UOL Notícias Internacional
 

04/09/2009

Conselheiros de Obama estão divididos quanto ao tamanho da força afegã

The New York Times
Peter Baker e Elisabeth Bumiller
Em Washington (EUA)
O pedido previsto das forças armadas de mais tropas para combater a insurreição no Afeganistão dividiu os altos conselheiros do presidente Barack Obama, ao tentarem determinar o tamanho apropriado e a missão do esforço americano lá, disseram funcionários do governo na quinta-feira.

Antes mesmo do mais alto comandante no Afeganistão apresentar sua proposta para forças adicionais, as autoridades do governo deram início ao que uma chamou de "debate saudável" a respeito de quais deveriam ser as prioridades e se mais soldados americanos em terra ajudariam a atingi-las.
  • Presidential Palace/AP

    No gabinete de Obama, não há consenso sobre a estratégia a ser adotada no Afeganistão de Karzai



Liderando os céticos está o vice-presidente Joe Biden, que expressou profundas reservas em relação à expansão da presença no Afeganistão, sob o argumento de que poderia ser uma distração para o que considera a meta mais urgente de estabilizar o Paquistão, disseram funcionários.

Entre os que estão do outro lado está Richard C. Holbrooke, o representante especial para a região, que compartilha a preocupação com o Paquistão, mas considera a presença de mais tropas como sendo vital para proteção dos civis afegãos e no final minar o Taleban e a Al Qaeda.

A secretária de Estado, Hillary Rodham Clinton, em discussões internas anteriores defendeu fortemente o aumento das tropas, e apesar de alguns funcionários terem dito que ela não se manifestou nas atuais deliberações, eles esperam que ela defenda uma força mais robusta.

O secretário de Defesa, Robert Gates, expressou preocupação de que o envio de mais tropas ao Afeganistão faria os Estados Unidos parecerem uma força de ocupação, mas durante uma coletiva de imprensa na quinta-feira, ele soou mais partidário da perspectiva.

"Há uma unanimidade de opinião a respeito de qual é nosso objetivo, que é incapacitar e destruir a Al Qaeda e remover essa ameaça à nossa segurança nacional", disse David Axelrod, o alto conselheiro do presidente. "Obviamente, há muitas opiniões sobre como melhor conseguir esse objetivo e é valioso e importante ouvir essas opiniões."

O debate ocorre após a entrega na segunda-feira de uma nova avaliação estratégica feita pelo general Stanley A. McChrystal, o comandante escolhido pelo presidente para assumir todas as forças americanas e da Otan no Afeganistão, em junho. Gates encaminhou o relatório do general, de cerca de 25 páginas, para Obama, que o levou para Camp David na quarta-feira para analisá-lo durante o fim de semana prolongado de feriado.

Apesar de McChrystal ter incluído propostas específicas em seu relatório, as autoridades esperam que ele envie um pedido separado nas próximas semanas. Estrategistas militares, incluindo um que já aconselhou McChrystal, disseram que ele pode oferecer três opções. O menor reforço proposto, entre 10 mil e 15 mil soldados adicionais, seria descrito como a opção de maior risco. Uma opção de risco médio envolveria o envio de cerca de 25 mil soldados adicionais, e a opção de baixo risco pediria pelo envio de cerca de 45 mil soldados.

Geoff Morrell, o secretário de imprensa do Pentágono, alertou que a conversa sobre os níveis de tropas é especulação. "Qualquer um que disser que sabe quantos soldados o comandante pedirá e quais opções ele poderá ou não apresentar, não sabe do que está falando, porque isso ainda não foi determinado", disse Morrell. Ele disse que Gates ainda não se decidiu sobre o que recomendaria ao presidente.

Gates poderia ser o conselheiro-chave de Obama nesta decisão e alguns analistas militares previram que ele poderia recomendar o que as autoridades do Pentágono chamam de "opção 'Cachinhos Dourados'" -a de risco médio, do meio. Por ter sido inicialmente nomeado pelo presidente George W. Bush, Gates poderia fornecer o escudo político para Obama caso o presidente rejeite o maior envio possível e escolha um reforço mais moderado.

O secretário de Defesa há muito se preocupa com a possibilidade de que um grande número de forças americanas possa alienar a população afegão, assim como ocorreu quando a União Soviética tinha 120 mil soldados no Afeganistão nos anos 80. Mas em uma coletiva de imprensa ao lado do almirante Mike Mullen, o chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, Gates disse na quinta-feira que suas preocupações com a "pegada" americana foram "mitigadas" por McChrystal, que indicou que o tamanho da força é menos importante do que aquilo que ela faz.

"Onde as forças estrangeiras deixaram uma pegada maior e fracassaram, isso ocorreu em grande porque os afegãos concluíram que elas estavam lá por interesses próprios imperiais, não em prol dos interesses do povo afegão", disse Gates. Mas ele disse que a ênfase de McChrystal em reduzir as mortes de civis e interagir mais com os afegãos "nos deu uma maior margem de erro neste aspecto".

Tradução: George El Khouri Andolfato

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