UOL Notícias Internacional
 

06/09/2009

Alguns pais se opõem a discurso de Obama para alunos

The New York Times
James C. Mc Kinley Jr. e Sam Dillon
Em Houston
O plano do presidente Barack Obama de fazer um discurso para alunos de escolas públicas na terça-feira provocou uma revolta entre os pais conservadores. Eles acusaram o presidente de tentar doutrinar seus filhos com ideias socialistas e pedem a funcionários das escolas para dispensar as crianças de o ouvirem.

A controvérsia em relação ao discurso, no qual Obama pretende incentivar os alunos a estudarem bastante e continuarem na escola, foi particularmente aguda no Texas, onde vários dos principais distritos, sob pressão dos pais, fizeram planos para permitir que as crianças escolham não dar ouvidos ao presidente.

Alguns pais disseram estavam preocupados porque o discurso não havia sido filtrado de conteúdo político. Segundo eles, o discurso tampouco foi revisado pelo Conselho de Educação estadual e conselhos locais que, de acordo com a lei do Estado, precisam aprovar o currículo das escolas.

"O que mais me preocupou em relação a isso foi que parecia um canal direto do presidente dos Estados Unidos com meus filhos, dentro da sala de aula", disse Brett Curtiss, engenheiro de Pearland, Texas, que disse que não mandará seus filhos para a escola no dia do discurso. "Não quero que nossas escolas sejam entregues para nenhuma espécie de movimento socialista."

A Casa Branca disse que o discurso enfatizará a importância da educação e do trabalho duro na escola, tanto para o indivíduo quanto para o país. A mensagem não é partidária, nem compulsória, disseram funcionários.

"Este não é um discurso político", disse Sandra Abrevaya, porta-voz do Departamento de Educação. "Foi planejado para encorajar as crianças a ficarem na escola. A escolha de mostrar ou não o discurso para os alunos está inteiramente nas mãos de cada escola. Isso é totalmente voluntário."

O discurso de Obama foi anunciado há algumas semanas, mas o furor entre os conservadores atingiu o ápice na quarta-feira de manhã quando sites de direita na internet e âncoras de programas de TV começaram a protestar contra ele.

Mark Steyn, escritor e comentarista político canadense, falou no programa de rádio de Rush Limbaugh na quarta-feira, acusando Obama de tentar criar um culto de personalidade, comparando-o a Saddam Hussein e ao líder norte-coreano Kim Jong Il.

O presidente do Partido Republicano na Flórida, Jim Greer, disse que "ficou horrorizado com o fato de que os dólares dos contribuintes estejam sendo usados para difundir a ideologia socialista do presidente Obama". E Chris Stigall, âncora de um programa de TV em Kansas City, disse: "Não deixo nem meu vizinho falar com meu filho a sós; com certeza não vou deixar Obama falar com ele".

Outros presidentes já visitaram escolas públicas para falar diretamente com os alunos, apesar de poucos desses eventos terem sido transmitidos ao vivo. O discurso de Obama ao meio-dia, horário leste, numa escola secundária na Virgínia, será transmitido ao vivo no site da Casa Branca.

Em 1991, o presidente republicano George Bush fez um discurso similar, transmitido nacionalmente a partir de uma escola de Washington, incentivando os alunos a estudarem bastante, evitarem as drogas e ignorarem a pressão de colegas, "que acham que não é legal ser inteligente". Democratas do Congresso acusaram-no de usar dinheiro dos contribuintes - US$ 27 mil para realizar a transmissão - para fazer "propaganda política paga".

Esta semana, funcionários das escolas ouviram os pais reclamarem sobre o assunto não apenas no Texas, mas também em outras partes do país - Califórnia, Colorado, Connecticut, Georgia, Illinois, Carolina do Sul e Utah.

Herb Garrett, diretor-executivo da Associação de Superintendentes Escolares da Geórgia, disse que muitos de seus integrantes sentem que a controvérsia os colocou numa situação difícil, vulneráveis a ataques de âncoras de TV conservadores se encaixarem o discurso de Obama no horário de aulas, e sujeitos a acusações de que desrespeitaram o presidente se não o fizerem. "É uma daquelas situações onde não há como se sair bem", disse Garrett.

No Texas, telefonemas e mensagens de e-mail inundaram as secretarias de muitas escolas locais. "Não recebi nenhum telefonema positivo hoje", disse Susan Dacus, assessora de imprensa do Distrito Escolar Independente de Wylie, perto de Dallas.

Funcionários de escolas em Wylie decidiram gravar o discurso, assisti-lo novamente e depois permitir que professores o mostrem isoladamente, oferecendo aos alunos a possibilidade de não escutarem se assim desejarem.

Em Houston, os professores dirão aos pais se têm intenção de mostrar o discurso, e as escolas fornecerão uma aula alternativa para alunos cujos pais são contra, disse Lee Vela, porta-voz do distrito.

Alguns pais de Houston, entretanto, disseram que falar para os filhos que eles não devem ouvir o presidente dos Estados Unidos, mesmo que os pais não gostem de suas posições políticas, transmite uma mensagem errada - de que não se deve ouvir as pessoas das quais se discorda.

"É difícil para mim entender como que o fato de ouvir o presidente, o comandante da nação, o cidadão chefe deste país, pode ser prejudicial para os jovens de hoje", disse Phyllis Griffin Epps, analista do governo municipal que tem dois filhos na escola pública.

Tradução: Eloise De Vylder

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