UOL Notícias Internacional
 

10/09/2009

Obama pede ao Congresso consenso na reforma da saúde

The New York Times
Sheryl Gay Stolberg e Jeff Zeleny
Em Washington (EUA)
O presidente Barack Obama buscou reenquadrar o debate contencioso em torno da reforma da saúde na quarta-feira, pedindo a um crítico Congresso e a uma nação cética que chegue a um consenso a respeito da legislação para expandir a cobertura de saúde para milhões de americanos e reduzir os custos por meio de uma ampla reforma, que há gerações elude os legisladores.
  • Doug Mills/The New York Times

    O discurso foi um esforço de Obama de recuperar sua vantagem política na questão da saúde


"Eu não sou o primeiro presidente a tratar desse assunto, mas estou determinado a ser o último", disse Obama para uma sessão conjunta do Congresso, acrescentando: "Nosso fracasso coletivo em superar este desafio - ano após ano, década após década - nos levou a um ponto de ruptura."

O discurso foi um esforço de Obama de recuperar sua vantagem política na questão da saúde, a peça central de sua agenda doméstica. Após meses insistindo que deixaria os detalhes aos cuidados dos legisladores, ele apresentou seu esboço mais detalhado de um plano que, segundo ele, forneceria "segurança e estabilidade" para aqueles que têm plano de saúde e cobertura para aqueles que não, tudo isso sem aumentar o déficit federal.
  • Doug Mills/The New York Times

    "Eu não sou o primeiro presidente a tratar desse assunto, mas estou determinado a ser o último", afirmou o presidente Obama aos parlamentares



O presidente colocou o preço do plano em cerca de US$ 900 bilhões ao longo de 10 anos, que ele disse ser "menos do que gastamos nas guerras no Iraque e Afeganistão". Mas ele dedicou grande parte de seu discurso à defesa do motivo para esse plano ser necessário e buscou tranquilizar os idosos e americanos que já têm plano de saúde, dizendo que nada seria tirado deles.

Em linguagem forte e direta, frequentemente pontuada por aplausos, Obama condenou as "táticas de medo" de seus oponentes e apelou à consciência da nação. Com a viúva do senador Edward M. Kennedy sentada na galeria da Câmara, ele leu uma carta que Kennedy lhe escreveu, na qual disse que o atendimento de saúde é "acima de tudo, uma questão moral; em jogo não estão apenas detalhes da política, mas princípios fundamentais de justiça social e do caráter de nosso país".

Muitas das ideias apresentadas por Obama não são novas. Ele reiterou seu apoio à "opção pública", um plano de saúde do governo para competir com o setor privado, apesar de dizer que consideraria alternativas. Ele disse que seu plano tornaria ilegal para os planos de saúde negar cobertura para pessoas com condições pré-existentes ou deixar de atender pessoas que estão doentes. Ele propôs que todos os americanos sejam obrigados a ter um plano de saúde, da mesma forma que todos os motoristas precisam ter o seguro obrigatório.

Mas Obama abraçou algumas propostas novas.

Ele anunciou uma nova iniciativa para criação de projetos-piloto visando coibir processos por erros médicos - uma causa que é importante para médicos e republicanos. Ele adotou a ideia apresentada pelo senador John McCain, seu rival republicano na eleição presidencial de 2008, de pools de seguros de alto risco para cobertura das pessoas com condições pré-existentes - e elogiou nominalmente McCain no discurso.

A Casa Branca parece estar buscando estabelecer a base para o argumento de que o projeto de lei final será bipartidário - não por atrair votos republicanos, mas por conter ideias republicanas. Este é o mesmo argumento que o governo Obama usou no início deste ano, quando o pacote de recuperação econômica do presidente foi aprovado com apenas três votos republicanos.
  • Doug Mills/The New York Times

    O deputado republicano Joe Wilson, dedo em riste, chamou Barack Obama de mentiroso no meio do discurso que o presidente fazia ao Congresso



Os republicanos pareciam prontos para uma briga. Muitos, como o senador Charles E. Grassley, republicano de Iowa e que está profundamente envolvido nas negociações de saúde, divulgou declarações sobre o discurso antes mesmo dele começar. Grassley pediu a Obama que "comece a elaborar o tipo de legislação que possa obter o apoio de 70 a 80 senadores" - uma meta que Grassley disse que não poderá ser atingida se o projeto contiver um novo plano de saúde público.

O presidente também endossou um plano, contido em uma proposta apresentada pelo senador Max Baucus, democrata de Montana e presidente do Comitê de Finanças do Senado, para ajudar a pagar pela expansão da cobertura, ao tributar as seguradoras que oferecem planos de saúde caros, os chamados planos "ouro".

O discurso foi o segundo do presidente perante uma sessão conjunta do Congresso. Mas o cenário político na quarta-feira era muito diferente daquele da aparição de Obama na Câmara, no 36º dia de seu mandato, quando ele ainda estava envolto em uma onda de otimismo e seus rivais republicanos estavam abatidos e em desarranjo.

"O que temos visto nos últimos meses é o mesmo espetáculo partidário que apenas endurece o desdém que muitos americanos sentem em relação ao seu próprio governo. Em vez de um debate honesto, nós temos visto táticas de medo", disse Obama. "Alguns se entrincheiraram em campos ideológicos que não se rendem e não oferecem esperança de acordo. Muitos têm usado isso como oportunidade para marcar pontos políticos a curto prazo, mesmo que isso roube do país nossa oportunidade de resolver um desafio de longo prazo."

Ele acrescentou: "E nesta tempestade de acusações e contra-acusações, reinou a confusão".

Obama defende no Congresso seu plano de reforma da saúde (em inglês)



Apesar de Obama estar se dirigindo aos legisladores dentro do plenário ornamentado da Câmara, um público mais importante estava fora de Washington: os 180 milhões de americanos que já têm plano de saúde e que permanecem céticos de que o plano de Obama mudará as coisas para melhor. Dentro da Câmara, o presidente obteve risadas quando disse, "restam detalhes importantes para ser acertados".

Obama foi recebido com fortes aplausos pelos democratas e apertos de mão educados por parte dos republicanos quando entrou no plenário da Câmara, pouco depois das 20 horas.

Seu desafio rapidamente ficou claro, quando passou a ser importunado por legisladores republicanos, vários deles acenando cartazes. Um coro de vaias surgiu quando o presidente chamou os chamados painéis da morte de "uma mentira, pura e simples".

"Você mente", respondeu um deputado republicano ao presidente.

Obama fez uma pequena pausa e então prosseguiu. Mas ele também deixou claro em seu discurso que teria pouca tolerância com os republicanos determinados a derrotá-lo. "Eu não perderei tempo com aqueles que fizeram o cálculo que é uma melhor política matar este plano do que melhorá-lo."

Para Obama, o discurso foi um momento de arriscar tudo: não há espaço mais dramático para um presidente do que discursar perante uma sessão conjunta do Congresso. Para muitos democratas, o discurso trouxe lembranças de um discurso semelhante sobre a reforma da saúde, feito pelo presidente Bill Clinton há 16 anos neste mês. Clinton pediu por "segurança, simplicidade, economia, direito de escolha, qualidade e responsabilidade" - os mesmos temas gerais abordados por Obama na noite de quarta-feira.

Tradução: George El Khouri Andolfato

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