UOL Notícias Internacional
 

01/09/2009

Incêndio de vegetação ameaça centenas de casas na Califórnia

The New York Times
Randal C. Archibold
Em Los Angeles, Califórnia (EUA)
Um mortífero incêndio da vegetação que persiste há quase uma semana na base das Montanhas São Gabriel, cerca de 32 quilômetros ao norte do centro de Los Angeles, consumiu uma área de mais de 40,4 mil hectares ou mais de 388 quilômetros quadrados, o que equivale aproximadamente à soma das áreas dos bairros novaiorquinos do Bronx e do Queens.

Ele destruiu mais de 20 residências, a maioria em áreas remotas, mas as autoridades acreditam que este número aumentará à medida que 2.800 bombeiros e outros indivíduos que prestam apoio procuram rastrear o alastramento errático do fogo e impedir que as chamas invadam os grandes bairros e comunidades que pontilham essa área coberta de vegetação.
  • Monica Almeida/The New York Times

    Bombeiros tentam combater o incêndio, que se alastrava por uma área residencial da Califórnia


Na segunda-feira (31), as equipes de combate ao incêndio abriam valas e cortavam a vegetação enquanto a extremidade norte do incêndio rumava para Acton, uma comunidade de 3.000 habitantes que fica cerca de 64 quilômetros ao norte do centro de Los Angeles. As autoridades ordenaram novas evacuações de moradores na área do Vale de San Fernando, na zona leste de Los Angeles.

O incêndio, cuja causa é desconhecida, provocou a morte de dois bombeiros do Condado de Los Angeles no último domingo. O caminhão em que eles estavam capotou quando os dois tentavam evitar uma onda de fogo que se aproximava. Segundo o corpo de bombeiros, a morte dos colegas foi provocada pelos ferimentos sofridos no acidente e pelo fogo que avançou sobre eles.

Algumas pessoas ficaram feridas, incluindo duas que se recusaram a deixar a sua casa e procuraram abrigo das chamas em uma banheira no quintal quando o fogo penetrou na área em que moravam.

Os moradores de cerca de 4.000 casas receberam ordens para evacuá-las, mas as autoridades policiais calculam que apenas a metade delas obedeceu, preferindo ficar nas suas residências para tentar salvá-las do fogo.

Frank Bagheri, 48, que deixou relutantemente a sua casa perto de La Canada-Flintridge na manhã de domingo com a família, contou ter visto alguns vizinhos que ficaram para trás molhando os seus quintais e casas com mangueiras d'água. "Nós finalmente partimos porque eu parei um dos bombeiros que corria pela nossa rua", conta Bagheri. "Eu perguntei a ele se o fogo iria para o outro lado, e se estaríamos seguros. Ele simplesmente olhou para mim e disse: 'Se fosse você eu não ficaria aqui até me ver cercado pelo fogo'. Essa frase - ficar aqui e me ver cercado pelo fogo - fez com que eu mudasse de opinião. Naquele momento eu mudei de ideia e decidi ir embora".

O incêndio, chamado de Incêndio da Estação devido à sua origem, na última quarta-feira, perto de uma Estação de guardas florestais na Floresta Nacional Angeles, lançou uma cortina de fumaça no céu que era visível em quase toda a região metropolitana de Los Angeles, em uma sombria antecipação da estação dos incêndios que chega ao auge no final do verão e no outono do hemisfério norte. O fogo emitiu uma nuvem de fumaça amarronzada e prejudicial à saúde por uma vasta área, e as autoridades dizem que podem ser necessárias até duas semanas para extingui-lo.

As autoridades informaram que em determinado momento temeram que as chamas avançassem sobre Monte Wilson, que abriga um observatório astronômico histórico e instalações de transmissão para algumas estações de rádio FM e televisão. Mas, graças em parte à rápida limpeza da vegetação da área, às equipes anti-incêndio estacionadas no local e aos aviões que lançaram água e produtos retardantes de fogo, o incêndio não invadiu o local.

"Monte Wilson parece estar bem seguro neste momento, mas esta situação pode mudar", afirma o capitão Scott Visyak, do Departamento de Florestas e de Proteção contra Incêndios da Califórnia.

Steve Whitmore, porta-voz do Departamento do Xerife do Condado de Los Angeles, disse que muita gente desafiou as ordens para evacuar as suas casas. Na tarde da segunda-feira, um grupo de pessoas na área de Gold Creek que se recusou a deixar o local ficou cercado pelas chamas. Os grupos de resgates tentavam alcançar essas pessoas.

"Eles estão precisando utilizar recursos que poderiam estar sendo utilizados em outro local", reclamou Whitmore. "Quando as pessoas recebem ordens para sair, elas têm que sair".

Em um dos quatro centros de atendimento às pessoas que evacuaram às suas casas, montados em escolas e prédios comunitários, Melba Cordero, 42, dormiu esporadicamente após ter fugido, acompanhada dos oito filhos, das chamas que se aproximavam da sua casa, em Tujunga Canyon.

"Nós perambulávamos como se fôssemos zumbis, incapazes de respirar, e o bebê estava agitado", conta ela, ao recordar a sua decisão de deixar a residência. "Tivemos que partir".

Ela conta que na noite anterior viu uma mulher que perdeu a casa e ficou sentada em estado de choque.

"Foi devastador vê-la sentada em silêncio olhando para o vazio à sua frente", conta Melba Cordero. "Ela disse que não tinha mais lugar nenhum para onde ir".

Tradução: UOL

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