disse Howard Weitzman, um advogado do patrimônio. "Mas também temos que nos manter sérios a respeito das dívidas do patrimônio."

O valor geral dos negócios de Michael Jackson, caso fossem vendidos no futuro como foram os de Elvis Presley, provavelmente seria de várias centenas de milhões de dólares, disse Mark Roesler, presidente da CMG Worldwide, uma firma de licenciamento que trabalha com os patrimônios de Elvis, Marilyn Monroe e James Dean.

"Você conta com alguém que deixou uma marca em 6 bilhões de pessoas no mundo", disse Roesler. "Se você avaliar em US$ 110 milhões os direitos de propriedade intelectual de Elvis Presley, essa seria uma base. Certamente está na casa de centenas de milhões de dólares."

O próprio Rancho Neverland poderia se tornar uma futura fonte de dinheiro, assim como Graceland de Elvis. Alguns membros da família esperam que Michael Jackson seja enterrado lá, mas essa decisão ainda não foi tomada. Neverland é de propriedade de uma parceria com a Colony Capital, uma empresa imobiliária de Los Angeles que interveio quando Jackson estava à beira da execução de sua dívida.

Outra ideia é criar uma atração permanente de Michael Jackson em Las Vegas, que abrigaria os pertences pessoais do falecido cantor. Essa opção seria preferível em vez de Neverland, porque o acesso a Las Vegas é mais fácil aos turistas.

Em vida, Michael Jackson enfrentava um futuro financeiro precário, já que acumulava dívidas para financiar seus gostos por arte, suas viagens em jatos particulares e a manutenção de Neverland. Na morte, seu patrimônio poderia desfrutar de uma segurança financeira que ele nunca teve.

Tradução: George El Khouri Andolfato

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