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08/09/2009

Em meio às dificuldades, o México encontra um modo de se tornar o número "uno"

The New York Times
Marc Lacey
Na Cidade do México (México)
Se o "Livro Guinness dos Recordes" vier a criar uma categoria para país mais obcecado em estar no "Livro Guinness dos Recordes", o México certamente estará na disputa.

Enquanto agosto chegava ao fim, dezenas de milhares de mexicanos dançavam ao som de "Thriller" de Michael Jackson, arranhando o ar, agarrando a virilha e marchando como zumbis, liderados por um imitador mexicano de Michael Jackson que atende pelo nome de Hector Jackson. Uma chuva leve não conseguiu diminuir o entusiasmo dos participantes, que eram de todas as idades. Muitos usavam óculos de aviador e luvas brancas, ou tinham sangue falso espalhado sobre eles.
  • Adriana Zehbrauskas/The New York Times

    Hector Jackson (jaqueta vermelha) liderou o grupo que buscou mais um recorde mexicano


Apesar de ainda sob análise dos juízes do Guinness, parece que o México claramente reuniu dançarinos suficientes de "Thriller" para superar o recorde anterior, estabelecido por 242 estudantes universitários na Virgínia, em maio. Esse recorde era brincadeira de criança para o México, que reuniu 12.937 participantes oficiais no Monumento da Revolução, na Cidade do México.

"Isto nos posiciona como uma grande cidade, onde grandes coisas acontecem", se emocionou Alejandro Rojas Diaz, o secretário de Turismo da Cidade do México, que organizou o evento. Ele também atraiu cerca de 30 mil espectadores, muitos dos quais também dançavam com a música.

Sim, os mexicanos levam seus recordes a sério. Dias após o evento "Thriller", músicos mariachis se reuniram em Guadalajara, onde nasceu sua forma de música tradicional, para superar o recorde de mais músicos mariachis reunidos em um só local. Ao todo, 549 trompetistas, baixistas e violonistas compareceram usando a roupa e sombreros tradicionais no Festival Internacional Mariachi, tocando clássicos como "Cielito Lindo" e "Guadalajara".

De muitas formas, foi um duro ano para o México, com a epidemia de gripe suína, a crise econômica e a violência contínua associada aos cartéis das drogas do país. Mas tem sido um bom ano para recordes, desde a maior almôndega de carne até o maior festival de beijos, com muitos outros melhores entre eles.

Em 1º de agosto, o México bateu o recorde de mais longa passarela, quando os promotores em San Luis Potosi montaram um desfile de moda contando com 81 modelos, cada uma desfilando por 1.320 metros, que superou em muito o recorde anterior de 1.111 metros.
  • Adriana Zehbrauskas/The New York Times

    O pequeno Caleb Omate, 3 anos, também marcou presença no "Livro Guinness dos Recordes"



Dias depois, enquanto as modelos provavelmente ainda se recuperavam de sua caminhada de quase uma milha - usando salto alto - o México produziu a maior almôndega de carne do mundo, pesando 49,44 quilos. Preparada pelos chefs do Ritz Carlton em Cancún, a almôndega supostamente visava promover um filme baseado no livro infantil "Tá Chovendo Hambúrguer", sobre a cidade mítica de Chewandswallow, que está surpresa com toda a comida que está caindo do céu.

Após a confirmação do recorde do México, superando uma modesta almôndega de 32,91 quilos, a massa gigante de carne foi servida aos espectadores. O chef Miguel Angel Quezada e uma equipe de 55 chefs na Cidade do México criaram o maior cheesecake do mundo, usando quase uma tonelada de cream cheese e iogurte, 250 quilos de açúcar e 150 quilos de manteiga. Foram necessárias 60 horas para criar a monstruosidade de mais de 2 toneladas, que foi fatiada em 20 mil porções.

O México também estabeleceu o recorde de beijos neste ano, com 39.987 pessoas de lábios colados no Dia dos Namorados na Zocalo, que por acaso é uma das maiores praças de cidade do mundo. Os beijoqueiros mexicanos superaram o recorde britânico de 32.648 beijoqueiros, que foi estabelecido em 2007. Poucos meses depois, o governo mexicano começou a desencorajar as pessoas de se beijarem por temor de disseminação da gripe suína.

Mas nem todas as tentativas de quebra de recorde pelo México saíram como planejado. Em janeiro, a Associação Nacional dos Matadores do México declarou que Michel Lagravere, um menino de 11 anos conhecido como Michelito, tinha batido o recorde para sua idade de mais touros jovens vencidos em uma tourada de duas horas. Ele matou seis.

Mas o "Guinness" se recusou a reconhecer o esforço, declarando em seu site que, "nós não aceitamos recordes baseados em matar ou ferir animais". Mas Michelito se mostrou desafiador, dizendo em sua voz bastante aguda: "Dá na mesma para mim, porque no mundo das touradas, o recorde agora faz parte da história, mesmo não estando no 'Guinness'".

Entretanto, nenhum recorde dura para sempre. Manuel Uribe, um mexicano e o homem mais gordo do mundo em 2006, emagreceu de 558 quilos para cerca de metade disso, perdendo o título. Ele disse aos repórteres que agora espera retornar ao livro dos recordes, como a pessoa que mais perdeu peso.

E alguns recordes não são do tipo que um país necessariamente se orgulha de ostentar. A revista "Forbes" declarou Joaquin Guzman Loera, que controla um dos mais ferozes cartéis das drogas do México, como o traficante mais rico do mundo.

Foram os negócios prolíficos de Guzman e outros traficantes que levaram o governo mexicano a estabelecer outro recorde, o de maior apreensão de cocaína na história. Cerca de 26 toneladas da droga foram recuperadas em novembro de 2007, dentro de 21.116 pacotes embalados, no porto mexicano de Manzanillo.

Mais recordes ainda emanam dos Estados Unidos do que de qualquer outro país, disse um porta-voz do "Guinness", mas o México está tentando, frequentemente com a participação do governo. A coreografia de "Thriller" começou como um esforço popular no Facebook, mas logo ganhou o apoio da prefeitura da Cidade do México, que forneceu publicidade, segurança e toaletes.

O frenesi de quebra de recordes do México, dizem analistas, reflete o desejo de um status de qualidade mundial, e seu reconhecimento de que, em muitas frentes, ainda não chegou lá.

"É uma forma de não pensarmos em todas as dificuldades, conflitos, assassinatos e a crise econômica", disse Rocio Valdez, um recepcionista de 25 anos. "Sim, nós estamos em uma situação ruim, mas se somos capazes de fazer o maior taco do mundo..."

De fato, o México detém esse recorde, com um taco de 750 quilos feito em Mexicali, em 2003.

Tradução: George El Khouri Andolfato

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