UOL Notícias Internacional
 

20/08/2009

Obama chama reforma da saúde de "obrigação moral"

The New York Times
Jeff Zeleny e Carl Hulse
Em Washington (EUA)
O presidente Barack Obama buscou na quarta-feira reenquadrar o debate sobre a reforma da saúde como "uma obrigação moral e ética fundamental", implorando a uma coalizão de líderes religiosos para ajudar a promover o plano para baixar os custos e expandir a cobertura de saúde para todos os americanos.

"Eu sei que há muita desinformação neste debate, e há muita gente lá fora dando falso testemunho", disse Obama para um grupo de pastores, rabinos e outros líderes religiosos que apoiam a reforma do sistema de saúde do país.
  • Scott Olson/Getty Images/AFP


Enquanto o presidente retomava o debate da reforma da saúde após dois dias de silêncio, o governo encorajava os republicanos a participarem das negociações. Ainda assim, os líderes democratas seguiram em frente com o plano de dar andamento à medida no próximo mês, com ou sem a cooperação dos republicanos.

A Casa Branca reconheceu que a forma como está lidando com o debate tem sido inconsistente, com Robert Gibbs, o secretário de imprensa, dizendo: "Eu não acho que alguém aqui acredite que temos feito um bom trabalho".

Obama não tratou da agitação entre os democratas sobre se o projeto de lei teria um componente de seguro público - um ponto chave de atrito - mas sim buscou corrigir o que ele disse ser inverdades a respeito do plano. "Vocês ouviram que representaria uma tomada pelo governo do sistema de saúde. Não é verdade", disse Obama, que prosseguiu chamando outras afirmações, como o painel da morte para os idosos, de "uma mentira extraordinária".

Os membros do Congresso envolvidos nos debates bipartidários sobre a reforma da saúde permaneciam determinados a tentar chegar a um acordo, com o senador Max Baucus do Estado de Montana, o presidente democrata do Comitê de Finanças, dizendo que "o progresso bipartidário continua" apesar dos legisladores estarem dispersos pelo recesso.

"O Comitê de Finanças está no curso de obter um acordo bipartidário em torno de uma reforma abrangente da saúde que possa ser aprovada pelo Senado", disse Baucus em uma declaração.

Os seis negociadores deverão realizar consultas por meio de teleconferência na quinta-feira, apesar dos planos para se encontrarem pessoalmente durante o recesso claramente estarem suspensos por ora.

O senador Charles E. Grassley do Estado de Iowa, o líder da bancada republicana no painel, disse em uma declaração que nenhum plano para reforma da saúde foi encontrado que conte com o amplo apoio que ele considera necessário para seguir em frente.

"Isso não significa que devemos desistir", disse Grassley.

As fortes críticas de Grassley às propostas democratas para a saúde -somadas à rejeição quase completa por parte de outros republicanos - levaram importantes democratas a suspeitar que nenhum republicano estaria disposto a votar a favor do plano de reforma da saúde.

Um porta-voz do líder da maioria no Senado, Harry Reid do Estado de Nevada, disse que a liderança ainda não chegou a uma decisão de que os democratas devem tentar forçar a aprovação do plano por conta própria.

O porta-voz, Jim Manley, disse que os democratas prefeririam dar prosseguimento de uma forma bipartidária. Mas o Comitê de Finanças tem um prazo informal de 15 de setembro para chegar a um acordo, e Manley indicou que os democratas não esperarão para sempre.

"A paciência não é ilimitada e estamos determinados a fazer algo neste ano, por quaisquer meios legislativos necessários", disse Manley, levantando a perspectiva do uso de procedimentos que bloqueiem as obstruções contra o projeto da saúde.

Com os democratas vendo suas esperanças de um acordo bipartidário diminuírem, os republicanos buscaram assegurar que não receberiam a culpa em caso de um fracasso.

O deputado John A. Boehner de Ohio, o líder republicano na Câmara, disse que os democratas estão buscando uma legislação de saúde por conta própria há meses, ignorando as ofertas republicanas de explorar pontos em comum.

Boehner se juntou a outros republicanos no ataque às propostas atuais, dizendo que levariam a um racionamento do atendimento e dizendo que outras alegações feitas pelos democratas são falsas - uma ilustração de quão distantes republicanos e democratas estão no assunto.

Em uma conversa por telefone com os líderes religiosos no fim da tarde de quarta-feira, Obama destacou a dificuldade do debate da reforma da saúde em termos maiores do que sua presidência, o comparando à criação do Seguro Social e do Medicare (o seguro saúde público para idosos e inválidos).

"Essas lutas sempre se resumirão a uma disputa entre a esperança e o medo", ele disse. "Foi assim no debate sobre o Seguro Social, quando Franklin Delano Roosevelt foi acusado de ser um socialista. Também foi assim quando John Fitzgerald Kennedy e Lyndon Johnson tentaram aprovar o Medicare. E vale para o debate atual."

Tradução: George El Khouri Andolfato

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    16h59

    0,12
    3,283
    Outras moedas
  • Bovespa

    17h21

    -0,05
    63.226,79
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host