UOL Notícias Internacional
 

08/09/2009

Ex-presidente iraniano critica "métodos fascistas e totalitários" do governo

The New York Times
Robert F. Worth
Em Beirute (Líbano)
Mohammad Khatami, o ex-presidente do Irã, fez um forte discurso no domingo contra o governo, acusando seus líderes de tentarem difamar seus inimigos e purgá-los da vida pública com "métodos fascistas e totalitários".

O discurso de Khatami, um líder reformista, ocorreu um dia após seu aliado, o candidato presidencial derrotado Mir Hossein Mousavi, ter pedido aos seus simpatizantes que aprofundem seu movimento de protesto, em sua primeira grande declaração em semanas.
  • Brendan Smialowski/AFP

    O reformista Mohammad Khatami vê "métodos fascistas e totalitários" no governo Ahmadinejad



Juntas, as duas declarações, postadas pela oposição em sites de Internet, deixam claro que os líderes de oposição - assim como seus adversários linhas-duras - estão reunindo simpatizantes para uma batalha a longo prazo, que será travada tanto por meio de ideias e discreta organização social, quanto por protestos públicos, como os que ocorreram após a contestada eleição presidencial do Irã em 12 de junho.

Tanto Khatami quanto os membros do grupo ao qual se dirigia, a Sociedade Islâmica dos Professores Universitários, expressaram profundas preocupações com as ameaças à liberdade acadêmica no próximo ano letivo. No sábado, após dias de pedidos pelos conservadores de expurgo de professores e currículos considerados "não-islâmicos" das universidades do Irã, o governo anunciou o início de uma investigação de alto nível sobre como os cursos da área de Humanas são lecionados.

Os conservadores parecem estar planejando uma campanha mais ampla, que vai além dos cursos universitários. Na noite de sábado, o líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, disse a um grupo de artistas e profissionais culturais que o Irã esteve envolvido em uma guerra "soft" (suave) contra os inimigos internos. Qualquer um no campo da cultura agora deve reconhecer as distinções importantes entre "amigos e inimigos" e "explicação e propaganda", disse o aiatolá.

Seu discurso lembrou outro na noite de sexta-feira, feito pelo vice-chefe do Estado-Maior das forças armadas do Irã, Muhammad Bagher-Zolghadr, que traçou uma distinção entre guerra "hard" (dura) e "soft", na qual o "inimigo está em toda parte". Ele alertou que o Ocidente, com seus veículos de mídia sofisticados, está mais bem equipado para a guerra "soft" do que o Irã.

A nova ênfase na guerra ideológica surgiu enquanto sinais surgiam de que os linhas-duras poderiam abrir mão de algumas de suas armas mais visíveis, pelo menos por ora. Um relatório no site de notícias "Jahan", pró-governo, disse que os julgamentos altamente divulgados dos reformistas agora ocorrerão sob portas fechadas, e ocorrerão de forma individual em vez de grupal. Há relatos de que o novo chefe do Judiciário do Irã, Sadeq Larijani, era contrário à continuidade dos julgamentos em sua forma atual.

Ao mesmo tempo, o governo claramente permanece preocupado com a possibilidade de novos protestos. As autoridades cancelaram nos últimos dias vários eventos públicos associados ao mês sagrado muçulmano do Ramadã, aparentemente por temer que pudessem se transformar em comícios da oposição. Na semana passada, na celebração anual da "Noite da Força" do Ramadã, no imenso templo ao aiatolá Ruhollah Khomeini, nos arredores de Teerã, foi cancelada pela primeira vez em 20 anos. Khatami falaria no evento, que foi cancelado sob pressão do establishment de segurança e judiciário do Irã, informaram sites da oposição.

Vários jantares menores do Ramadan, organizados pelos reformistas, foram cancelados por ordem das autoridades. E o evento anual de oração coletiva para marcar o término do Ramadan está sendo transferido de seu local habitual, um vasto salão de oração em Teerã, para uma localização menor.

Apesar dos protestos de rua terem diminuído, os líderes da oposição deixaram claro que não abandonarão a opção do confronto político direto. Em sua declaração no sábado, postada em kaleme.com, Mousavi pediu mais comícios públicos - grandes e pequenos - e por mais brados noturnos, feitos dos telhados, de "Deus é grande", que estão enfurecendo as autoridades. Ele também apresentou uma série de exigências mais familiares: uma investigação da eleição, que ele e outros líderes de oposição disseram acreditar que ele perdeu devido a uma fraude imensa; uma investigação dos crimes cometidos durante a violenta repressão que se seguiu; a revisão das leis eleitorais; e garantias de liberdade de reunião, expressão e imprensa.

Mas como seus pares conservadores, Mousavi também falou da necessidade de aprofundar seu movimento com uma "abordagem social, não apenas uma abordagem política". E ele sugeriu que o movimento de oposição, apesar de sua aparente fraqueza diante das prisões, julgamentos e intimidação, conquistou vitórias morais substanciais.

"Apesar dos desdobramentos lamentáveis, amargos, dos últimos dias", escreveu Mousavi, "as pessoas agora têm convicções eternas que são muito mais importantes do que a eleição de um homem".

Tradução: George El Khouri Andolfato

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