UOL Notícias Internacional
 

04/09/2009

Novo líder do Japão acalma temores americanos e reitera aliança entre Washington e Tóquio

The New York Times
Martin Fackler
Em Tóquio (Japão)
Esforçando-se para consertar a cerca com seu maior aliado, o futuro chefe do governo do Japão, Yukio Hatoyama, disse ao presidente Barack Obama e ao embaixador americano na quinta-feira (03/9) que a aliança com os EUA era a base da política externa japonesa.
  • Hiroko Masuike/The New York Times

    Yukio Hatoyama tratou de acalmar os americanos: "A aliança Japão-EUA é a fundação"


Em uma conversa telefônica com a Casa Branca na quinta-feira, Hatoyama disse que garantiu a Obama que não mudaria a aliança com os EUA. Foi sua primeira conversa com o presidente desde que derrotou o partido que há muito governava o Japão em uma eleição marcante no domingo.

"Afirmamos que a aliança Japão-EUA é a fundação" da política externa japonesa, disse Hatoyama aos repórteres.

Hatoyama estava buscando acalmar preocupações que seu governo, ligeiramente de esquerda, eleito após quase meio século ininterrupto de governo conservador pelo Partido Democrata Liberal pró-americano, afastaria o Japão dos EUA.

Durante a campanha, seu Partido Democrático prometeu buscar uma "parceria mais igualitária" com Washington e construir laços mais próximos com a China e outros países asiáticos. Os maiores problemas, contudo, foram causados por um ensaio de Hatoyama formado em Stanford, publicado no "International Herald Tribune" e no site do "New York Times" que disse que a economia em dificuldades do Japão era vítima da globalização liderada pelos EUA.

A agitação resultante em Washington deu ao futuro e inexperiente governo de Hatoyama sua primeira crise. As críticas americanas ao ensaio foram notícia de primeira página nos principais jornais do Japão na quinta-feira, refletindo a opinião ainda ampla no Japão que o país deve ficar próximo aos EUA, especialmente com a China crescendo rapidamente e a Coreia do Norte com armas nucleares ali perto.

Hatoyama tentou controlar os danos nos últimos dias, ressaltando que não tem a intenção de alterar fundamentalmente a aliança, apesar de seu partido almejar pequenas mudanças nos acordos cobrindo a presença militar americana de 50.000 homens. Ele também disse que o ensaio foi mal compreendido e não tinha a intenção de ser antiamericano.

Ainda assim, analistas políticos japoneses foram fortemente críticos de Hatoyama por administrar mal sua imagem e deixar que o ensaio, uma tradução de um artigo mais longo em uma revista japonesa, se tornasse uma de suas primeiras declarações ao mundo de sua visão.

"O artigo em si mesmo é o de menos, mas o momento escolhido por Hatoyama e pelas pessoas em torno dele gera dúvidas substanciais sobre sua sensibilidade diplomática", disse Koji Murata, professor de relações internacionais da Universidade de Doshisha em Kyoto.

De acordo com Murata e outros, a discussão também refletiu a falta de informações sobre Hatoyama e seu partido em Washington, que tinha se acostumado a décadas lidando com liberais democratas, enquanto ignorava em grande parte a oposição.

Murata também culpou as autoridades americanas por suas imediatas reações negativas às promessas de campanha dos democratas, como reexaminar o acordo para transferir o campo de pouso dos Marines em Futnema para outro lugar na ilha japonesa de Okinawa.

"Se eles disserem coisas como Futenma não é negociável, isso deixará o Partido Democrático mais obstinado", disse Murata.

Hatoyama reuniu-se por 45 minutos na quinta-feira com o novo embaixador dos EUA, John Roos, advogado da Califórnia que levantou fundos para Obama.

"Passamos muito tempo falando sobre como melhorar e aprofundar o relacionamento em uma ampla gama de questões, não apenas estratégicas, mas também científicas e culturais", disse Roos aos repórteres.

Hatoyama falou a Roos que a aliança "deve ser fortalecida de maneira construtiva e orientada para o futuro".

Hatoyama descreveu sua conversa de 12 minutos por telefone como Obama como amigável e construtiva.

Tradução: Deborah Weinberg

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