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27/08/2009

Tanto famosos quanto anônimos lembram de Ted Kennedy

The New York Times
James Barron
Faythe Collins lembrou de ter encontrado o senador Edward M. Kennedy quando era pequena e posteriormente, como uma mãe preocupada cujos filhos tinham sido detidos no Brasil, telefonando para seu gabinete e deixando uma mensagem.

"Eu esperava quanto muito o retorno de uma secretária", ela disse. Mas a voz ao telefone era a do próprio senador.
  • Jodi Hilton/The New York Times

    Pam Pleasant e seu filho, Zaki Alaoui, assinam
    um livro de condolências em memória do falecido senador Edward Kennedy, no Museu e Biblioteca Presidencial John F. Kennedy, em Boston



Collins, que na quarta-feira foi ao Museu Kennedy em Hyannis, Massachusetts, para assinar um dos três livros de condolências colocados horas após a morte do senador, lembrou dele ter lhe dito que nada podia fazer nos bastidores para acelerar o retorno de seus filhos, mas sugeriu opções que ela poderia tentar por conta própria e telefonou várias vezes para checar o andamento das coisas.

"A informação que ele me deu me ajudou a trazer meus filhos de volta para casa", disse Collins, 45 anos, que cresceu em Hyannis e ainda mora não distante da propriedade de Kennedy em Hyannis Port. "É muito raro políticos dedicarem algum tempo para ajudar as pessoas comuns."

À medida que corria a notícia da morte de Kennedy na quarta-feira, lembranças dele eram compartilhadas por pessoas de todo o mundo e de todo tipo, do caminhoneiro de Waltham, Massachusetts, que declarou que o senador "lutou pelas pessoas comuns em vez dos interesses especiais", até o presidente dos Estados Unidos, que o chamou de "uma figura ímpar na história americana".

Mas enquanto seus aliados falavam sobre o idealismo de Kennedy e seu compromisso constante com os ideais democráticos e com os ideais do Partido Democrata, seus adversários conservadores na TV a cabo e no rádio se queixavam de que os democratas tentariam explorar a morte dele para conquistar apoio à reforma da saúde, que o senador esperava ser seu último triunfo legislativo.

Rush Limbaugh rebateu o líder da maioria no Senado, Harry Reid, que chamou Kennedy de "leão do Senado", dizendo: "Nós éramos suas presas".

Alguns lembraram dele como o Kennedy que foi eleito ao Senado quando um de seus irmãos era o presidente e o outro secretário da Justiça, e que sobreviveu aos assassinatos deles, seus próprios erros em Chappaquiddick [quando o carro que dirigia caiu de uma ponte e matou uma jovem afogada, depois de uma noite de festa] e uma candidatura presidencial que fracassou em 1980, mas que permaneceu senador ao longo de 10 mandatos presidenciais e participou da elaboração de leis que tocaram na educação, direitos civis, Medicare (o seguro saúde público para idosos e inválidos), Seguro Social e muito mais.

"Eu sou republicano, mas o respeitava pelo que tentava fazer", disse Dudley Thomas, um administrador de sistemas aposentado que mora perto da propriedade de Kennedy. "Ele sempre lutava pelo que achava certo."

Outros estavam em uma esquina próxima da propriedade, onde as pessoas colocavam flores e lembranças, explicando que suas recordações não tinham nada a ver com política.

Danielle Nunes de Billerica, Massachusetts, que passou duas horas na estrada para chegar aqui, disse: "Nós viemos porque me lembro de que quando era pequena e meus pais tinham um barco, nós passamos por Ted e eu disse: 'Oi, Ted!' Minha mãe me corrigiu: 'É sr. Kennedy'. Mas ele disse: 'Não se preocupe com isso. Me chame de Ted'".

Alguns dos tributos mais passionais vieram de seus colegas no Senado, onde ele serviu por 46 anos.

O principal deles foi Obama, que era um senador em primeiro mandato por Illinois quando decidiu concorrer à presidência e cuja candidatura foi defendida por Kennedy, com um endosso que lhe forneceu um grande impulso contra Hillary Rodham Clinton no auge das primárias democratas no ano passado.

Obama disse estar de "coração partido" com a morte de Kennedy e que "lucrou como presidente" com seus conselhos.

