UOL Notícias Internacional
 

09/09/2009

Com aniversário do 11/9, autoridades facilitam doação de pedaços das Torres Gêmeas

The New York Times
Michael Wilson
Em Nova York (EUA)
Quando Jeff Cox, um candidato de 15 anos de idade ao grupo de escoteiros Eagle em Windermere, Flórida, apresentou ao prefeito da pequena cidade ideias para melhorar o parque local, para ajudá-lo a ganhar um distintivo, mas o prefeito informou que esses projetos já estavam em andamento.

"Ele voltou e disse: 'A cidade gostaria de construir um memorial se eu conseguisse aço do World Trade Center?'", contou o prefeito Gary Bruhn. "Fiquei estupefato. Eu disse: 'Filho, a cidade ficaria orgulhosa de ter algo assim'. E ele falou: 'Acho que preciso do apoio da cidade. Não acho que eles darão só para mim'."

  • Carmen Taylor/AP
Não, eles não dariam - mas quase. À medida que o aniversário dos ataques de 11 de setembro de 2001 se aproxima na sexta-feira, as peças dos escombros do World Trade Center daquele dia nunca estiveram mais acessíveis. Uma nova campanha está sendo feita para acelerar o processo e aumentar o volume de doações de peças de aço pequenas e grandes dos destroços.

A Autoridade Portuária de Nova York e Nova Jersey, que é dona do aço, convidará os departamentos de polícia e bombeiros, prefeitos e outros líderes de cidades em todo o país a requisitarem pedaços de escombros para construir memoriais. A Autoridade Portuária contemplou cerca de 25 pedidos no ano passado, e tem cerca de mais uma dúzia pendentes. Nas últimas semanas, caminhões transportaram colunas de aço retorcidas de centenas de quilos para York, Pennsylvania, e Westerville, Ohio. Uma peça menor foi enviada para os escritórios de Defesa Aérea da Força Aérea dos EUA em Rome, Nova York.

"A melhor forma de honrar a memória daqueles que nós perdemos em 11 de setembro é encontrar lugar para centenas de artefatos que preservamos com cuidado ao longo dos anos no Memorial do WTC e em cidades de todo o país", disse o diretor-executivo da Autoridade Portuária, Christopher O. Ward.

A Autoridade Portuária espera gerar mais interesse no aço com novas propagandas nas revistas municipais, da polícia e dos bombeiros. Há entre 1.800 e 2 mil peças, metade delas bem grandes, que estão disponíveis para serem enviadas, com despesas pagas pelo destinatário. Isso não inclui cerca de 200 peças, as mais familiares e icônicas delas, que foram requisitadas pelo Museu e Memorial Nacional 11 de Setembro.

Entre os pedidos pendentes está um de Las Vegas, onde o Museu de Testes Atômicos quer uma peça de 2 metros para encaixar em uma caixa feita sob medida, e um da Universidade do Leste do Kentucky, que requisitou uma peça de 45 centímetros. Há também um pedido de um grupo de quartéis de bombeiros na França.

"A brigada de incêndio de Saint-Etienne gostaria muito de exibir um artefato do World Trade Center para homenagear as vítimas, civis e bombeiros, do ataque de 11 de setembro", escreveu o coronel Yves Bussiere, do departamento de bombeiros regional.

As peças - algumas pesando toneladas, enquanto outras não passam de pequenas folhas de metal tortas do tamanho de um sinal de trânsito - estão guardadas no Hangar 17 do Aeroporto Internacional Kennedy. O hangar de 7.500 metros quadrados está dividido em várias tendas grandes de plástico, onde máquinas regulam a umidade do ar para que o aço não se corroa. Numa das tendas, um carro da polícia está destruído num canto, como se tivesse sido jogado lá.

Lee Ielpi, presidente da Associação das Famílias do 11 de Setembro, está enviando cartas para agências de segurança pública oferecendo artefatos. "Estaremos satisfeitos em atender ao pedido fidedigno de qualquer cidade, condado, Estado, empresa, país, a França, Paris, Lyon, que queiram um pedaço de aço", disse.

Nos anos imediatamente posteriores aos ataques, as doações de artefatos do 11 de setembro foram feitas esporadicamente para várias entidades, mas os pedidos não eram gerenciados por uma única organização, disse a Autoridade Portuária. A agência requer uma descrição detalhada de como o aço será exibido. Indivíduos não podem receber artefatos, apenas cidades ou organizações.

Os pedidos pendentes forneceram especificações detalhadas quanto às peças: "estou procurando um pedaço longo em forma de 'I' com cerca de 2,5 metros de comprimento; entretanto, qualquer coisa que recebêssemos significaria muito mais do que é possível expressar em palavras", escreveu o tenente Michael L. Zarella do departamento de bombeiros de Mendon, Massachussets. Ele visitou e escolheu a peça que queria, um pedaço de aço de 3 metros de comprimento "torcido como serpentina", disse ele.

Os pedidos de peças também precisam ser aprovados pelo juiz Alvin K. Hellerstein do Tribunal Distrital dos EUA, que está supervisionando os processos contra mortes injustas que aconteceram com os ataques. Apesar de o aço ainda ser considerado como prova potencial nesses casos, os testes com o material foram concluídos em 2005. O juiz desde então concedeu todos os pedidos e não deu indicações de que mudará de ideia em relação aos pedidos pendentes.

Os pedidos são respeitadores. "Tudo o que precisamos é de uma peça de aço de 30 cm por 30 cm por 1,20 m de altura", dizia uma carta enviada pelo presidente de um memorial em Glens Falls, Nova York. "É um pequeno pedaço de aço para preencher nossos grandes corações."

Em Wichita, Kansas, o Departamento de Segurança nos Transportes espera o carregamento de uma peça de 270 quilos de aço. As autoridades planejam cortá-la em oito peças e exibir cada uma delas em um dos aeroportos do Estado. "A maioria deles são aeroportos muito, muito pequenos", disse Keith Osborn, diretor de segurança.

O aço também será exibido em dois parques a apenas 30 quilômetros de distância um do outro em Ohio: um ao lado do quartel dos Bombeiros de Westerville ("Planejamos colocá-la em pé, de frente para a mesma direção em que estava em Nova York, com o lado norte virado para a direção correta", disse um bombeiro, Thomas C. Ullom); a outra em Hilliard, que selecionou três peças. Ambos os memoriais receberão o nome de First Responder Park.

Na sexta-feira, Jack Sommer, presidente do Cemitério Prospect Hill em York, Pennsylvania, veio para o Hangar 17 para coletar uma peça, e ficou observando enquanto o funcionário do cemitério amarrava um pedaço de aço, concreto e ferro retorcido em um trailer. Num floreio, o homem havia estendido uma bandeira dos EUA sob o aço. Um carro da polícia da Autoridade Portuária os escoltou.

Em Windermere, uma cidade de 3 mil habitantes, o futuro escoteiro Jeff Cox conseguiu o apoio do prefeito para seu projeto e está esperando seu pedaço de aço. Ele tinha apenas 7 anos quando aconteceram os ataques. "Eu não sabia ao certo o que era aquele prédio, mas aquilo meio que me assustou", disse ele. "Ninguém tinha muita certeza do que iria acontecer."

Ele disse que lhe prometeram uma peça grande. "Eles me enviaram cerca de seis opções para escolher", disse. "Acabei pegando parte de uma viga de aço, de cerca de 1,20 metro e 294 quilos.

Tradução: Eloise De Vylder

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