UOL Notícias Internacional
 

20/08/2009

Escócia pode libertar líbio condenado pelo atentado de Lockerbie

The New York Times
John F. Burns
Em Londres (Reino Unido)
O governo escocês disse na quarta-feira que uma decisão final foi tomada a respeito da soltura do prisioneiro líbio condenado pelo atentado a bomba contra o voo 103 da Pan Am, sobre a cidade de Lockerbie em dezembro de 1988, e há fortes sinais de que o prisioneiro, Abdel Basset Ali-al-Megrahi, seria enviado para a Líbia nesta quinta-feira.

O governo disse apenas que o ministro da Justiça, Kenny MacAskill, tornaria sua decisão conhecida às 13 horas de quinta-feira, horário local. Mas o canal de televisão "Sky News", citando funcionários não identificados do Ministério da Justiça escocês, disseram que planos foram feitos para o envio de Megrahi para a Líbia de um aeroporto próximo de Glasgow, em um jato enviado pelo líder líbio, o coronel Muammar Gaddafi, assim que sua soltura fosse formalmente anunciada.
  • Scott Olson/Getty Images/AFP

    Destroços do Boeing 747 da Pan Am que viajava de Londres para Nova York e explodiu no ar sobre a cidade de Lockerbie, na Escócia, em 1988, matando as 259 pessoas a bordo e outras 11 em terra. Tratava-se de um atentado a bomba atribuído ao líbio Abdel Basset al Megrahi


Um alto funcionário do governo escocês disse, em uma entrevista por telefone na noite de quarta-feira, que a decisão de MacAskill foi tomada apenas por ele, e que ele não informou ao Gabinete escocês qual seria sua decisão quando discutiu o caso de Megrahi na terça-feira.

Mas o funcionário disse que as autoridades escocesas estavam preparadas para uma reação hostil por parte dos Estados Unidos, sugerindo que MacAskill passaria por cima das vigorosas objeções à soltura de Megrahi por parte das famílias de muitos dos 180 americanos que morreram no atentado.

As famílias foram apoiadas na quarta-feira pela secretária de Estado americana, Hillary Rodham Clinton, que disse que seria "absolutamente errado" soltar Megrahi. "Nós ainda estamos encorajando as autoridades escocesas a não fazê-lo, e esperamos que não farão", disse Clinton.

O funcionário escocês que discutiu o caso disse que a decisão de MacAskill de qualquer forma provocaria revolta. "Independente da decisão que tome, ele vai irritar algumas pessoas", ele disse, falando anonimamente por não estar autorizado a comentar oficialmente. Ele acrescentou: "Há muitos representantes de famílias britânicas que perderam parentes no atentado que sentem fortemente que Megrahi deve ser solto".

Megrahi, 57 anos, um ex-agente da inteligência líbia que trabalhava disfarçado na companhia aérea nacional da Líbia, é a única pessoa condenada pelo atentado de 21 de dezembro de 1988, que matou todos os 259 passageiros e tripulantes, assim como 11 pessoas no solo em Lockerbie, a cidade de fronteira escocesa onde caíram os destroços do avião. Ele está cumprindo pena de prisão perpétua, com um mínimo de 27 anos, em uma prisão a oeste de Glasgow.

Um tribunal especial escocês que ouviu o caso na Holanda, considerou Megrahi culpado de homicídio e outros crimes relacionados ao atentado em 2001, mas inocentou outro líbio julgado com ele.

Megrahi nunca reconheceu sua culpa e estava envolvido em uma segunda apelação neste ano, quando médicos na Escócia o diagnosticaram com um caso terminal de câncer de próstata.

Com sua saúde pesando como um fator potencialmente decisivo no caso, o governo Líbio arranjou para que um importante especialista em câncer britânico, o dr. Karol Sikora, o examinasse no final de julho, juntamente com um especialista líbio em câncer. Na quarta-feira, Sikora pediu que uma decisão urgente fosse tomada no caso, dizendo que Megrahi "tem apenas um curto período de vida".

MacAskill, a autoridade responsável pelo caso, vinha considerando três opções: a soltura de Megrahi para que voltasse para sua casa e família em Trípoli, sob um artigo da lei escocesa que concede soltura compassiva a presos com doenças terminais; considerá-lo apto ao retorno para a Líbia segundo um acordo de transferência de prisioneiros entre a Líbia e o Reino Unido, que entrou em vigor em abril; ou decidir que ele deve continuar cumprindo sua pena na Escócia.

Não ficou claro na quarta-feira qual base para a aprovação do retorno de Megrahi à Líbia foi escolhida por MacAskill. Mas vários órgãos de imprensa britânicos, incluindo a "BBC", disseram que o caminho mais provável seria o do retorno do líbio ao seu país segundo o tratado de transferência de prisioneiros. Isso, segundo eles, poderia ser menos ofensivo para as famílias americanas que têm atuado no caso do que ver Megrahi retornar à Líbia como um homem livre.

As chances da soltura ocorrer sob o acordo de transferência pareceram aumentar no início desta semana, quando os advogados de Megrahi pediram com sucesso em um tribunal escocês a retirada da apelação de sua condenação em 2001, cujo julgamento seria retomado em setembro. A apelação se baseava na alegação dos advogados de Megrahi de que ele foi identificado erroneamente no julgamento como sendo o homem que comprou roupas em uma loja em Malta, que foram usadas para envolver a bomba.

Uma reportagem da "BBC" em Trípoli disse que as autoridades estavam preparando uma recepção calorosa a Megrahi, que pertence a uma tribo poderosa que é uma aliada política de Gaddafi.

Mas muitas famílias americanas que perderam parentes no atentado permanecem inflexíveis em sua oposição à soltura do Líbio.

"Se fosse Bin Laden ou um dos comandantes de Bin Laden que estivesse na prisão, será que estaríamos tendo esta discussão? Eu acho que não", disse Stephanie Bernstein, cujo marido, Michael, foi morto. "Eu acho que isso tem a ver com petróleo. Eu acho que tem a ver com política. E acho que não tem nada a ver com justiça."

Tradução: George El Khouri Andolfato

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