"Suas ideias e ideais", disse o presidente, "estão gravados em várias leis e refletidos em milhões de vidas: em idosos que agora contam com nova dignidade, em famílias que agora têm novas oportunidades, em crianças que agora conhecem a promessa do ensino e em todos aqueles que podem perseguir seus sonhos em uma América que é mais igual e mais justa, incluindo eu mesmo".

O secretário de imprensa da Casa Branca, Robert Gibbs, disse que Obama expressou suas condolências por telefone à esposa de Kennedy, Vicki. Havia especulação de que Obama visitaria Kennedy durante o descanso do presidente em Martha's Vineyard nesta semana, mas assessores disseram que o quadro de senador era tão sério que uma visita presidencial poderia ser prejudicial.

Outros colegas do Senado repetiram o sentimento do senador John Kerry, que chamou Kennedy de uma presença "irrepreensível, grandiosa". O senador John McCain do Arizona, que como candidato republicano perdeu a eleição presidencial para Obama no ano passado, disse que Kennedy "se tornou insubstituível na instituição que ele amava" e que haveria um "vazio" no Senado sem ele.

Tributos foram prestados por líderes estrangeiros e pelo secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, que disse que ele era "a voz daqueles que, caso contrário, não seriam ouvidos".

Natan Sharansky, o político israelense e ex-prisioneiro político soviético, o chamou de "uma das mais altas figuras nos direitos humanos". Quando ele foi solto de uma prisão soviética em 1986, disse Sharansky, foi Kennedy quem telefonou para sua esposa em Israel para avisá-la.

Sharansky lembrou de uma época em que as autoridades americanas em visita a Moscou se preocupavam em não irritar o governo soviético e colocar em risco os ativistas da democracia ao visitá-los. Mas na primavera de 1974, Kennedy colocou um fim às conversações oficiais ali e seguiu para a casa de Alexander Lerner, um conhecido dissidente.

"Ele foi o primeiro a ousar fazer isso e foi o precedente que permitiu que outras autoridades americanas visitassem os dissidentes", disse Sharansky. "Antes disso, era como uma cortina de ferro. Ninguém fazia aquilo."

O ex-presidente Jimmy Carter, que disputou com Kennedy as primárias democratas em 1980 e o criticou como um "clone de Ronald Reagan", disse que Kennedy foi proeminente no Capitólio.

"Ele era ferrenho, honesto e franco, além de muito hábil em expressar seu ponto de vista para o povo americano", disse Carter à "BBC" de Ramallah, na Cisjordânia. "Eu acho que Ted Kennedy, apesar de ter vindo de uma família muito rica, uma família muito proeminente, bem-sucedida na política, eu acho que seu compromisso principal foi sempre para com as pessoas mais necessitadas."

Nancy Reagan, cujo marido derrotou Carter em 1980 e já chamou Kennedy de "o campeão dos grandes gastos de governo e da presença federal toda penetrante em nossas vidas e bolsos", disse que Ronald Reagan e Kennedy tinham "um grande respeito um pelo outro".

"Dadas nossas diferenças políticas", disse Nancy Reagan, "as pessoas às vezes se surpreendem em quão próximos Ronnie e eu éramos da família Kennedy. Mas Ronnie e Ted sempre encontravam um ponto em comum". Notando que ela o considerava "um aliado e um amigo querido", ela acrescentou que ela e Kennedy encontraram "nosso ponto em comum na pesquisa de células-tronco".

Os líderes democratas disseram que celebrariam Kennedy com a aprovação da reforma da saúde no Congresso. O senador Robert C. Byrd sugeriu em uma declaração que o projeto de lei receba o seu nome.

Limbaugh disse que já previa isso há meses e Sean Hannity, um apresentador de programa de rádio que também tem um programa no canal "Fox News", chamou isso de "inadequado". Hannity disse que a morte de Kennedy "não é motivo adicional para pressionar a aprovação".

Mas em uma era de divisões políticas amargas, alguns argumentaram que Kennedy era uma força singular em prol do bipartidarismo.

"Não é de se considerar notável que um dos homens mais partidários e liberais do último século a servir no Senado era abraçado por tantos de seus adversários, porque eles sabiam que ele os tornava maiores?" disse o vice-presidente Joe Biden, contendo as lágrimas enquanto falava em um compromisso previamente agendado no Departamento de Energia. "Sua própria conduta os tornava mais graciosos."

Tradução: George El Khouri Andolfato

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