UOL Notícias Internacional
 

26/08/2009

Acusações de ampla fraude enquanto afegãos apuram os votos

The New York Times
Carlotta Gall
Em Cabul (Afeganistão)
Os resultados preliminares da eleição no Afeganistão deram tanto ao presidente Hamid Karzai quanto ao seu principal adversário, Abdullah Abdullah, quase 40% dos votos na terça-feira, enquanto o acúmulo de acusações de fraude coloca em dúvida a credibilidade da eleição.
  • Tyler Hicks/The New York Times

    Em coletiva de imprensa, Abdullah segurava um livro inteiro de cédulas e folheou as páginas para mostrar que todas elas estavam preenchidas, aparentemente antes do dia da eleição, para Karzai



Os resultados parciais foram baseados em apenas 10% dos votos de uma série de províncias e pareciam cuidadosamente equilibrados, visando manter as emoções calmas enquanto as autoridades sofrem uma pressão crescente de ambos os lados para demonstrar que a eleição presidencial, que ocorreu cinco dias antes, foi justa.

Mas enquanto as autoridades eleitorais anunciavam os primeiros resultados parciais, os candidatos presidenciais apresentavam um número crescente de evidências de manipulação de votos. Grande parte delas parecia favorecer Karzai e, em alguns casos, com a cumplicidade das autoridades eleitorais ou de segurança.

O que foi apresentado incluía maços de cédulas preenchidas e carimbadas para um candidato, vídeos de celulares mostrando mesários e outros preenchendo cédulas e enchendo as urnas diante de policiais locais e pessoal de segurança, assim como votos que eles disseram ter sido retirados das urnas e jogados fora.

Em uma coletiva de imprensa em sua casa em Cabul, Abdullah segurava um livro inteiro de cédulas e folheou as páginas para mostrar que todas elas estavam preenchidas e carimbadas, aparentemente antes do dia da eleição, para Karzai. Segundo ele, cabos eleitorais pegaram as cédulas e as trouxeram para ele.

Ele também exibiu uma série de fotos mostrando um homem que ele disse que conhecia, votando várias vezes, assim como um vídeo de uma autoridade eleitoral local enchendo as urnas pessoalmente.

Raio-X do Afeganistão

  • UOL Arte


    Área: 652.230 km² (sem saída para o mar)

    População: 33 milhões

    Urbanização: 24% da população é urbana

    Taxa de fertilidade: 6,5 crianças nascidas por mulher (4º maior do mundo)

    Mortalidade infantil: 151 mortes por 1000 nascimentos (3º maior do mundo)

    Expectativa de vida ao nascer: 44,5 anos

    Grupos étnicos: pashtun (42%), tajik (27%), hazara (9%), usbeque (9%) e outros

    Religião: sunitas (80%), xiitas (19%), outros

    Alfabetização: homens, 43%; mulheres, 12%

    Taxa de desemprego: 40%

    Fonte: CIA World Factbook 2009



"Logo, em que parte do processo devemos confiar?" ele disse para um grande número de jornalistas e fotógrafos. "Estas são algumas poucas evidências entre milhares."

Ele pediu aos monitores internacionais, às autoridades eleitorais e aos diplomatas que estão acompanhando o processo que não permitam que a fraude vingue.

Um grupo de seis outros candidatos presidenciais deu às organizações de notícias uma carta aberta, denunciando ampla fraude e intimidação na eleição.

"Fraude na eleição poderia resultar em maior tensão e violência, e milhões de afegãos por todo o país estão preocupados", os seis candidatos, incluindo o ex-ministro das finanças, Ashraf Ghani, e uma das duas candidatas do sexo feminino, Frozan Fana, disseram em sua declaração conjunta.

Enquanto crescia a contestação, um poderoso caminhão-bomba sacudiu a cidade natal de Karzai, Kandahar, enquanto seus moradores quebravam o jejum do Ramadã, um novo lembrete da ameaça insurgente que manteve muitos afegãos longe das urnas na última quinta-feira. Representantes dos hospitais disseram que pelo menos 30 pessoas morreram e 56 ficaram feridas, a maioria civis.

A violência e a briga política deixaram as autoridades ocidentais e afegãs pedindo calma e paciência, enquanto as autoridades eleitorais realizavam a apuração dos votos e investigavam as irregularidades, um processo que pode adiar em semanas o anúncio de um vencedor ou mesmo se um segundo turno será necessário.

As irregularidades e insegurança, assim como a localização remota de alguns distritos eleitorais, em um país pobre, com terreno acidentado e estradas e comunicações ruins, se somavam para contribuir com a lentidão da apuração.

O emissário especial americano para a região, Richard C. Holbrooke, disse que era prematuro interpretar os resultados.

"Foram apurados 10% dos votos", ele disse aos repórteres que o acompanhavam durante uma visita à Turquia. "Imaginem uma eleição americana com 10% apurados. Não se declara o resultado final com 10%."

As autoridades eleitorais e monitores também enfatizaram que os resultados anunciados na terça-feira não bastavam para projetar o resultado final. Eles mostravam Karzai à frente com 38% dos votos e Abdullah com 36,5%. Apenas pouco mais de meio milhão de votos foram apurados de 10% dos locais de votação por todo o país, disse Daoud Ali Najafi, vice-diretor da comissão eleitoral.

Mais de 50% dos votos são necessários para evitar o segundo turno, e os simpatizantes de Karzai alegam que o presidente tem 68%. Abdullah, um ex-ministro das Relações Exteriores, também alega estar à frente.

A eleição -apenas a segunda do Afeganistão para presidente- está sendo realizada pelas autoridades afegãs, mas especialistas da ONU estão estreitamente envolvidos e permanecem uma presença robusta, disse um observador internacional.

Alguns dos observadores, que não quiseram ser identificados enquanto os votos ainda estão sendo apurados, disseram que apesar de haver indícios de que fraude ocorreu em grande escala, os procedimentos de apuração devem pegar grande parte das fraudes mais evidentes.

Tradução: George El Khouri Andolfato

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