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11/09/2009

Democratas acreditam que discurso de Obama foi politicamente unificador

The New York Times
David M. Herszenhorn e Robert Pear
Em Washington (EUA)
O discurso do presidente Barack Obama sobre o sistema de saúde dos Estados Unidos não foi capaz de acabar com as diferenças entre o governo e os republicanos, mas os democratas afirmaram na quinta-feira (10) que o presidente conseguiu, de maneira geral, unificar o seu próprio partido ao fazer um apelo convincente e persuasivo ao povo estadunidense, e ao apresentar o seu plano para reformular o sistema de saúde como sendo um imperativo político e moral.
  • Doug Mills/The New York Times

    O discurso foi um esforço de Obama de recuperar sua vantagem política na questão da saúde


No dia seguinte ao discurso transmitido em rede nacional de televisão, no qual Obama indicou que poderia aceitar uma alternativa a um plano de seguro saúde administrado pelo governo, democratas influentes que anteriormente pareciam só aceitar a opção de um seguro saúde público, deram a entender que eles também poderiam ser flexíveis. Entre eles estão a presidente da Câmara, Nancy Pelosi, e o deputado Henry A.
Waxman, diretor do Comitê de Energia e Comércio da Câmara, ambos da Califórnia. Assim como Obama, os dois disseram que ainda preferem a opção pública.

Os democratas procuraram utilizar o ímpeto obtido com o discurso do presidente para remodelar o debate político nacional, após passarem um mês atuando de forma defensiva. Obama não perdeu tempo para buscar o apoio de parlamentares que ele acredita estarem em cima do muro, ao convidar um grupo de 17 senadores democratas, em sua maioria centristas, para reunir-se com ele na Casa Branca na tarde da quinta-feira - uma encontro que os participantes descreveram como altamente positivo.

E a Casa Branca anunciou que o presidente continuará defendendo a reforma do sistema de saúde em todo o país, até mesmo em um discurso no próximo sábado em Minnesota e em uma entrevista ao programa "60 Minutes"
que será transmitida no domingo.

No Senado, em particular, os arquitetos de uma proposta bipartidária de sistema de saúde afirmaram que o discurso de Obama os fortaleceu, ao endossar grande parte daquilo que eles vêm propondo, especialmente um plano para o pagamento de uma parcela das contas com recursos oriundos de novas taxas sobre os planos de saúde voltados para as classes mais abastadas. Tanto os democratas quanto os republicanos acreditam que esta taxa pode ajudar a conter os gastos de longo prazo com o sistema de saúde.

"O discurso do presidente injetou uma vida nova naquilo que estamos fazendo", afirma o senador Max Baucus, democrata pelo Estado de Montana, e presidente do Comitê de Finanças, que está liderando as negociações bipartidárias. "O presidente está falando sobre aquilo que nós estamos falando. Isso ajuda muito. Estamos muito próximos de entrar em sincronia".

O grupo de seis negociadores do Comitê de Finanças do Senado, três democratas e três republicanos, reuniu-se novamente na quinta-feira para tentar resolver as diferenças. Grandes obstáculos persistem, incluindo sérias discórdias quanto a uma proposta para a ampliação do Medicaid.

Algumas das observações feitas por Obama deixaram os liberais desapontados, como, por exemplo, a sua disposição de ceder à ideia de retroceder quanto a um plano de saúde administrado pelo governo que competiria com os planos de saúde privados, um projeto que conta com amplo apoio na Câmara.

Os senadores que participaram do encontro na Casa Branca disseram que o principal tópico de discussão foi o controle dos custos gerais do plano para o sistema de saúde. Vários deles disseram estar otimistas quanto à possibilidade de acabarem apoiando a legislação.

"O discurso do presidente foi muito bom", disse o senador Evan Bayh, democrata pelo Estado de Indiana. "O nosso desafio é criar uma legislação tão boa quanto o discurso".

Líderes democratas reconheceram que o discurso de Obama provavelmente não mudou nenhum voto contrário à legislação. E, embora o presidente tenha tentado estender um ramo de oliveira para os republicanos, ao oferecer-se para tomar medidas no sentido de controlar os processos judiciais por má prática da medicina, alguns republicanos afirmaram que Obama não foi sincero para com aquilo que eles consideram uma grande prioridade.

Os republicanos, que deleitaram-se vendo os democratas sob cerco em reuniões com as suas bases regionais durante o recesso parlamentar de verão, viram-se eles próprios na defensiva na quinta-feira, tentando refutar as acusações do presidente de que muitos deles fazem ataques lançando mão de falsas premissas e não estão dispostos a chegar a um acordo que beneficiaria os norte-americanos.

Alguns republicanos ficaram furiosos.

"Eu achei que o discurso foi partidário, não informativo, e que ele dificilmente encorajará aqueles que discordam honestamente do presidente a trabalharem rumo a algum tipo de solução", criticou o senador Jon Kyl, do Estado do Arizona, o segundo republicano mais importante no Senado.

"O objetivo do discurso foi unificar a base democrata do presidente, e não melhorar a política de saúde", acusa o senador Bob Corker, republicano pelo Estado do Tennessee,que deu a entender que gostaria de trabalhar com os democratas na questão do sistema de saúde. "Escutamos um monte de explicações pomposas e superficialidades".

Até mesmo alguns democratas disseram que ainda são necessárias muitas modificações para que a legislação conte com votos suficientes para ser aprovada. "Eu não creio que ele tenha resolvido nada em termos de votos", opina o deputado Charles B. Rangel, democrata pelo Estado de Nova York, referindo-se ao discurso de Obama. "Creio que ele conseguiu muita coisa em termos de mudança do clima no Congresso".

Rangel, que é presidente do Comitê de Meios e Modos e um dos principais autores da legislação na Câmara, prevê que o discurso "terá um grande efeito, acabando com aquele espírito de briga, aquela tensão profunda e aquele negativismo que presenciamos em agosto".

Ele afirma não ter planos imediatos para adotar a proposta feita por Obama de uma taxa ou imposto sobre as companhias de seguro saúde que vendem os planos de saúde mais caros, mas diz que não ignoraria a ideia se ela pudesse ajudar a construir uma maioria favorável ao projeto.

Outros democratas ficaram extasiados.

"O discurso do presidente modificou de fato todo o jogo", diz o líder da maioria no Senado, Harry Reid, do Estado de Nevada. "Tudo sobre o qual ele falou diz respeito a uma legislação que preservará as opções dos pacientes, reduzirá os custos e melhorará a qualidade dos tratamentos. E todo este debate só diz respeito de fato a esses fatores".

Outros democratas disseram que Obama modificou o seu discurso de uma maneira que poderia fazer com que houvesse mais apoio por parte dos parlamentares centristas de ambos os partidos.

"Ele estava falando ao povo norte-americano, especialmente para os independentes", diz o senador Charles E. Schumer, democrata pelo Estado de Nova York. "Não creio que, após ouvir o discurso, alguém acharia que
12 senadores republicanos levantar-se-iam e diriam, 'Sou favorável ao presidente'. Mas quando esses senadores retornarem aos seus redutos eleitorais e ouvirem os seus eleitores que escutaram o discurso, eles poderão mudar de ideia quanto à maneira de abordar essa questão".

Tradução: UOL

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