UOL Notícias Internacional
 

27/08/2009

Morte de líder político xiita abala grande partido iraquiano

The New York Times
Marc Santora
Em Bagdá (Iraque)
Uma das figuras mais importantes do Iraque pós-Saddam Hussein, Abdul Aziz al Hakim, um xiita com antigos laços com o Irã, mas também um defensor da invasão americana, morreu na quarta-feira.

Sua morte por câncer, aos 59 anos, foi um duro golpe para o partido político que ele liderava, o Conselho Supremo Islâmico do Iraque, que despontou após a guerra como o partido político dominante do país. Mas ele tem perdido apoio ao longo do último ano e, nesta semana, anunciou uma nova aliança com o partido leal ao herdeiro de outra família xiita reverenciada, o clérigo antiamericano Muqtada al Sadr.
  • Samir Mizban/AP

    A morte do líder xiita Abdul Aziz al Hakim também levanta dúvidas sobre a influência do Irã no Iraque



Ainda assim, membros do Conselho Supremo mantêm cargos de comando em ministérios importantes e no Parlamento. O grupo dirige organizações de caridade, bibliotecas, escolas e conta com uma grande rede de apoio, que remonta a época em que o pai de Al Hakim, o grão-aiatolá Mohsen al Hakim, era um dos maiores líderes espirituais xiitas do mundo.

O partido exerce um papel vital na estabilidade do país, assim como sua milícia, conhecida como Brigadas Badr, foi absorvida pelo aparato de segurança do governo.

A morte de Al Hakim também levanta dúvidas sobre o papel do Irã no Iraque. Seus laços estreitos com o Irã foram ressaltados pelas notícias de que ele morreu em um hospital em Teerã e que o primeiro velório aberto ao público seria realizado lá, antes dele ser transportado para Bagdá na quinta-feira, e então para a cidade sagrada de Najaf para o enterro.

Em um sinal do respeito que comandava, a televisão estatal esteve repleta de tributos a ele, com importantes figuras iraquianas e americanas emitindo declarações de elogio.

"Hakim foi um grande irmão e um forte defensor durante a fase de combate ao antigo regime, assim como um pilar no processo de construção do novo Iraque", disse o primeiro-ministro Nouri Kamal al Maliki. "Sua partida neste momento sensível de nossa vida é uma perda imensa para o Iraque."

O embaixador americano, Christopher R. Hill, e o general Ray Odierno, o comandante das forças americanas no Iraque, emitiram uma declaração conjunta elogiando sua "coragem e fortaleza" na "construção de um novo Iraque".

Para muitos xiitas no Iraque, Al Hakim, que fugiu do país em 1982, representava sua resistência e sofrimento. Enquanto esteve no exílio no Irã, ele ajudou a estabelecer a organização que viria a liderar, chamada Conselho Supremo para a Revolução Islâmica no Iraque. A principal meta do grupo era derrubar Saddam Hussein.

Al Hakim liderou a milícia do grupo e lutou pelo Irã nos oito anos de guerra contra o Iraque. Durante essa época, seis dos seus sete irmãos que permaneceram no Iraque foram executados.

Essa história de insurreição lhe rendeu o apoio dos americanos após a invasão, mas também fez com que muitos sunitas o vissem e ao seu partido com desconfiança.

Logo após a invasão americana em 2003, o irmão sobrevivente de Al Hakim foi assassinado por rebeldes sunitas em um atentado com carro-bomba em Najaf. Foi nessa época que Al Hakim assumiu o controle da organização. O grupo mudou de nome em 2007, retirando a palavra "revolução" como parte da tentativa de reduzir a percepção de alta influência iraniana.

O filho de Al Hakim, Ammar al Hakim, foi preparado por meses para assumir o lugar de seu pai. Ainda não se sabe se ele contará com o mesmo respeito que seu pai e se será capaz de conter o declínio da posição política do partido.

Al Maliki, que não ingressou na nova aliança entre os seguidores leais de Al Sadr e o Conselho Supremo Islâmico do Iraque, está trabalhando para formar uma coalizão própria. Sua lista de candidatos teve bom desempenho nas eleições provinciais realizadas neste ano, o que foi visto como uma rejeição às campanhas com temas excessivamente religiosos tanto do partido de Al Hakim quanto dos sadristas.

Um alto conselheiro de Maliki disse que o Conselho Supremo fechou um acordo com um influente grupo sunita, um Conselho do Despertar na província de Anbar. Os Conselhos do Despertar, que consistem em grande parte de ex-rebeldes, tiveram um importante papel na batalha contra as forças desestabilizadoras após o aumento das tropas americanas em 2007.

A influência de Al Hakim podia ser vista em fevereiro, quando um plano de importantes políticos para derrubada de Al Maliki foi descartado, porque Al Hakim não ofereceu seu apoio, segundo um futuro artigo no "The National Interest", uma revista de relações internacionais, de autoria de Kenneth M. Pollack. Hakim fez objeção porque sentiu que pareceria que os políticos estavam tentando subverter a vontade do povo, como escreve Pollack.

A morte de Al Hakim gera perguntas sobre a direção que tomarão os líderes xiitas do Iraque. O Partido Islâmico Iraquiano sunita emitiu uma declaração dizendo que sua morte "criará um grande vácuo político neste estágio delicado da história do Iraque".

Tradução: George El Khouri Andolfato

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    16h59

    -0,54
    3,265
    Outras moedas
  • Bovespa

    17h20

    1,36
    64.085,41
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host